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Investimento federal em transporte aquaviário cresce 95%, mas ferrovias perdem carga em 2026

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Escrito por Carla Teles Publicado em 28/10/2026 às 15:39 Atualizado em 28/10/2026 às 15:40
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Investimento federal em transporte aquaviário cresce 95%, mas ferrovias perdem carga em 2026 (2)
Representação ilustrativa da infraestrutura de transporte de cargas no Brasil. Levantamento da Infra S.A. aponta crescimento dos investimentos federais nos modais aquaviário, aéreo e ferroviário entre janeiro e agosto de 2026.
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Levantamento da Infra S.A. aponta aumento de recursos para três modais, enquanto o transporte rodoviário de combustíveis avança e ferrovias registram retração.

Os investimentos públicos federais em infraestrutura aquaviária cresceram 95,13% entre janeiro e agosto de 2026, alcançando R$ 150,3 milhões. No mesmo período, os aportes em aeroportos chegaram a R$ 767,98 milhões, enquanto o setor ferroviário recebeu R$ 121,21 milhões. Apesar do aumento dos recursos, a movimentação de cargas não acompanhou o ritmo dos investimentos em todos os modais, com retração de 1,1% no transporte ferroviário.

Os dados fazem parte da 59ª edição do Panorama Transportes, da Infra S.A., referente a agosto e disponibilizada em outubro de 2026. Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira (28) pela Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL), com informações sobre investimentos, transporte de passageiros e movimentação de mercadorias no Brasil.

Transporte aquaviário quase dobra investimentos, mas recebe menos recursos que aeroportos

Terminal portuário no Porto de Santos, em São Paulo. Investimentos públicos federais em infraestrutura aquaviária cresceram 95,13% entre janeiro e agosto de 2026. Foto: Enio Prado/Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 2.0.
Terminal portuário no Porto de Santos, em São Paulo. Investimentos públicos federais em infraestrutura aquaviária cresceram 95,13% entre janeiro e agosto de 2026. Foto: Enio Prado/Wikimedia Commons. Licença: CC BY-SA 2.0.

O setor aquaviário apresentou a maior expansão percentual entre os três modais com investimentos destacados pelo levantamento.

De janeiro a agosto, os recursos públicos federais aplicados em sua infraestrutura somaram R$ 150,3 milhões, aumento de 95,13% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

O desempenho representa quase o dobro dos investimentos registrados no ano anterior, mas não significa que o modal tenha recebido o maior volume de dinheiro.

O transporte aéreo, por exemplo, contou com R$ 767,98 milhões, valor mais de cinco vezes superior ao destinado ao aquaviário no período analisado.

A diferença mostra a importância de avaliar conjuntamente os percentuais de crescimento e os montantes efetivamente aplicados.

O ritmo de expansão também mudou ao longo do ano. Em levantamento anterior, referente aos cinco primeiros meses de 2026, o Observatório Nacional de Transporte e Logística havia identificado alta de 255,58% nos investimentos aquaviários, que acumulavam R$ 111,7 milhões até maio.

Com a inclusão dos meses seguintes, o crescimento acumulado passou a 95,13%. A redução da taxa percentual não representa, isoladamente, corte de recursos, mas uma mudança na comparação com a base de investimentos de 2025.

Os investimentos nesse modal abrangem a infraestrutura de transporte aquaviário, não apenas os terminais de contêineres. O estudo divulgado não discrimina, no resumo consultado, quanto dos R$ 150,3 milhões foi aplicado em cada empreendimento.

Aeroportos recebem R$ 767,98 milhões enquanto aviação supera 89 milhões de passageiros

O transporte aéreo registrou aumento de 32,3% nos investimentos federais, totalizando R$ 767,98 milhões entre janeiro e agosto.

No mesmo período, o fluxo de passageiros continuou crescendo, tanto nas viagens nacionais quanto internacionais.

Segundo a Infra S.A., foram transportados 68,33 milhões de passageiros em voos domésticos, crescimento de 3,83% em relação aos oito primeiros meses de 2025.

No mercado internacional, o movimento chegou a 20,79 milhões de passageiros, avanço de 7,06%.

Somados, os dois segmentos ultrapassaram 89 milhões de passageiros. O resultado atualiza os números apresentados anteriormente em reportagem do CPG sobre o recorde da aviação brasileira.

O transporte aéreo de cargas também avançou. Entre janeiro e agosto, foram movimentados 979,7 milhões de quilos, aumento de 4% na comparação anual.

Somente em agosto, o volume chegou a 130,24 milhões de quilos, crescimento de 9,5% em relação ao mesmo mês de 2025.

O resultado mensal teve contribuição do mercado internacional, que registrou expansão de 11,6% na movimentação de cargas.

A combinação de mais passageiros e maior volume de mercadorias mostra o crescimento da demanda por operações aeroportuárias, embora o estudo não permita atribuir esse avanço diretamente aos investimentos realizados no mesmo período.

Rodovias movimentam 29,22 milhões de m³ de combustíveis e registram mais veículos nos pedágios

O transporte rodoviário apresentou crescimento na movimentação de combustíveis e derivados fósseis.

Entre janeiro e agosto de 2026, foram transportados 29,22 milhões de metros cúbicos desses produtos, aumento de 19,9% em relação ao mesmo período de 2025.

Em agosto, o volume alcançou 4,33 milhões de metros cúbicos, crescimento de 80,6% na comparação com agosto do ano anterior.

O resultado chama atenção pela diferença entre o crescimento mensal e a expansão acumulada. Entretanto, o levantamento divulgado não identifica quais produtos ou corredores rodoviários responderam pela maior parte do avanço.

A movimentação de combustíveis integra uma das atividades do transporte de cargas no país, responsável por abastecer postos, indústrias e outros consumidores.

A dependência brasileira das rodovias também aparece na discussão sobre a falta de caminhoneiros no Brasil, abordada anteriormente pelo CPG.

Outro indicador de atividade foi o fluxo de veículos nas rodovias concedidas.

Em agosto, foram contabilizados 191,5 milhões de veículos pedagiados, aumento de 25,6% em relação ao mesmo mês de 2025.

No acumulado de janeiro a agosto, a movimentação chegou a 1,43 bilhão de registros, crescimento de 10,6%.

Esses números representam passagens por praças de pedágio, e não necessariamente veículos distintos, já que um mesmo automóvel ou caminhão pode ser contabilizado várias vezes.

Ferrovias recebem 17,51% mais investimentos, mas carga transportada recua 1,1%

O setor ferroviário recebeu R$ 121,21 milhões em investimentos públicos federais entre janeiro e agosto, alta de 17,51%.

Apesar do aumento, a movimentação de mercadorias apresentou resultado negativo no acumulado do período.

As ferrovias brasileiras transportaram 353,5 milhões de toneladas úteis nos oito primeiros meses de 2026, redução de 1,1% em relação ao ano anterior.

O indicador considera o peso das mercadorias efetivamente transportadas, sem incluir o peso dos vagões.

Agosto apresentou um comportamento diferente do acumulado. Naquele mês, as ferrovias movimentaram 50,2 milhões de toneladas úteis, o maior resultado mensal registrado até então em 2026.

O desempenho de agosto não foi suficiente para reverter a retração dos oito primeiros meses.

O setor enfrenta discussões sobre ampliação de capacidade e recuperação de trechos existentes. Em Santa Catarina, por exemplo, um projeto ferroviário de R$ 14,8 bilhões prevê a construção de 319 quilômetros de infraestrutura para conectar regiões produtoras a corredores logísticos.

Os valores desse empreendimento, ainda em planejamento, não integram automaticamente os recursos federais executados entre janeiro e agosto.

A distinção é necessária porque o volume de investimentos públicos divulgado pelo ONTL não corresponde ao total aplicado por concessionárias e empresas privadas na malha ferroviária.

Comércio exterior movimenta 682,8 milhões de toneladas por via aquaviária e CNT aponta demanda por R$ 2 trilhões

O transporte aquaviário de cargas destinadas ao comércio exterior somou 682,8 milhões de toneladas entre janeiro e agosto.

O crescimento foi de apenas 0,4% em relação ao mesmo intervalo de 2025, percentual inferior à expansão dos investimentos públicos federais no modal.

No transporte rodoviário de soja, milho e farelo destinados ao mercado internacional, o volume alcançou 70,46 milhões de toneladas, aumento de 0,5%.

Esses indicadores mostram que a movimentação de produtos de exportação apresentou crescimento limitado em determinados segmentos, mesmo com avanços expressivos em outros fluxos logísticos.

O contraste aparece também na comparação entre os investimentos executados e as necessidades de infraestrutura identificadas pelo setor transportador.

Segundo o Plano CNT de Transporte e Logística 2026, elaborado pela Confederação Nacional do Transporte, o Brasil possui uma carteira de 2.837 projetos que exigiriam aproximadamente R$ 2,03 trilhões para sua execução.

O levantamento reúne propostas de integração nacional e mobilidade urbana em diferentes estágios de desenvolvimento, abrangendo investimentos públicos e privados.

Em outra análise divulgada em agosto, a CNT informou que os investimentos federais em infraestrutura de transporte somaram R$ 16,67 bilhões em 2025, equivalentes a 0,13% do Produto Interno Bruto brasileiro.

Os valores reforçam a diferença de escala entre os aportes realizados e o conjunto de intervenções mapeadas para as próximas décadas.

A Infra S.A. continuará reunindo mensalmente os indicadores de transporte, permitindo acompanhar se o crescimento dos investimentos será acompanhado por maior movimentação de cargas e passageiros.

O próximo Panorama Transportes deverá acrescentar os dados de setembro à série de 2026, atualizando o desempenho dos modais e a execução dos investimentos federais.

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Carla Teles

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