Geotubos instalados no fundo do mar em Kerala tentam conter a erosão em Poonthura, onde ondas fortes, comunidades pesqueiras e atrasos na obra expõem os desafios da proteção costeira.
No litoral de Poonthura, no estado indiano de Kerala, tubos gigantes de tecido preenchidos com areia foram instalados no fundo do mar para formar uma espécie de barreira submersa contra a força das ondas.
Essas estruturas, chamadas de geotubos, ficam a cerca de seis metros de profundidade e foram posicionadas entre 80 e 120 metros da faixa de areia, em um trecho costeiro atingido pela erosão.
A barreira é considerada “invisível” porque não aparece como um paredão acima da praia.
-
Austrália espalha salsichas envenenadas pelo deserto e usa armadilhas, tiros e cercas para travar guerra contra gatos invasores que matam mais de 1,5 bilhão de animais nativos por ano, ameaçam mais de 200 espécies e transformam isca de carne em arma extrema de conservação
-
A cidade de pedra que alimentava 30 mil pessoas no meio do deserto, escondia 800 monumentos esculpidos na rocha e ainda faz a ciência moderna tentar entender como os nabateus dominaram a água há 2 mil anos
-
Ele desapareceu junto com os dinossauros… até reaparecer vivo e deixar a ciência completamente intrigada
-
A China lançou o robô humanoide mais parecido com um ser humano já vendido ao público, com pele de silicone, 88 articulações e preço que parte de 119.800 yuans, cerca de US$ 17.600
Ela atua debaixo d’água, reduzindo a energia das ondas antes que elas cheguem à costa e ajudando a criar condições para o acúmulo gradual de areia.
O projeto de quebra-mar submerso em Poonthura passou a ser tratado como operacional em 2026, depois de atrasos provocados por falta de material, restrições de importação e condições desfavoráveis no mar.
A obra, estimada em 20 crore de rúpias, foi planejada para proteger um trecho vulnerável da costa da capital estadual, Thiruvananthapuram, e diminuir o impacto das ondas sobre comunidades litorâneas.
Geotubos formam barreira submersa contra a erosão
A intervenção é conduzida pela Kerala State Coastal Area Development Corporation, conhecida pela sigla KSCADC, com apoio técnico do National Institute of Ocean Technology, o NIOT, e financiamento do Kerala Infrastructure Investment Fund Board, o KIIFB.
O projeto foi apresentado pelo governo estadual como alternativa a estruturas costeiras tradicionais, como barreiras de rochas, que já haviam sido associadas a preocupações ambientais e operacionais na região.
O cronograma inicial previa a conclusão até março de 2025, mas o prazo foi revisto para abril de 2026 após uma paralisação iniciada em 07 de maio de 2025.
Segundo informações publicadas pelo Times of India, o principal entrave foi a escassez de geotubos sob medida, material necessário para a continuidade da instalação offshore.

Falta de material travou avanço da obra no mar
A falta de insumos ocorreu depois da exclusão de uma fornecedora chinesa.
A empresa havia fornecido geotubos customizados com autorização especial do governo central da Índia, mas a orientação de compras vinculada à política “Make in India” levou a KSCADC a buscar materiais apenas com empresas indianas.
Com isso, remessas chinesas foram barradas pela alfândega, ainda de acordo com o relato publicado pelo jornal indiano.
Como a obra depende de peças com especificações técnicas próprias, a troca de fornecedor não ocorreu de forma imediata.
Em uma primeira etapa, a KSCADC informou que procurava empresas em Mumbai capazes de produzir materiais compatíveis com os geotubos usados nos trechos já instalados.
Depois, segundo atualizações divulgadas pela imprensa local, a retomada do fornecimento passou a envolver uma empresa de Gujarat para atender à parte restante do projeto.
Como funcionam os tubos gigantes de areia
Os geotubos são grandes estruturas de tecido preenchidas com areia e instaladas no fundo do mar.
Em Poonthura, eles foram posicionados paralelamente à costa, a uma distância aproximada de 80 a 120 metros da margem e a cerca de seis metros de profundidade.
A função técnica do sistema é reduzir a força das ondas antes que elas cheguem à praia e favorecer o acúmulo de areia ao longo da faixa costeira.
O desenho original citado pela KSCADC previa tubos de 20, 16 e 12 metros de comprimento, com circunferência de 15 metros, distribuídos em camadas no leito marinho.
Em descrições posteriores do projeto, a estrutura passou a ser apresentada como um conjunto de segmentos paralelos de quebra-mar submerso, instalados ao longo de uma faixa da costa de Poonthura e áreas próximas.
Estrutura protege trechos vulneráveis de Kerala
A área inicialmente informada ia da Igreja de Poonthura até Cheriya Muttam, com plano mais amplo de extensão em direção a Shangumukham.
Atualizações posteriores indicaram que a estrutura também passou a ser relacionada à proteção de trechos próximos a Valiyathura, Beemapally e Shankhumukham, dentro da política estadual para áreas atingidas pela erosão costeira em Thiruvananthapuram.
O projeto começou em fevereiro de 2022, após a obtenção das autorizações necessárias, e foi executado em parceria com a DVP GCC Joint Ventures, sediada em Mumbai.
A obra passou a ser acompanhada como experiência-piloto para avaliar o uso de geotubos na proteção de áreas costeiras sujeitas à ação das ondas e à perda progressiva de areia.
Os atrasos, no entanto, já apareciam antes da paralisação de 2025.
Em 2023, o projeto enfrentava problemas de fornecimento e restrições ligadas à aproximação da monção, período em que as condições do mar dificultam atividades offshore.
A combinação entre limitação logística, dependência de material específico e janelas curtas de operação contribuiu para a revisão do calendário.
KSCADC atribuiu interrupção a material e mar agitado
Segundo um funcionário da KSCADC ouvido pelo Times of India, dois segmentos instalados a cerca de 100 metros da costa haviam sido concluídos como parte da iniciativa-piloto.
O terceiro segmento, por sua vez, estava 50% finalizado quando os trabalhos foram interrompidos por falta de material e pelas condições imprevisíveis do mar.
O mesmo funcionário afirmou que o órgão buscava fornecedores capazes de reproduzir as especificações usadas nas etapas anteriores.
Ele também disse que, com o mar agitado, as atividades ficavam limitadas principalmente ao período da manhã, o que reduzia o ritmo de instalação.
A conclusão, naquele momento, passou a ser projetada para abril de 2026.
A execução em alto-mar impôs restrições que não se aplicam a obras terrestres convencionais.
Mesmo com equipes mobilizadas, a instalação dos geotubos dependia de mar mais estável, visibilidade operacional e disponibilidade de equipamentos adequados para posicionar as estruturas no fundo oceânico.
Por isso, o avanço físico da obra variou conforme a estação e as condições meteorológicas.
Obra passou a ser tratada como operacional em 2026
Em abril de 2026, a obra passou a ser descrita como operacional por publicações locais, após a conclusão da instalação dos geotubos no mês anterior.
Uma inspeção técnica do NIOT foi prevista para 25 de abril de 2026, com relatório final esperado para 15 de maio do mesmo ano.
A avaliação deveria considerar, entre outros pontos, o comportamento da barreira durante o período de monções.
O acompanhamento durante a monção do sudoeste é relevante porque esse período costuma aumentar a pressão das ondas sobre o litoral de Kerala.
Para técnicos e autoridades envolvidos no projeto, o desempenho nessa fase ajuda a indicar se o sistema consegue reduzir a erosão no trecho protegido e se a tecnologia pode ser replicada em outras áreas costeiras do estado.
Poonthura é uma região ocupada por comunidades pesqueiras e aparece com frequência em discussões sobre erosão costeira em Kerala.
Moradores e pescadores locais já haviam questionado a eficácia do sistema após ressacas e ondas fortes, cobrando soluções capazes de proteger casas, embarcações e estruturas comunitárias situadas perto do mar.
Comunidades pesqueiras acompanham efeito da barreira
As críticas de pescadores mostram que a obra também envolve uma dimensão social.
Além do resultado técnico, o projeto precisa ser observado pela forma como afeta a rotina de quem vive da pesca e ocupa áreas mais expostas à ação do oceano.
A avaliação do sistema, portanto, não depende apenas da conclusão física da instalação, mas também dos efeitos percebidos nas comunidades costeiras ao longo do tempo.
Autoridades estaduais e representantes da KSCADC, por outro lado, têm apresentado os geotubos como uma solução com menor impacto ambiental em comparação a algumas barreiras convencionais.
Essa avaliação é atribuída ao órgão responsável pelo projeto, que apontou a tecnologia como mais adequada para reduzir danos ao ambiente marinho e evitar o uso intensivo de rochas em estruturas costeiras.
A primeira fase foi divulgada pela KSCADC, em fevereiro de 2025, como bem-sucedida.
Na ocasião, o órgão informou que 400 metros de um total planejado de 750 metros haviam sido concluídos.
A corporação também afirmou que o sistema poderia contribuir para o controle da erosão e representar uma alternativa de custo mais baixo em relação a outros métodos de proteção litorânea.
Monitoramento deve medir efeito contra a erosão
Ainda assim, a efetividade do quebra-mar submerso depende de monitoramento contínuo.
A instalação dos geotubos é uma etapa importante do projeto, mas os resultados precisam ser medidos em diferentes condições de mar, especialmente durante meses de maior instabilidade.
Esse acompanhamento deve indicar se a estrutura reduz a força das ondas e se favorece a recomposição da faixa de areia no trecho protegido.
A experiência de Poonthura também tem sido observada dentro de um debate mais amplo sobre obras costeiras em Kerala.
O estado enfrenta erosão em diferentes pontos do litoral, e governos locais buscam soluções que combinem proteção de comunidades, viabilidade técnica e impacto ambiental controlado.
Nesse contexto, o projeto financiado pelo KIIFB funciona como uma referência para avaliar alternativas a estruturas mais rígidas.
A retomada após os entraves de fornecimento mostra que o cronograma da obra esteve diretamente ligado à disponibilidade de material compatível e às regras de aquisição determinadas pelo governo central da Índia.
A exclusão da fornecedora chinesa, a busca por fabricantes indianos e a necessidade de manter as especificações técnicas explicam parte da demora registrada entre a fase piloto e a etapa final de instalação.
No trecho costeiro atendido pelo projeto, a principal expectativa é que a barreira submersa reduza o impacto das ondas antes que elas cheguem à praia.
Para a população local, porém, a avaliação concreta depende dos efeitos sobre a erosão, a segurança das moradias e as condições de trabalho dos pescadores.
O desempenho do sistema durante períodos de mar mais forte deve orientar as próximas decisões do governo estadual sobre a ampliação da tecnologia.
Em uma região onde o avanço do mar afeta rotas de pesca, moradias e estruturas públicas, o projeto de Poonthura passou a ser acompanhado como teste para políticas de proteção costeira em Kerala.
O resultado técnico das próximas avaliações deve indicar se os geotubos instalados no fundo do mar conseguem cumprir a função prevista e se a solução será considerada para outros trechos vulneráveis do litoral.

