Uma descoberta feita por acaso em uma antiga fazenda de Sérgio Reis virou uma história curiosa envolvendo ouro, uma barragem, um funcionário de confiança e um terreno que acabou desaparecendo sob as águas.
Imagine cavar o chão de uma fazenda apenas para marcar a divisa com o vizinho e, no meio da terra retirada, perceber que algo diferente começou a aparecer.
Segundo Sérgio Reis, foi mais ou menos assim que uma obra simples terminou em uma das histórias mais curiosas de sua passagem pelo campo: a descoberta de ouro na Fazenda São Bento, propriedade que o cantor mantinha em Cuiabá, no Mato Grosso.
O episódio não é novo, mas voltou a circular em 2026 após novas publicações recuperarem uma entrevista concedida pelo artista ao podcast Inteligência Ltda.
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Em maio, o Agro em Campo, do iG, retomou o relato; em agosto, a história também voltou a ser publicada pela revista Caras.
O detalhe que mantém o caso curioso é o destino do terreno.
O ouro apareceu justamente em uma área que estava prestes a ser coberta por água.
Em vez de transformar o lugar em uma operação de mineração, Sérgio Reis contou que retirou parte do material, entregou uma quantidade a um funcionário e seguiu com a construção da barragem.
O restante, segundo ele, acabou debaixo do lago formado na propriedade.
Tudo começou com a ideia de construir um lago
A descoberta não aconteceu durante uma busca planejada por metais preciosos.
No relato apresentado pelo cantor, um vizinho queria aproveitar a água de uma cachoeira e construir uma barragem na região de divisa entre as propriedades.
O plano era formar um grande lago que pudesse ser usado para lazer, pesca e navegação.
Havia ainda uma vantagem para Sérgio Reis.
Com o represamento, parte da água também poderia chegar às áreas de pastagem de sua fazenda.
O vizinho se dispôs a fornecer máquinas e realizar o serviço, sem que o cantor tivesse de arcar com os equipamentos usados na obra.
“Ele falou assim: ‘Sérgio, eu coloco os tratores e vamos fazer uma barragem, aqui vai encher de água. A gente desvia uma parte da cachoeira, não precisa ser muita, e isso vai alagar, vai ficar um lago enorme. Eu quero pescar, andar de barco e andar de jet ski’”, contou o artista ao recordar a proposta.
A negociação estava encaminhada, mas havia um detalhe prático a resolver antes de a água cobrir o terreno.
Se a área ficasse submersa, como saber exatamente onde terminava uma propriedade e começava a outra?
A tentativa de marcar a divisa revelou ouro no solo
Para evitar uma possível dúvida futura, Sérgio Reis decidiu demarcar a fronteira antes da formação do lago.
A ideia era fincar pedaços resistentes de madeira no chão, criando referências que permaneceriam no local mesmo depois do alagamento.
Foi durante essa escavação que o roteiro mudou.
Enquanto o solo era aberto para colocar as marcações, o cantor afirma que o grupo encontrou ouro.
Segundo a narrativa recuperada pela Caras, a descoberta aconteceu justamente quando trabalhadores preparavam a divisa que posteriormente ficaria debaixo d’água.
“Vamos marcar embaixo, pegar uns paus de aroeira e marcar onde é a nossa divisa, fincar os paus e jogar água. Se um dia estourar, nós sabemos onde é a nossa fronteira. Estamos cavando e achamos ouro. E agora?”, relatou Sérgio Reis.
A situação trazia uma escolha inesperada.
A obra poderia continuar como planejado ou o achado poderia levar a uma tentativa de investigar melhor o que existia no subsolo.
De acordo com o cantor, um funcionário envolvido no trabalho recomendou discrição, por receio de que a notícia atraísse pessoas interessadas no ouro e criasse problemas para a propriedade.
Uma pepita de ouro foi levada a uma joalheria
Antes de simplesmente cobrir o local com água, Sérgio Reis decidiu verificar o material que havia aparecido.
Ele contou que levou uma das pepitas até uma joalheria para descobrir se aquilo realmente tinha valor.
Segundo a versão apresentada pelo próprio artista, recebeu a informação de que a amostra correspondia a ouro 18 quilates.
Esse dado aparece como parte do relato pessoal de Sérgio Reis e não como resultado de um laudo geológico ou de uma análise técnica tornada pública.
O cantor também afirmou que ele e Luiz Carlos Tencati, conhecido como Luizinho e citado como ex-gerente de suas fazendas, chegaram a colocar pepitas em dois baldes.
Parte do ouro virou presente para Luizinho
O episódio ganhou outro rumo quando o cantor decidiu dividir parte do material encontrado.
Sérgio Reis relatou que entregou ouro a Luizinho, funcionário de longa data ligado à administração de suas propriedades.
A quantidade mencionada pelo próprio cantor varia dentro do relato entre “dois ou três quilos”.
Ele afirmou que orientou o funcionário a vender o material para comprar uma casa.
“Ele comprou dois ou três terrenos, construiu uma bela casa, dei de presente para ele. Depois cobrimos com a água da cachoeira, e o ouro ficou lá embaixo”, contou Sérgio, em trecho reproduzido pelo Agro em Campo.
A Caras também reproduziu uma versão semelhante da declaração, na qual o artista diz ter dado “dois ou três quilos de ouro” a Luizinho.
O que aconteceu com todo o restante do material existente no subsolo não foi determinado por levantamento técnico divulgado publicamente.
Na versão do cantor, a decisão foi simplesmente manter o plano original.
A barragem foi concluída, a água ocupou a área e o ponto onde as pepitas haviam aparecido ficou submerso.
Encontrar ouro em uma fazenda não garante direito de exploração
A história também esconde uma curiosidade jurídica que nem sempre é conhecida por quem possui uma propriedade rural.
No Brasil, ter uma fazenda não significa ser automaticamente dono dos recursos minerais existentes no subsolo.
A Constituição estabelece que jazidas e demais recursos minerais são propriedades distintas do solo e pertencem à União para fins de exploração e aproveitamento.
A pesquisa e a lavra dependem de autorização ou concessão, conforme as regras aplicáveis ao setor.
A Agência Nacional de Mineração informa ainda que uma pesquisa mineral destinada a avaliar uma possível jazida precisa de autorização do órgão.
Esse trabalho pode envolver levantamentos geológicos, sondagens, coleta de amostras e análises capazes de determinar características e eventual viabilidade econômica do depósito.
Esse contexto é importante porque encontrar algumas pepitas durante uma escavação não permite concluir, por si só, que exista uma mina economicamente explorável no lugar.
Para chegar a esse tipo de conclusão seriam necessários estudos específicos.
Não foi encontrada nas fontes consultadas uma pesquisa geológica pública sobre o ponto descrito por Sérgio Reis nem documentação que confirme a existência de uma jazida com volume determinado naquela antiga propriedade.

O lago preservou a parte mais curiosa da história
Décadas de carreira fizeram Sérgio Reis ser associado principalmente à música sertaneja, às modas de viola e à representação da vida no interior.
Fora dos palcos, porém, sua ligação com propriedades rurais também rendeu histórias que continuam reaparecendo anos depois.
A da Fazenda São Bento chama atenção justamente porque não termina com uma mina aberta, máquinas retirando toneladas de terra ou uma fortuna calculada.
Ela termina com água.
A obra que levou à descoberta continuou, o terreno foi inundado e aquilo que eventualmente permaneceu abaixo da superfície não foi quantificado publicamente.
Por isso, mesmo depois de voltar a circular em 2026, o ponto mais intrigante permanece praticamente o mesmo contado pelo artista: uma escavação feita para marcar uma divisa revelou ouro pouco antes de aquela área desaparecer sob um lago.

