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Após produção despencar para menos de 7 milhões de barris por dia, Saudi Aramco busca países parceiros para armazenar petróleo no exterior e escapar de novas crises

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 22/10/2026 às 12:42 Atualizado em 22/10/2026 às 12:50
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Saudi Aramco busca ampliar estoques de petróleo fora da Arábia Saudita
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Saudi Aramco busca ampliar estoques de petróleo fora da Arábia Saudita após queda na produção e prepara oleoduto capaz de transportar 10 milhões de barris por dia.

A maior petroleira da Arábia Saudita começou a procurar países interessados em armazenar grandes volumes de seu petróleo depois que a guerra no Oriente Médio provocou uma queda expressiva na produção e colocou em risco as principais rotas de exportação do mundo. Segundo a Reuters, em reportagem publicada nesta quinta-feira, 22 de outubro de 2026, a Saudi Aramco pretende ampliar seus estoques estratégicos no exterior e estudar novos caminhos para transportar petróleo sem depender exclusivamente de passagens marítimas ameaçadas pelo conflito.

Durante os primeiros seis meses da guerra, a produção saudita caiu de mais de 10 milhões para menos de 7 milhões de barris diários. Agora, a companhia prepara uma reorganização logística que inclui depósitos internacionais, ampliação de oleodutos e sistemas de resposta rápida a ataques contra instalações petrolíferas.

Produção saudita caiu abaixo de 7 milhões de barris por dia durante a guerra

A interrupção das rotas de transporte atingiu diretamente a capacidade da Arábia Saudita de colocar petróleo no mercado internacional.

Antes do conflito, o país produzia mais de 10 milhões de barris por dia. Durante grande parte dos primeiros seis meses da guerra, esse volume ficou abaixo de 7 milhões.

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Os números foram apresentados pela Agência Internacional de Energia e citados pela Reuters.

A queda não ocorreu porque as reservas subterrâneas desapareceram. O problema envolveu ataques, dificuldades de transporte e limitações para escoar o petróleo produzido.

Mesmo com capacidade de extração disponível, a Aramco precisava encontrar caminhos seguros para entregar as cargas aos compradores.

Produção começou a se recuperar e alcançou aproximadamente 8 milhões de barris diários

Em setembro, a produção saudita já havia retornado para aproximadamente 8 milhões de barris por dia. A recuperação ocorreu depois de medidas destinadas a restaurar instalações e reorganizar parte das operações afetadas.

Ainda assim, esse volume permanecia abaixo dos mais de 10 milhões de barris diários registrados antes da guerra.

Amin Nasser, presidente e diretor-executivo da Aramco, afirmou que a empresa aprimorou seus mecanismos de resposta a incidentes.

As equipes passaram a trabalhar com maior capacidade de identificar danos, organizar reparos e restabelecer operações.

A companhia também começou a estudar como evitar que novas interrupções atinjam simultaneamente a produção e o transporte.

Saudi Aramco quer dobrar seus estoques internacionais de petróleo

Uma das principais medidas envolve manter petróleo armazenado mais perto dos compradores internacionais. A Aramco pretende negociar parcerias com outros países para ampliar os depósitos estratégicos fora da Arábia Saudita.

Segundo informações divulgadas após entrevista de Amin Nasser à Al Arabiya Business, a companhia trabalha para dobrar sua capacidade de armazenamento internacional.

A Ásia, principal mercado consumidor do petróleo saudita, aparece como uma das regiões prioritárias.

O objetivo é manter volumes disponíveis para abastecer clientes durante interrupções temporárias das exportações.

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A empresa ainda não divulgou quais países participarão dos novos acordos, o investimento necessário ou a capacidade adicional em barris. Portanto, a ampliação permanece em fase de planejamento e negociação.

Demanda mundial poderá crescer 3 milhões de barris por dia depois da crise

Nasser também apresentou uma projeção sobre o consumo mundial de petróleo após uma possível normalização da situação regional.

Segundo o executivo, a demanda poderá aumentar aproximadamente 3 milhões de barris diários. Desse total, 2 milhões estariam relacionados à recuperação e ao crescimento do consumo, enquanto outro milhão seria necessário para recompor estoques utilizados durante o conflito.

Essa última parcela corresponde ao petróleo que governos e empresas precisariam comprar para devolver suas reservas a níveis considerados adequados.

O aumento é uma estimativa apresentada pela Aramco, não um crescimento já registrado.

A velocidade dessa recuperação dependerá da situação militar, da retomada do transporte e das condições econômicas dos países consumidores.

Guerra retirou aproximadamente 3 bilhões de barris da oferta mundial prevista

A dimensão das interrupções aparece em outro levantamento divulgado pela Aramco. Durante discurso realizado em Londres, em 5 de outubro, Amin Nasser estimou que quase 3 bilhões de barris deixaram de chegar ao mercado conforme os fluxos previstos desde o começo da crise.

O volume representa uma perda acumulada de oferta, não a destruição física dessa quantidade de petróleo.

Parte do impacto foi compensada por retiradas de estoques comerciais e reservas utilizadas em situações de emergência.

Segundo a companhia, mais de um bilhão de barris foi mobilizado a partir dessas reservas.

Os volumes armazenados ajudaram a manter refinarias abastecidas e reduziram a falta de combustível em determinados mercados. Mas os depósitos precisam ser recompostos posteriormente.

Estoques comerciais caíram para menos de 6 bilhões de barris disponíveis no sistema

A Aramco também alertou para a redução da quantidade de petróleo mantida em instalações comerciais terrestres.

Segundo Nasser, esses estoques ficaram abaixo de 6 bilhões de barris em outubro. Uma parte significativa desse volume não pode ser retirada imediatamente, pois permanece necessária para o funcionamento de terminais, oleodutos e outras instalações.

O executivo estimou que a recomposição das reservas mundiais poderá levar até dois anos, mesmo depois da normalização das exportações.

Nesse período, governos e refinarias poderão disputar volumes adicionais para abastecer depósitos esvaziados durante a guerra.

Essa necessidade ajuda a explicar o interesse da petroleira saudita em aumentar seus próprios estoques fora do país.

Oleoduto de 7 milhões de barris diários poderá ser ampliado para transportar 10 milhões

Além dos depósitos internacionais, a Aramco trabalha em uma possível expansão de sua infraestrutura de transporte. O principal projeto envolve o oleoduto Leste-Oeste, conhecido como East-West Pipeline.

A estrutura conecta áreas produtoras no leste da Arábia Saudita ao porto de Yanbu, localizado no Mar Vermelho. Atualmente, sua capacidade é de aproximadamente 7 milhões de barris por dia.

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A companhia estuda elevar esse limite para 10 milhões de barris diários, aumentando em cerca de 43% a capacidade nominal de transporte.

O projeto ainda depende das etapas de engenharia e execução.

Não foram informados o investimento previsto nem a data de conclusão da eventual ampliação.

Porto de Yanbu tornou-se uma alternativa para escapar do Estreito de Ormuz

Durante a crise, o oleoduto Leste-Oeste permitiu transportar petróleo produzido na região oriental da Arábia Saudita até a costa do Mar Vermelho.

A partir de Yanbu, as cargas podem ser colocadas em navios sem atravessar o Estreito de Ormuz, passagem que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico.

Essa rota ganhou importância depois que o conflito prejudicou a circulação de petroleiros na região. Porém, os navios que deixam Yanbu também enfrentam riscos em outras passagens marítimas.

As cargas podem seguir em direção ao Canal de Suez ou ao Estreito de Bab el-Mandeb, dependendo do destino. A guerra mostrou que transferir o petróleo para outra costa não elimina todos os problemas de segurança.

Empresa estuda novos caminhos para reduzir dependência de três passagens marítimas

Na entrevista divulgada em 22 de outubro, Amin Nasser confirmou que a Aramco analisa rotas alternativas ao Estreito de Ormuz, Bab el-Mandeb e Canal de Suez.

A companhia pretende ampliar suas opções de transporte para continuar atendendo clientes durante possíveis bloqueios.

Entre as estruturas existentes está também a ligação com o terminal de Sidi Kerir, no Egito, que permite o envio de petróleo ao Mediterrâneo.

Os estudos poderão envolver diferentes soluções de transporte e armazenamento, dependendo dos acordos comerciais e das condições de segurança.

Indústria mundial continua exposta a interrupções no transporte de petróleo

A dificuldade de escoar petróleo não afeta apenas as refinarias. O combustível também está presente nas cadeias de transporte, fabricação de fertilizantes, produção petroquímica e movimentação de mercadorias.

Quando as rotas marítimas ficam ameaçadas, transportadoras precisam considerar custos adicionais de segurança e seguros.

Refinarias também podem buscar fornecedores alternativos para evitar interrupções.

Essas mudanças influenciam a negociação internacional de cargas, especialmente nos mercados que dependem de petróleo importado.

Para países como o Brasil, a preocupação envolve principalmente a volatilidade das cotações internacionais e seus possíveis efeitos sobre o mercado de combustíveis.

Até o momento, porém, a nova estratégia de armazenamento da Aramco não possui impacto específico quantificado sobre os preços praticados no Brasil.

Novos depósitos e oleodutos ainda dependem de acordos e investimentos

A Aramco pretende continuar as negociações para ampliar seus estoques internacionais enquanto desenvolve estudos sobre novas rotas de exportação.

A empresa também precisa avaliar como distribuir o petróleo entre seus terminais, os compradores estrangeiros e as instalações de armazenamento.

A ampliação do oleoduto Leste-Oeste para 10 milhões de barris diários permanece como objetivo industrial.

Já os possíveis depósitos em outros países dependem de parcerias ainda não detalhadas publicamente. Em setembro, a produção saudita havia se recuperado para aproximadamente 8 milhões de barris por dia, mas permanecia abaixo dos níveis anteriores ao conflito.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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