Proposta orçamentária prevê redução dos investimentos federais em transporte enquanto amplia aportes totais. CNT aponta diferenças entre modais e apresenta diagnóstico sobre recursos necessários para obras prioritárias de infraestrutura e logística em todo o país
A infraestrutura de transporte terá menos recursos na proposta orçamentária federal, segundo análise da CNT. A retração contrasta com o crescimento previsto para o conjunto dos investimentos públicos da União e das estatais.
Segundo a MundoLogística, o projeto reserva R$ 16,07 bilhões ao setor, queda de 4% frente à proposta de 2026. O levantamento da Confederação Nacional do Transporte foi divulgado em 21 de outubro.
Distribuição entre os modais
O transporte aquaviário tem previsão de R$ 640,73 milhões, alta de 35,6%. Para ferrovias, estão previstos R$ 808,61 milhões, abaixo dos R$ 929,22 milhões anteriores. O transporte aéreo receberia R$ 212,61 milhões, ante R$ 279,49 milhões.
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Os investimentos públicos federais totais devem crescer 12,8%, alcançando R$ 297,60 bilhões. No transporte, R$ 14,61 bilhões estão no orçamento da União, enquanto aproximadamente R$ 1,45 bilhão corresponde às estatais.
O Ministério dos Transportes concentra R$ 13,67 bilhões, dos quais R$ 12,42 bilhões cabem ao DNIT.
Proposta ainda depende do Congresso
O texto tramita no Congresso como PLN 24/2026. Portanto, os valores representam previsões orçamentárias. Para a CNT, a discussão legislativa permite aperfeiçoar a distribuição das verbas e direcionar recursos às prioridades do setor.
Plano reúne obras para superar gargalos
O diagnóstico orçamentário se soma ao Plano CNT de Transporte e Logística 2026, apresentado em reportagem de julho. O estudo identificou 2.837 projetos prioritários e estimou investimentos necessários de R$ 2,03 trilhões.
A carteira reúne 2.509 projetos de integração nacional e 328 de mobilidade urbana. O primeiro grupo abrange rotas entre regiões brasileiras e países vizinhos. O segundo concentra intervenções para o transporte de passageiros.
As ferrovias representam R$ 1,1 trilhão da estimativa. Para rodovias, o plano aponta R$ 511,5 bilhões; para hidrovias, R$ 173,1 bilhões; e para infraestrutura portuária, R$ 125,1 bilhões. Terminais demandariam outros R$ 36,9 bilhões.
Entre as intervenções mapeadas estão 152 duplicações de rodovias. Juntas, elas abrangem quase 10,3 mil quilômetros e demandariam aproximadamente R$ 163,4 bilhões. Nas áreas portuárias, são 90 projetos, envolvendo 137 unidades e R$ 22,7 bilhões.
A seleção combina atualização de projetos anteriores, programas federais e demandas de entidades transportadoras. Foram incorporadas iniciativas do Novo PAC, do Plano Nacional de Logística 2035 e de planos setoriais.
O documento também considera problemas identificados pela Pesquisa CNT de Rodovias. A entidade defende planejamento técnico, estabilidade regulatória e ampliação das fontes de financiamento para acelerar a execução das intervenções.
