Levantamento da Infra S.A. aponta aumento de recursos para três modais, enquanto o transporte rodoviário de combustíveis avança e ferrovias registram retração.
Os investimentos públicos federais em infraestrutura aquaviária cresceram 95,13% entre janeiro e agosto de 2026, alcançando R$ 150,3 milhões. No mesmo período, os aportes em aeroportos chegaram a R$ 767,98 milhões, enquanto o setor ferroviário recebeu R$ 121,21 milhões. Apesar do aumento dos recursos, a movimentação de cargas não acompanhou o ritmo dos investimentos em todos os modais, com retração de 1,1% no transporte ferroviário.
Os dados fazem parte da 59ª edição do Panorama Transportes, da Infra S.A., referente a agosto e disponibilizada em outubro de 2026. Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira (28) pela Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL), com informações sobre investimentos, transporte de passageiros e movimentação de mercadorias no Brasil.
Transporte aquaviário quase dobra investimentos, mas recebe menos recursos que aeroportos

O setor aquaviário apresentou a maior expansão percentual entre os três modais com investimentos destacados pelo levantamento.
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De janeiro a agosto, os recursos públicos federais aplicados em sua infraestrutura somaram R$ 150,3 milhões, aumento de 95,13% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
O desempenho representa quase o dobro dos investimentos registrados no ano anterior, mas não significa que o modal tenha recebido o maior volume de dinheiro.
O transporte aéreo, por exemplo, contou com R$ 767,98 milhões, valor mais de cinco vezes superior ao destinado ao aquaviário no período analisado.
A diferença mostra a importância de avaliar conjuntamente os percentuais de crescimento e os montantes efetivamente aplicados.
O ritmo de expansão também mudou ao longo do ano. Em levantamento anterior, referente aos cinco primeiros meses de 2026, o Observatório Nacional de Transporte e Logística havia identificado alta de 255,58% nos investimentos aquaviários, que acumulavam R$ 111,7 milhões até maio.
Com a inclusão dos meses seguintes, o crescimento acumulado passou a 95,13%. A redução da taxa percentual não representa, isoladamente, corte de recursos, mas uma mudança na comparação com a base de investimentos de 2025.
Os investimentos nesse modal abrangem a infraestrutura de transporte aquaviário, não apenas os terminais de contêineres. O estudo divulgado não discrimina, no resumo consultado, quanto dos R$ 150,3 milhões foi aplicado em cada empreendimento.
Aeroportos recebem R$ 767,98 milhões enquanto aviação supera 89 milhões de passageiros
O transporte aéreo registrou aumento de 32,3% nos investimentos federais, totalizando R$ 767,98 milhões entre janeiro e agosto.
No mesmo período, o fluxo de passageiros continuou crescendo, tanto nas viagens nacionais quanto internacionais.
Segundo a Infra S.A., foram transportados 68,33 milhões de passageiros em voos domésticos, crescimento de 3,83% em relação aos oito primeiros meses de 2025.
No mercado internacional, o movimento chegou a 20,79 milhões de passageiros, avanço de 7,06%.
Somados, os dois segmentos ultrapassaram 89 milhões de passageiros. O resultado atualiza os números apresentados anteriormente em reportagem do CPG sobre o recorde da aviação brasileira.
O transporte aéreo de cargas também avançou. Entre janeiro e agosto, foram movimentados 979,7 milhões de quilos, aumento de 4% na comparação anual.
Somente em agosto, o volume chegou a 130,24 milhões de quilos, crescimento de 9,5% em relação ao mesmo mês de 2025.
O resultado mensal teve contribuição do mercado internacional, que registrou expansão de 11,6% na movimentação de cargas.
A combinação de mais passageiros e maior volume de mercadorias mostra o crescimento da demanda por operações aeroportuárias, embora o estudo não permita atribuir esse avanço diretamente aos investimentos realizados no mesmo período.
Rodovias movimentam 29,22 milhões de m³ de combustíveis e registram mais veículos nos pedágios
O transporte rodoviário apresentou crescimento na movimentação de combustíveis e derivados fósseis.
Entre janeiro e agosto de 2026, foram transportados 29,22 milhões de metros cúbicos desses produtos, aumento de 19,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Em agosto, o volume alcançou 4,33 milhões de metros cúbicos, crescimento de 80,6% na comparação com agosto do ano anterior.
O resultado chama atenção pela diferença entre o crescimento mensal e a expansão acumulada. Entretanto, o levantamento divulgado não identifica quais produtos ou corredores rodoviários responderam pela maior parte do avanço.
A movimentação de combustíveis integra uma das atividades do transporte de cargas no país, responsável por abastecer postos, indústrias e outros consumidores.
A dependência brasileira das rodovias também aparece na discussão sobre a falta de caminhoneiros no Brasil, abordada anteriormente pelo CPG.
Outro indicador de atividade foi o fluxo de veículos nas rodovias concedidas.
Em agosto, foram contabilizados 191,5 milhões de veículos pedagiados, aumento de 25,6% em relação ao mesmo mês de 2025.
No acumulado de janeiro a agosto, a movimentação chegou a 1,43 bilhão de registros, crescimento de 10,6%.
Esses números representam passagens por praças de pedágio, e não necessariamente veículos distintos, já que um mesmo automóvel ou caminhão pode ser contabilizado várias vezes.
Ferrovias recebem 17,51% mais investimentos, mas carga transportada recua 1,1%
O setor ferroviário recebeu R$ 121,21 milhões em investimentos públicos federais entre janeiro e agosto, alta de 17,51%.
Apesar do aumento, a movimentação de mercadorias apresentou resultado negativo no acumulado do período.
As ferrovias brasileiras transportaram 353,5 milhões de toneladas úteis nos oito primeiros meses de 2026, redução de 1,1% em relação ao ano anterior.
O indicador considera o peso das mercadorias efetivamente transportadas, sem incluir o peso dos vagões.
Agosto apresentou um comportamento diferente do acumulado. Naquele mês, as ferrovias movimentaram 50,2 milhões de toneladas úteis, o maior resultado mensal registrado até então em 2026.
O desempenho de agosto não foi suficiente para reverter a retração dos oito primeiros meses.
O setor enfrenta discussões sobre ampliação de capacidade e recuperação de trechos existentes. Em Santa Catarina, por exemplo, um projeto ferroviário de R$ 14,8 bilhões prevê a construção de 319 quilômetros de infraestrutura para conectar regiões produtoras a corredores logísticos.
Os valores desse empreendimento, ainda em planejamento, não integram automaticamente os recursos federais executados entre janeiro e agosto.
A distinção é necessária porque o volume de investimentos públicos divulgado pelo ONTL não corresponde ao total aplicado por concessionárias e empresas privadas na malha ferroviária.
Comércio exterior movimenta 682,8 milhões de toneladas por via aquaviária e CNT aponta demanda por R$ 2 trilhões
O transporte aquaviário de cargas destinadas ao comércio exterior somou 682,8 milhões de toneladas entre janeiro e agosto.
O crescimento foi de apenas 0,4% em relação ao mesmo intervalo de 2025, percentual inferior à expansão dos investimentos públicos federais no modal.
No transporte rodoviário de soja, milho e farelo destinados ao mercado internacional, o volume alcançou 70,46 milhões de toneladas, aumento de 0,5%.
Esses indicadores mostram que a movimentação de produtos de exportação apresentou crescimento limitado em determinados segmentos, mesmo com avanços expressivos em outros fluxos logísticos.
O contraste aparece também na comparação entre os investimentos executados e as necessidades de infraestrutura identificadas pelo setor transportador.
Segundo o Plano CNT de Transporte e Logística 2026, elaborado pela Confederação Nacional do Transporte, o Brasil possui uma carteira de 2.837 projetos que exigiriam aproximadamente R$ 2,03 trilhões para sua execução.
O levantamento reúne propostas de integração nacional e mobilidade urbana em diferentes estágios de desenvolvimento, abrangendo investimentos públicos e privados.
Em outra análise divulgada em agosto, a CNT informou que os investimentos federais em infraestrutura de transporte somaram R$ 16,67 bilhões em 2025, equivalentes a 0,13% do Produto Interno Bruto brasileiro.
Os valores reforçam a diferença de escala entre os aportes realizados e o conjunto de intervenções mapeadas para as próximas décadas.
A Infra S.A. continuará reunindo mensalmente os indicadores de transporte, permitindo acompanhar se o crescimento dos investimentos será acompanhado por maior movimentação de cargas e passageiros.
O próximo Panorama Transportes deverá acrescentar os dados de setembro à série de 2026, atualizando o desempenho dos modais e a execução dos investimentos federais.
