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Impactos reais do Curtailment no Rio Grande do Norte: entenda o prejuízo bilionário que pode alterar investimentos e a economia local em 2025

Escrito por Hilton Libório
Publicado em 23/02/2026 às 08:54
Atualizado em 23/02/2026 às 08:57
Placa amarela com a palavra “Curtailment” em frente a usina com painéis solares e turbinas eólicas sob céu nublado e cenário levemente enferrujado.
Impactos reais do Curtailment no Rio Grande do Norte: entenda o prejuízo bilionário que pode alterar investimentos e a economia local em 2025
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O avanço do curtailment no Rio Grande do Norte já acumula um prejuízo bilionário em 2025 e acende alerta para investidores e gestores públicos. Entenda como os cortes na energia renovável impactam contratos, transmissão e o futuro econômico do estado.

O avanço do curtailment em 2025 colocou o Rio Grande do Norte no topo do ranking nacional de perdas financeiras entre os estados mais afetados pelos cortes de geração de energia renovável. Segundo dados da consultoria Volt Robotics, o estado acumulou um prejuízo bilionário estimado em R$ 2.243.123.173 considerando valores contratuais de venda de energia. Quando o cálculo é feito com base no PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), o impacto chega a R$ 1.880.766.619.

Conforme matéria divulgada pela Tribuna do Norte no dia 21 de fevereiro, o cenário reflete um problema estrutural do setor elétrico brasileiro. Em todo o país, os cortes somaram 35.302.923 MWh em 2025, gerando impacto financeiro de R$ 6.533.012.167 por contrato e R$ 4.671.321.590 pelo PLD. O valor nacional é 195% superior ao registrado em 2024, quando o impacto havia sido de R$ 2,2 bilhões. No caso potiguar, a combinação entre alta concentração de usinas e gargalos de transmissão fez do estado o principal símbolo dos efeitos econômicos do curtailment no Brasil.

Curtailment no Rio Grande do Norte: liderança em perdas e cortes proporcionais elevados

O Rio Grande do Norte registrou 11.268.033 MWh de energia cortada em 2025. Proporcionalmente à sua capacidade instalada, o estado perdeu 24% da geração potencial de parques eólicos e usinas fotovoltaicas.

Isso significa que, a cada 100 MWh que poderiam ser gerados, apenas 86 MWh foram efetivamente entregues ao sistema. Em termos proporcionais, o RN foi o terceiro estado com maior índice de cortes, atrás de Minas Gerais (27,4%) e Ceará (25,8%).

No ranking de prejuízos por contrato em 2025, os números foram:

  • Rio Grande do Norte: R$ 2.243.123.173
  • Bahia: R$ 1.759.893.080
  • Ceará: R$ 849.735.232
  • Minas Gerais: R$ 778.174.095
  • Piauí: R$ 504.602.495
  • Pernambuco: R$ 167.772.352
  • Paraíba: R$ 84.051.464
  • Rio Grande do Sul: R$ 57.816.619
  • São Paulo: R$ 49.330.083
  • Maranhão: R$ 36.354.637
  • Santa Catarina: R$ 2.158.936

O total nacional atingiu R$ 6.533.012.167.

O que explica o avanço do curtailment na matriz de energia renovável?

O curtailment é determinado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e ocorre principalmente quando há excesso de oferta de energia ou limitações nas linhas de transmissão.

Em sistemas com alta participação de energia renovável, como o brasileiro, a geração depende de fatores climáticos. Quando há ventos intensos e alta incidência solar simultaneamente em diferentes regiões, o volume produzido pode superar a capacidade de escoamento.

O ONS classifica o fenômeno como medida técnica necessária para preservar a segurança e a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional. No entanto, especialistas avaliam que o crescimento acelerado das renováveis não foi acompanhado pela expansão proporcional da infraestrutura de transmissão.

Em 2025, o sistema elétrico brasileiro saltou de 1 para 16 dias de operação em limite crítico de segurança por excesso de oferta, o que ampliou a necessidade de cortes.

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Energia renovável no RN: concentração e vulnerabilidade estrutural

O Rio Grande do Norte consolidou-se como um dos maiores polos de energia renovável do país. Segundo boletim da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado, o RN possui:

  • 10,6 GW de capacidade instalada em energia eólica;
  • 1,5 GW de capacidade instalada em energia solar;
  • Juntas somam 97,61% da capacidade em operação concentrada nessas duas fontes.

Dos 11.268.033 MWh cortados no estado em 2025, 10,45 milhões de MWh (92,79%) foram da fonte eólica, enquanto 0,81 milhão de MWh (7,21%) foram da fonte solar fotovoltaica.

O RN liderou os cortes na fonte eólica e ficou em quarto lugar nos cortes de energia solar no país. Essa concentração, que impulsionou o desenvolvimento regional na última década, também aumentou a exposição ao risco do curtailment.

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Como o prejuízo bilionário é calculado e por que os valores diferem

A Volt Robotics utiliza duas metodologias principais para estimar o impacto financeiro do curtailment. O primeiro cálculo considera os contratos firmados entre geradores e compradores. Nesse modelo, o prejuízo bilionário reflete o valor que o empreendedor deixou de faturar ao não conseguir entregar a energia contratada.

O segundo método utiliza o PLD, que representa o preço de curto prazo do mercado. Em períodos de sobra de energia, o PLD tende a cair, reduzindo o valor da perda estimada.

No ranking valorado pelo PLD, os números de 2025 foram:

  • Rio Grande do Norte: R$ 1.880.766.619
  • Bahia: R$ 1.091.464.548
  • Minas Gerais: R$ 677.834.251
  • Ceará: R$ 412.665.372
  • Piauí: R$ 349.400.667
  • Pernambuco: R$ 122.467.885
  • Paraíba: R$ 68.148.001
  • São Paulo: R$ 27.331.734
  • Rio Grande do Sul: R$ 22.238.251
  • Maranhão: R$ 16.845.197
  • Santa Catarina: R$ 2.159.065

O total nacional pelo PLD atingiu R$ 4.671.321.590.

Riscos regulatórios e impactos sobre novos investimentos

O avanço do curtailment elevou o debate regulatório em 2025. A Agência Nacional de Energia Elétrica promoveu discussões que resultaram na Lei nº 15.269/2025, a qual prevê mecanismos de ressarcimento por cortes de geração.

Entidades como a Associação Brasileira de Energia Eólica apontam que os cortes decorrem de gargalos de transmissão e da inserção acelerada de micro e minigeração distribuída.

Já a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica afirma que empreendedores de energia renovável estão sendo impedidos de entregar energia limpa e competitiva, ao mesmo tempo em que arcam com custos sistêmicos.

Para o Rio Grande do Norte, onde a expansão da geração foi motor de crescimento econômico, o cenário pode reduzir a atratividade de novos projetos, aumentar a percepção de risco e encarecer financiamentos.

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Infraestrutura, armazenamento e o desafio da energia renovável até 2030

Leilões anunciados em 2025 preveem ampliação das linhas de transmissão no Rio Grande do Norte, mas obras estruturantes demandam anos para conclusão. Estimativas apontam que parte relevante dessas melhorias pode entrar em operação apenas por volta de 2030.

Uma das alternativas discutidas é o armazenamento de energia por baterias. A Absolar defende investimentos em sistemas BESS e integração com grandes cargas, como data centers e plantas de hidrogênio verde.

Há previsão de leilão de reserva de capacidade para baterias no primeiro semestre de 2026. A expectativa é que o excedente de energia renovável possa ser armazenado nos momentos de baixa demanda e liberado em horários de pico, reduzindo o volume de curtailment. Enquanto essas soluções não se concretizam, o estado segue convivendo com um cenário de excesso estrutural de oferta e limitação de escoamento.

O que está em jogo para a economia do Rio Grande do Norte

O impacto do curtailment vai além dos balanços das geradoras. A cadeia produtiva da energia renovável movimenta empregos, serviços especializados, arrecadação tributária e investimentos estrangeiros.

Com 24% da geração potencial cortada em 2025 e mais de R$ 2,24 bilhões em perdas contratuais, o prejuízo bilionário pode influenciar decisões estratégicas nos próximos leilões e novos empreendimentos.

Se por um lado o RN mantém liderança em capacidade instalada, por outro enfrenta o desafio de garantir que a energia produzida seja efetivamente escoada e comercializada.

A trajetória futura dependerá da expansão da transmissão, da regulamentação definitiva dos mecanismos de compensação e da adoção de soluções de armazenamento em escala. O debate sobre curtailment deixou de ser técnico e passou a ter peso central na estratégia econômica do Rio Grande do Norte, com reflexos diretos sobre a consolidação da energia renovável como pilar do desenvolvimento estadual.

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Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas. Contato e sugestões de pauta: hiltonliborio44@gmail.com

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