Karoon procura parceiros para avançar no bloco Esmeralda, no pré-sal da Bacia de Santos, e pretende dividir custos e riscos antes das primeiras perfurações.
A Karoon decidiu que não avançará sozinha na perfuração do bloco Esmeralda, área que marcou sua entrada no pré-sal da Bacia de Santos. A companhia australiana pretende trazer um ou mais parceiros antes de colocar os primeiros poços no projeto, dividindo os gastos de uma campanha exploratória que ainda precisa esclarecer as características do reservatório. A estratégia considera o porte financeiro da empresa, o custo das perfurações e dificuldades relacionadas tanto à contratação de sondas quanto ao prazo necessário para obter licenças ambientais do Ibama.
Esmeralda foi adquirido integralmente pela companhia no terceiro ciclo da Oferta Permanente de Partilha, realizado em outubro de 2025. Agora, a empresa trabalha na preparação da área para apresentá-la a potenciais interessados.
Custo de poucos poços pesa na estratégia da Karoon
Marco Brummelhuis, vice-presidente executivo e country manager da Karoon Energy, explicou à Agência iNFRA que a empresa possui valor aproximado de US$ 1 bilhão, dimensão que exige cautela na exposição a uma campanha exploratória de grande porte.
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Segundo o executivo, a perfuração de três poços poderia consumir algo entre US$ 300 milhões e US$ 200 milhões. Para uma companhia do tamanho da Karoon, assumir integralmente esse desembolso representaria um risco elevado antes mesmo de confirmar as projeções existentes para o reservatório.
Brummelhuis afirmou que gostaria de perfurar a área imediatamente, mas ressaltou que a empresa não dispõe do fluxo de caixa de uma grande petrolífera para executar uma campanha dessa dimensão sem compartilhar os custos.
A intenção, por isso, é entrar na etapa de perfuração já acompanhada por outro participante.
Primeira campanha poderá ter um ou dois poços
O desenho considerado atualmente para Esmeralda prevê inicialmente a perfuração de um ou dois poços.
Esses trabalhos serviriam para aumentar o conhecimento sobre o reservatório antes de decisões posteriores. O que acontecerá depois dependerá diretamente dos resultados obtidos nessa primeira investigação.
A companhia ainda está em uma fase anterior à definição dos parceiros.
Neste momento, mantém conversas iniciais com a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) para compreender quais estudos precisarão ser desenvolvidos e como o projeto poderá ser estruturado antes de ser apresentado a outras empresas.
Esmeralda surgiu após avanço da Karoon em áreas vizinhas
A decisão de disputar o bloco não ocorreu de forma isolada dentro do portfólio da companhia.
Antes de adquirir Esmeralda, a Karoon havia comprado áreas de concessão na mesma bacia. A empresa identificou informações que considerou interessantes naquela região e, posteriormente, verificou que o reservatório observado se prolongava até o bloco localizado dentro do pré-sal.
A proximidade com Neon e Baúna, campos também operados pela companhia na Bacia de Santos, pesou nessa movimentação.

Brummelhuis evitou classificar as projeções como potencial comprovado justamente porque nenhum poço foi perfurado no bloco. Segundo ele, caso as estimativas sejam confirmadas pelas futuras perfurações, a dimensão poderá ser relevante.
Companhia também quer atrair parceiros para blocos de concessão
A busca por outras operadoras não ficará restrita a Esmeralda.
A Karoon possui nove blocos sob regime de concessão na Bacia de Santos. Desse conjunto, seis foram adquiridos no quinto ciclo da Oferta Permanente de Concessão, dois vieram do quarto ciclo e um é mais antigo, obtido na 14ª Rodada da ANP.
Considerando somente os oito ativos mais recentes, a empresa separa as áreas em situações distintas.
Dois blocos poderão ser associados ao desenvolvimento de Neon. Uma possibilidade avaliada é utilizar uma conexão do tipo tie-back, pois os volumes dessas áreas não sustentariam um desenvolvimento independente.
Os outros seis blocos estão posicionados a uma distância maior do polígono do pré-sal.
Para essas áreas, a companhia pretende abrir um data room, permitindo que outras empresas analisem as informações disponíveis e decidam se possuem interesse em participar.
Neon precisa incorporar volumes de outras áreas
Enquanto procura parceiros para sua carteira exploratória, a Karoon trabalha no desenvolvimento do campo de Neon.
O projeto atualmente considerado utiliza um FPSO reaproveitado, com capacidade mais limitada, entre 20 mil e 40 mil barris por dia.
A configuração inicial prevê um poço injetor de gás e três poços produtores.
Brummelhuis afirmou que Neon não possui um reservatório de grande porte. Por essa razão, incorporar volumes de áreas próximas é importante para a viabilidade econômica do projeto.
A empresa procura unidades de produção usadas, de segunda ou terceira mão, desde que estejam em boas condições.
A previsão apresentada pelo executivo é chegar a uma decisão final de investimento sobre o desenho de Neon no fim de 2027.
Portfólio brasileiro permanece concentrado na Bacia de Santos
Além de Esmeralda e dos nove blocos de concessão, a companhia opera outros ativos na mesma bacia. Entre eles está Goiá, atualmente em desenvolvimento, além dos campos de Neon e Baúna.
A estratégia para Esmeralda acrescenta uma etapa diferente a esse portfólio. Antes de comprometer recursos elevados em perfurações no pré-sal, a Karoon pretende estruturar os estudos, encontrar empresas dispostas a participar e repartir tanto os custos quanto o risco exploratório.
O mesmo princípio será aplicado a parte das áreas de concessão: disponibilizar os dados para potenciais parceiros e, a partir do interesse encontrado, decidir quais projetos poderão avançar de forma conjunta.
