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Jundiaí “engole” até 217,7 milhões de litros de esgoto em um dia de pico: uma estação pioneira usa ar difuso, oito lagoas e centrífugas para remover 96% da carga orgânica e mandar 3,5 mil toneladas de lodo por mês à compostagem

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 28/07/2026 às 22:10
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Capaz de receber uma vazão equivalente a 217,7 milhões de litros em 24 horas, a estação de Jundiaí combina oito lagoas, microrganismos, ar difuso e centrífugas para reduzir a carga orgânica e encaminhar milhares de toneladas de lodo à compostagem todos os meses.

No interior de São Paulo, a Estação de Tratamento de Esgotos de Jundiaí opera uma estrutura capaz de receber 2.520 litros por segundo nos períodos de pico, volume equivalente a 217,7 milhões de litros ao longo de 24 horas nesse patamar.

Divulgada pela Companhia Saneamento de Jundiaí, essa capacidade mostra a escala de um sistema que recebe efluentes de residências, comércios e indústrias, reduz a maior parte da carga orgânica e encaminha milhares de toneladas de lodo para reaproveitamento.

Para impedir que o esgoto alcance o Rio Jundiaí com a mesma concentração de resíduos e matéria orgânica encontrada na entrada, a operação reúne etapas físicas e biológicas organizadas em uma sequência contínua de separação, degradação e controle.

Segundo a Companhia Saneamento de Jundiaí, a unidade possui capacidade regular de 1.530 litros por segundo, mantém vazão média de aproximadamente 1.100 litros por segundo e pode alcançar 2.520 litros por segundo quando a entrada atinge os níveis de pico.

Entre a média operacional e o limite máximo, a diferença ajuda a explicar o uso da expressão “engole” no título, pois a estação precisa absorver variações expressivas de volume sem interromper o funcionamento das etapas seguintes.

Mesmo sob maior pressão, o fluxo deve continuar passando pela retirada de lixo, areia e poluentes, pela atividade dos microrganismos e pela separação do lodo antes que o efluente tratado seja liberado para retornar ao ambiente.

Tratamento de esgoto começa com retirada de lixo e areia

Logo na entrada, grades formam a primeira barreira e retêm materiais sólidos transportados pela rede, como plásticos, panos e outros objetos que não pertencem ao processo biológico e poderiam comprometer bombas, tubulações e equipamentos.

Após essa triagem inicial, bombas submersas elevam o esgoto até as unidades seguintes, enquanto instrumentos de medição acompanham continuamente a vazão recebida e fornecem dados necessários para ajustar o funcionamento da estação às mudanças de volume.

Antes do início da etapa biológica, a areia que chega misturada ao esgoto também precisa ser removida, porque suas partículas mais pesadas podem se acumular nos equipamentos e ocupar áreas destinadas ao tratamento da matéria orgânica.

Por meio da decantação, o movimento da água diminui e permite que esse material mineral se deposite no fundo, preparando o fluxo para avançar sem carregar resíduos capazes de reduzir a eficiência das estruturas posteriores.

Lagoas de aeração usam microrganismos e ar difuso

No centro da operação estão as lagoas de aeração, onde bactérias degradam a matéria orgânica presente no esgoto por meio de um processo biológico aeróbio que depende do fornecimento contínuo de oxigênio.

Em vez de grandes agitadores instalados na superfície, a unidade utiliza difusores flutuantes de membrana e milhares de pontos responsáveis por liberar pequenas bolhas de ar, distribuídas para sustentar a atividade dos microrganismos dentro das lagoas.

Ao subir pela água, essas bolhas fornecem oxigênio e mantêm suspensos os flocos biológicos, aglomerações de microrganismos que consomem parte da matéria orgânica responsável pela poluição encontrada no esgoto recebido pela estação.

Dessa maneira, o processo acelera de forma controlada uma decomposição que também ocorre naturalmente nos cursos d’água, mas sem a mesma concentração de equipamentos, oxigênio disponível e monitoramento operacional mantido dentro da instalação.

De acordo com a operadora, Jundiaí abriga a primeira estação brasileira a empregar ar difuso em lagoas, sistema que distribui pequenas bolhas a partir do fundo e evita a formação de aerossóis associada ao uso de grandes misturadores.

Ao todo, a estrutura reúne três lagoas de aeração e cinco lagoas de decantação, formando oito unidades conectadas ao percurso do esgoto e responsáveis por manter as fases de oxigenação e separação dentro da sequência planejada.

Decantação separa o lodo da água tratada

Concluída a aeração, o fluxo segue para lagoas de decantação que não recebem a mesma agitação, condição necessária para que os flocos biológicos desçam lentamente e se acumulem no fundo das estruturas, formando o lodo.

Na parte superior, permanece uma água com parcela muito menor da poluição inicial, que pode avançar para o corpo receptor desde que permaneça dentro das condições operacionais estabelecidas para a estação de tratamento.

Informada pela Companhia Saneamento de Jundiaí, a eficiência do processo chega a 96% na remoção da carga orgânica, indicador que mede a redução da matéria biodegradável presente no esgoto após a passagem pelas etapas biológicas.

Esse percentual representa o desempenho do tratamento, mas não significa que o efluente se torne água potável, já que sua destinação é o retorno ambiental, enquanto o lodo separado segue por uma rota própria dentro da instalação.

Centrífugas preparam o lodo para compostagem

Retirado do fundo das lagoas por dragagem, o lodo é encaminhado às centrífugas, equipamentos cuja rotação separa parte da água ainda presente nos sólidos e produz um material desidratado mais adequado ao transporte.

Segundo a operadora, cerca de 3,5 mil toneladas de lodo desidratado seguem mensalmente para compostagem, etapa em que o resíduo é misturado a materiais orgânicos e preparado para passar por transformação controlada.

Durante a compostagem, o lodo recebe podas urbanas trituradas, bagaço de cana-de-açúcar e cascas de eucalipto, combinação que favorece a atividade de microrganismos e permite o desenvolvimento das condições necessárias ao tratamento do composto.

A temperatura do material ultrapassa 55 graus Celsius, conforme a Companhia Saneamento de Jundiaí, promovendo a higienização e a eliminação de fitopatógenos antes que o produto resultante seja destinado a diferentes formas de uso.

Classificado pela operadora como fertilizante orgânico composto, o produto possui registro no Ministério da Agricultura e pode ser utilizado em culturas como café, cana-de-açúcar, soja, frutas e espécies florestais.

Além das aplicações agrícolas, o material também pode seguir para gramados e projetos de paisagismo, desde que o controle do esgoto industrial recebido mantenha a composição do lodo adequada ao reaproveitamento previsto.

Estação trata carga orgânica de grande escala

Mais do que o volume de água, a carga orgânica recebida ajuda a dimensionar o porte da operação, porque representa a quantidade de matéria biodegradável que precisa ser processada pelos microrganismos durante o tratamento.

A Companhia Saneamento de Jundiaí informa capacidade para tratar até 90 toneladas de demanda bioquímica de oxigênio por dia, carga equivalente à produzida por uma população de aproximadamente 1,67 milhão de habitantes.

Nesse cálculo, além da contribuição residencial, entram os efluentes ligados a atividades industriais conectadas ao sistema, responsáveis por elevar a quantidade de matéria orgânica que chega diariamente à estação e precisa ser degradada.

O consumo de energia acompanha essa escala, já que a unidade utiliza cerca de 1.900 megawatts-hora por mês para bombear o esgoto, fornecer ar às lagoas e movimentar os equipamentos empregados na separação.

Entre essas atividades, a aeração ocupa papel central, pois os microrganismos dependem do oxigênio distribuído continuamente para manter o processo biológico ativo e reduzir a carga orgânica presente no esgoto.

Coleta de esgoto alcança quase toda Jundiaí

Criada para tratar o esgoto do município, a ETE de Jundiaí incorporou a destinação do lodo à compostagem como parte permanente do processo, conectando o tratamento do efluente ao reaproveitamento de uma parcela dos resíduos gerados.

De acordo com a Companhia Saneamento de Jundiaí, 98% do esgoto produzido na cidade é coletado, e 99% desse volume segue para a estação, onde passa pelas etapas de tratamento e recebe destinação adequada.

Depois de desaparecer pelo ralo, a água percorre um caminho formado por grades, bombas, decantação, oxigênio, bactérias, centrífugas e controle operacional antes de retornar ao ambiente com uma carga orgânica significativamente menor.

Quantas pessoas imaginam que o esgoto de uma cidade do interior percorre oito lagoas, passa pela ação de milhares de microrganismos e ainda pode terminar convertido em fertilizante utilizado na agricultura?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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