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Laser de 500 watts pode alimentar rover de 250 kg a até 15 km de distância para explorar crateras escuras da Lua onde pode haver gelo de água

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 27/04/2026 às 19:10 Atualizado em 27/04/2026 às 19:43
Rover, Laser Lunar
Imagem: ilustração
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Projeto europeu estuda feixe de laser capaz de enviar energia a um rover em crateras escuras da Lua, onde sinais de gelo de água podem apoiar futuras missões com água, oxigênio e combustível no espaço

Um laser lunar de até 15 km pode alimentar um veículo explorador nas regiões permanentemente sombreadas da Lua, onde há indícios de gelo de água capaz de sustentar futuras missões com água potável, oxigênio e combustível.

Laser lunar, Lua, Rover
Imagem: Divulgação

Energia à distância para a escuridão lunar

O conceito europeu propõe enviar energia por feixe de laser a um rover que operaria em locais onde a luz solar não chega.

A ideia é permitir deslocamento contínuo na escuridão total, sem depender apenas da energia armazenada a bordo.

Esse modelo também reduz a necessidade de levar grandes reservas de energia no próprio veículo. O foco é manter o rover ativo enquanto se desloca por áreas que, por definição, não oferecem iluminação direta.

A abordagem é estudada nos programas tecnológicos da ESA e mira áreas consideradas estratégicas para a exploração lunar.

Nelas, o gelo de água é um dos recursos mais disputados para futuras operações humanas e robóticas.

Diversas missões já detectaram hidrogênio nessas regiões, um forte indicador da presença de gelo. Dados do Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA, com apoio das missões Chandrayaan-1 e SMART-1, indicam que esse gelo pode estar estável há bilhões de anos.

Laser lunar evita parte dos desafios nucleares

Soluções tradicionais para esse tipo de ambiente costumam depender de sistemas nucleares, como geradores termoelétricos de radioisótopos.

Eles podem fornecer energia constante, mas trazem custo, complexidade de engenharia e desafios de gerenciamento térmico.

O engenheiro de robótica da ESA Michel Van Winnendael afirmou que a sugestão padrão seria equipar o veículo explorador com geradores baseados em energia nuclear.

O problema é que esse caminho também eleva as exigências técnicas da missão.

O calor gerado por um rover aquecido o suficiente para funcionar pode afetar o gelo que ele deveria estudar.

O laser lunar muda essa lógica ao mandar energia à distância e reduzir o impacto térmico no ambiente próximo.

A ideia aproveita experiências feitas na Terra, nas quais lasers mantiveram drones voando por longos períodos. Na Lua, porém, a tecnolgia precisa ser adaptada para transmissões mais longas e condições muito mais severas.

Como funciona o projeto PHILIP

O sistema recebeu o nome PHILIP, sigla para alimentação de veículos exploradores por indução a laser de alta intensidade em planetas.

O projeto foi desenvolvido pela Leonardo e pelo Instituto Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento em Optoeletrônica da Romênia.

A iniciativa conta com financiamento da ESA. A missão posicionaria um módulo de pouso em uma zona de luz solar quase constante, localizada entre as crateras de Gerlache e Shackleton.

A partir desse ponto iluminado, um laser infravermelho de 500 watts atingiria continuamente um veículo explorador de 250 kg enquanto ele avançasse para regiões de sombra.

O rover transformaria o feixe em eletricidade por meio de painéis solares modificados.

Sensores manteriam o alinhmaneto do feixe com precisão de até um centímetro. O trajeto também precisaria ser planejado com cuidado, usando inclinações de cerca de 10 graus para preservar a linha de visão direta.

Comunicação pelo mesmo feixe de luz

O laser lunar também poderia servir para comunicação. Um retrorrefletor instalado no rover enviaria sinais modulados de volta ao módulo de pouso pela luz refletida, permitindo troca de dados nos dois sentidos.

Essa solução uniria fornecimento de energia e transmissão de informações em um mesmo arranjo. O objetivo é manter o veículo em operação nas regiões frias e escuras sem exigir contato direto com a luz solar.

Testes já foram feitos em campo, incluindo ensaios noturnos em Tenerife, em condições parecidas com as da Lua. Esses experimentos ajudaram a validar a navegação e o funcionamento do rover em baixa visibilidade.

Próxima etapa será a prototipagem

O projeto PHILIP segue em fase de estudo, mas chegou ao ponto em que protótipos e novos testes podem começar em programas tecnológicos posteriores da ESA.

Van Winnendael afirmou que a conclusão do projeto aproxima essa possibilidade.

A expectativa é que a abordagem permita explorar áreas da Lua que ainda permanecem inacessíveis. Caso funcione, o sistema poderá abrir caminho para rovers atuarem em crateras escuras onde o gelo de água segue protegido da luz solar.

O interesse central continua sendo alcançar o gelo sem alterar seu ambiente imediato naturalmente preservado.

Com informações de Daily Galaxy.

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Romário Pereira de Carvalho

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