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Brasil ganha referência diária internacional de preços para importar combustível sustentável de aviação, e nova metodologia da S&P Global coloca custos do SAF no centro das decisões do setor aéreo

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Escrito por Felipe Alves da Silva Publicado em 22/10/2026 às 21:42 Atualizado em 22/10/2026 às 21:45
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Porto de Santos com navio-tanque e instalações de combustível, representando a referência de preços de importação de SAF no Brasil.
Brasil passa a contar com referência diária de preços para importação de combustível sustentável de aviação, utilizando o Porto de Santos como base de cálculo.
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Nova avaliação da Platts começou a ser publicada em 1º de outubro de 2026 e utiliza o Porto de Santos como referência para calcular o custo de entrada do combustível sustentável de aviação no mercado brasileiro, considerando preços nos Estados Unidos, frete marítimo e despesas logísticas.

O Brasil passou a contar com uma referência diária internacional de preços para a importação de combustível sustentável de aviação (SAF), em uma mudança que permite ao setor energético comparar o custo de adquirir o biocombustível no exterior com as condições econômicas de produção e comercialização no mercado nacional.

A metodologia começou a ser aplicada em 1º de outubro de 2026 pela Platts, divisão especializada em informações de preços de commodities da S&P Global Energy.

A novidade envolve a publicação de avaliações de preço de paridade de importação, conhecidas pela sigla IPP, para o SAF entregue em Santos, no litoral paulista.

Na prática, a metodologia procura estimar quanto custaria trazer ao Brasil um combustível sustentável de aviação produzido e comercializado no mercado internacional, incorporando despesas necessárias para que o produto chegue ao destino considerado.

Não se trata de uma tarifa oficial, de um preço obrigatório determinado pelo governo brasileiro ou de um anúncio de importações efetivamente contratadas.

A importância da iniciativa está em oferecer uma referência de mercado para uma cadeia de combustíveis renováveis que ainda enfrenta desafios de escala, oferta e competitividade econômica.

Porto de Santos entra no cálculo internacional do combustível sustentável de aviação

A nova avaliação da Platts adota Santos como ponto de referência para o combustível importado.

O cálculo parte dos preços de SAF negociado na região da Costa do Golfo dos Estados Unidos, onde estão localizados importantes polos de refino, armazenamento e distribuição de combustíveis.

Segundo a S&P Global Energy, a referência brasileira utiliza a média das três avaliações mais recentes publicadas para o SAF na Costa do Golfo, incluindo a avaliação do próprio dia de cálculo.

Sobre essa base são incorporados os custos necessários para representar a entrega no Porto de Santos.

Entre os componentes considerados estão frete marítimo, seguro, eventuais despesas de sobre-estadia de embarcações, perdas durante o transporte e armazenamento.

A metodologia também permite considerar diferenças de especificação do combustível e custos de importação, tarifas e tributos aplicáveis, quando pertinentes.

Isso significa que o valor calculado não corresponde simplesmente ao preço de venda do combustível nos Estados Unidos convertido para reais.

O transporte e as condições de entrega são elementos essenciais para determinar a estimativa de custo no Brasil.

A escolha de Santos é relevante porque estabelece um ponto de comparação para operações comerciais e análises de competitividade. Entretanto, ela não significa que todas as futuras importações de SAF deverão ocorrer pelo porto paulista.

Preço será publicado em dólares e reais, permitindo comparar custos de importação

A Platts estruturou a nova avaliação para apresentar informações em diferentes unidades de medida.

O preço de paridade de importação poderá ser consultado em centavos de dólar por galão, dólares por barril e reais por metro cúbico.

A existência dessas unidades permite que agentes com diferentes necessidades comerciais analisem os mesmos indicadores.

Distribuidoras e participantes do comércio internacional frequentemente utilizam referências em dólares e barris, enquanto agentes do mercado brasileiro também precisam acompanhar custos expressos em moeda nacional e unidades volumétricas usuais no país.

A metodologia considera um volume mínimo de referência de 1.000 barris e um intervalo de entrega de cinco a 25 dias à frente.

Outro detalhe importante é que as avaliações acompanham o calendário de publicação dos Estados Unidos, com referência ao fechamento de mercado das 13h30 no horário de Houston.

A metodologia não informa, por si só, quanto cada companhia aérea brasileira está efetivamente pagando pelo SAF.

Uma transação comercial poderá apresentar preço diferente em razão do volume contratado, da negociação entre as partes, das características do produto e das condições de fornecimento.

Combustível produzido a partir de óleos vegetais e resíduos será usado como referência

A nova metodologia não abrange indistintamente todos os tipos de combustível sustentável de aviação.

Segundo a S&P Global Energy, o produto considerado é o SAF produzido pela rota tecnológica HEFA, sigla em inglês para hidroprocessamento de ésteres e ácidos graxos.

Essa tecnologia permite transformar determinadas matérias-primas renováveis em componentes combustíveis adequados à utilização na aviação, desde que respeitadas as especificações e exigências de certificação.

Entre as matérias-primas contempladas estão óleos vegetais, óleos residuais, gorduras animais, sebo e materiais semelhantes.

A metodologia exclui o SAF produzido a partir de óleo de palma.

O combustível de referência precisa atender às especificações da norma ASTM D7566, particularmente às condições aplicáveis ao querosene parafínico sintético produzido pela rota HEFA-SPK.

A Platts também utiliza uma densidade de referência de 760 quilogramas por metro cúbico, medida a 15 graus Celsius.

Essas características são relevantes porque diferentes matérias-primas e processos industriais podem produzir combustíveis com custos e propriedades distintos.

Sem uma especificação técnica definida, a comparação entre preços internacionais poderia reunir produtos que não são diretamente equivalentes.

Nova referência pode ajudar a comparar importação com produção brasileira de SAF

Analistas de combustíveis avaliam gráficos de preços do SAF em escritório com tanques industriais ao fundo.
Nova referência internacional de preços do SAF permite comparar custos estimados de importação com alternativas de produção e fornecimento no mercado brasileiro. Créditos: Imagem ilustrativa criada por IA – uso editorial.

A publicação de uma avaliação diária de paridade de importação cria um parâmetro adicional para empresas interessadas em produzir, comprar ou comercializar combustível sustentável de aviação no Brasil.

Imagine uma empresa que esteja avaliando a viabilidade econômica de uma unidade nacional de SAF.

Para analisar a competitividade do investimento, ela precisa estimar o custo de produzir o combustível no Brasil e compará-lo com alternativas disponíveis no mercado internacional.

Uma referência estruturada de importação pode contribuir para esse processo.

Se o custo industrial doméstico for inferior ao custo estimado de importação, o projeto poderá apresentar uma vantagem econômica sob determinadas condições. Caso contrário, a empresa precisará examinar fatores como escala produtiva, logística, disponibilidade de matérias-primas e características comerciais do mercado.

Essa análise não é uma fórmula automática de decisão.

Preços de referência não substituem contratos, estudos de viabilidade ou avaliações regulatórias. Também não incorporam necessariamente todas as condições particulares de uma operação.

A principal mudança é a disponibilidade de um indicador capaz de tornar mais comparáveis alternativas de abastecimento que antes dependiam de estimativas menos padronizadas.

Para o setor brasileiro de biocombustíveis, isso pode ajudar a identificar em quais condições a produção nacional de SAF consegue disputar espaço com fornecedores estrangeiros.

S&P Global também criou uma avaliação para o SAF comercializado nos Estados Unidos

A novidade brasileira faz parte de uma iniciativa mais ampla da Platts.

Em 1º de outubro, a empresa também iniciou avaliações diárias de SAF na Costa do Golfo dos Estados Unidos.

Esses preços consideram combustível comercializado em pontos de carregamento como Beaumont, Port Arthur, Lake Charles e a região de Houston.

A avaliação norte-americana utiliza a condição comercial FOB, na qual o preço é estabelecido no ponto de embarque, conforme as condições aplicáveis.

A Platts publica tanto uma avaliação direta do combustível quanto um prêmio em relação a uma referência de querosene de aviação convencional.

No caso brasileiro, a metodologia também permite analisar o SAF como prêmio em relação ao preço de paridade de importação do Jet A-1 em Santos.

Essa diferença é especialmente relevante para compreender a competitividade dos combustíveis renováveis.

O prêmio indica quanto o SAF custa acima da referência convencional utilizada na comparação. Ele não equivale, necessariamente, ao valor adicional que todas as companhias aéreas terão de pagar em suas compras.

Ao reunir referências nos dois mercados, a metodologia estabelece uma ligação entre o preço de origem nos Estados Unidos e o custo estimado de entrega no Brasil.

Lançamento da referência não significa combustível mais barato nem importações garantidas

A criação do indicador ocorre em meio ao desenvolvimento de iniciativas de descarbonização da aviação na América Latina.

A própria S&P Global Energy relacionou o lançamento ao crescimento da oferta e da atividade comercial de SAF na Costa do Golfo dos Estados Unidos, assim como à evolução das políticas voltadas à adoção do combustível na região latino-americana.

O novo indicador, entretanto, não altera automaticamente o preço do querosene utilizado pelas companhias aéreas brasileiras.

Também não estabelece obrigações de mistura, metas de consumo ou autorização regulatória para operações específicas.

Seu papel é fornecer uma avaliação econômica baseada em uma metodologia publicada.

Isso pode parecer uma mudança essencialmente técnica, mas tem consequências importantes para um mercado em formação.

Antes de decidir onde construir instalações industriais, como estruturar contratos de fornecimento ou de qual mercado adquirir combustível, investidores e compradores precisam compreender a relação entre preço internacional e custo de entrega.

A nova avaliação procura oferecer exatamente esse ponto de comparação.

Próxima etapa será observar como o indicador será utilizado pelo mercado brasileiro

Com a metodologia já em vigor desde 1º de outubro de 2026, a questão passa a ser como empresas, distribuidoras, produtores e agentes do setor aéreo utilizarão essas informações nas decisões comerciais.

A S&P Global Energy não divulgou, no comunicado de lançamento, valores específicos de contratos brasileiros fechados com base na nova avaliação, tampouco anunciou volumes de SAF importados em decorrência da iniciativa.

O documento também não estabelece uma previsão de queda dos preços do combustível sustentável.

O que está confirmado é a existência de uma nova referência diária para estimar o preço de importação de SAF da rota HEFA com entrega em Santos.

Seu efeito sobre o mercado dependerá da evolução das negociações, da oferta internacional, dos custos logísticos e da capacidade de produção de combustível sustentável de aviação no Brasil.

Para uma indústria que busca ganhar escala, a mudança representa uma ferramenta adicional para responder a uma pergunta decisiva: quanto custa trazer SAF do exterior e em quais condições produzir esse combustível no Brasil poderá ser competitivo?

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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