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Ícone da música sertaneja brasileira, Sérgio Reis descobriu quilos de ouro enterrados em uma de suas fazendas, deu parte das pepitas a um funcionário que conseguiu comprar casa e terrenos e, mesmo sabendo que havia mais riqueza sob o solo, manteve o plano de alagar a área e deixou o restante do tesouro ser engolido pelas águas de uma barragem

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Escrito por Ana Alice Publicado em 16/08/2026 às 07:24 Atualizado 16/08/2026 às 07:34
Assista o vídeoSérgio Reis contou que encontrou ouro em uma antiga fazenda em Cuiabá, mas decidiu alagar o terreno. Conheça essa história curiosa. - Imagem: Ilustrativa
Sérgio Reis contou que encontrou ouro em uma antiga fazenda em Cuiabá, mas decidiu alagar o terreno. Conheça essa história curiosa. – Imagem: Ilustrativa
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Uma descoberta feita por acaso em uma antiga fazenda de Sérgio Reis virou uma história curiosa envolvendo ouro, uma barragem, um funcionário de confiança e um terreno que acabou desaparecendo sob as águas.

Imagine cavar o chão de uma fazenda apenas para marcar a divisa com o vizinho e, no meio da terra retirada, perceber que algo diferente começou a aparecer.

Segundo Sérgio Reis, foi mais ou menos assim que uma obra simples terminou em uma das histórias mais curiosas de sua passagem pelo campo: a descoberta de ouro na Fazenda São Bento, propriedade que o cantor mantinha em Cuiabá, no Mato Grosso.

O episódio não é novo, mas voltou a circular em 2026 após novas publicações recuperarem uma entrevista concedida pelo artista ao podcast Inteligência Ltda.

Em maio, o Agro em Campo, do iG, retomou o relato; em agosto, a história também voltou a ser publicada pela revista Caras.

O detalhe que mantém o caso curioso é o destino do terreno.

O ouro apareceu justamente em uma área que estava prestes a ser coberta por água.

Em vez de transformar o lugar em uma operação de mineração, Sérgio Reis contou que retirou parte do material, entregou uma quantidade a um funcionário e seguiu com a construção da barragem.

O restante, segundo ele, acabou debaixo do lago formado na propriedade.

Tudo começou com a ideia de construir um lago

A descoberta não aconteceu durante uma busca planejada por metais preciosos.

No relato apresentado pelo cantor, um vizinho queria aproveitar a água de uma cachoeira e construir uma barragem na região de divisa entre as propriedades.

O plano era formar um grande lago que pudesse ser usado para lazer, pesca e navegação.

Havia ainda uma vantagem para Sérgio Reis.

Com o represamento, parte da água também poderia chegar às áreas de pastagem de sua fazenda.

O vizinho se dispôs a fornecer máquinas e realizar o serviço, sem que o cantor tivesse de arcar com os equipamentos usados na obra.

“Ele falou assim: ‘Sérgio, eu coloco os tratores e vamos fazer uma barragem, aqui vai encher de água. A gente desvia uma parte da cachoeira, não precisa ser muita, e isso vai alagar, vai ficar um lago enorme. Eu quero pescar, andar de barco e andar de jet ski’”, contou o artista ao recordar a proposta.

A negociação estava encaminhada, mas havia um detalhe prático a resolver antes de a água cobrir o terreno.

Se a área ficasse submersa, como saber exatamente onde terminava uma propriedade e começava a outra?

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A tentativa de marcar a divisa revelou ouro no solo

Para evitar uma possível dúvida futura, Sérgio Reis decidiu demarcar a fronteira antes da formação do lago.

A ideia era fincar pedaços resistentes de madeira no chão, criando referências que permaneceriam no local mesmo depois do alagamento.

Foi durante essa escavação que o roteiro mudou.

Enquanto o solo era aberto para colocar as marcações, o cantor afirma que o grupo encontrou ouro.

Segundo a narrativa recuperada pela Caras, a descoberta aconteceu justamente quando trabalhadores preparavam a divisa que posteriormente ficaria debaixo d’água.

“Vamos marcar embaixo, pegar uns paus de aroeira e marcar onde é a nossa divisa, fincar os paus e jogar água. Se um dia estourar, nós sabemos onde é a nossa fronteira. Estamos cavando e achamos ouro. E agora?”, relatou Sérgio Reis.

A situação trazia uma escolha inesperada.

A obra poderia continuar como planejado ou o achado poderia levar a uma tentativa de investigar melhor o que existia no subsolo.

De acordo com o cantor, um funcionário envolvido no trabalho recomendou discrição, por receio de que a notícia atraísse pessoas interessadas no ouro e criasse problemas para a propriedade.

Uma pepita de ouro foi levada a uma joalheria

Antes de simplesmente cobrir o local com água, Sérgio Reis decidiu verificar o material que havia aparecido.

Ele contou que levou uma das pepitas até uma joalheria para descobrir se aquilo realmente tinha valor.

Segundo a versão apresentada pelo próprio artista, recebeu a informação de que a amostra correspondia a ouro 18 quilates.

Esse dado aparece como parte do relato pessoal de Sérgio Reis e não como resultado de um laudo geológico ou de uma análise técnica tornada pública.

O cantor também afirmou que ele e Luiz Carlos Tencati, conhecido como Luizinho e citado como ex-gerente de suas fazendas, chegaram a colocar pepitas em dois baldes.

Parte do ouro virou presente para Luizinho

O episódio ganhou outro rumo quando o cantor decidiu dividir parte do material encontrado.

Sérgio Reis relatou que entregou ouro a Luizinho, funcionário de longa data ligado à administração de suas propriedades.

A quantidade mencionada pelo próprio cantor varia dentro do relato entre “dois ou três quilos”.

Ele afirmou que orientou o funcionário a vender o material para comprar uma casa.

“Ele comprou dois ou três terrenos, construiu uma bela casa, dei de presente para ele. Depois cobrimos com a água da cachoeira, e o ouro ficou lá embaixo”, contou Sérgio, em trecho reproduzido pelo Agro em Campo.

A Caras também reproduziu uma versão semelhante da declaração, na qual o artista diz ter dado “dois ou três quilos de ouro” a Luizinho.

O que aconteceu com todo o restante do material existente no subsolo não foi determinado por levantamento técnico divulgado publicamente.

Na versão do cantor, a decisão foi simplesmente manter o plano original.

A barragem foi concluída, a água ocupou a área e o ponto onde as pepitas haviam aparecido ficou submerso.

Encontrar ouro em uma fazenda não garante direito de exploração

A história também esconde uma curiosidade jurídica que nem sempre é conhecida por quem possui uma propriedade rural.

No Brasil, ter uma fazenda não significa ser automaticamente dono dos recursos minerais existentes no subsolo.

A Constituição estabelece que jazidas e demais recursos minerais são propriedades distintas do solo e pertencem à União para fins de exploração e aproveitamento.

A pesquisa e a lavra dependem de autorização ou concessão, conforme as regras aplicáveis ao setor.

A Agência Nacional de Mineração informa ainda que uma pesquisa mineral destinada a avaliar uma possível jazida precisa de autorização do órgão.

Esse trabalho pode envolver levantamentos geológicos, sondagens, coleta de amostras e análises capazes de determinar características e eventual viabilidade econômica do depósito.

Esse contexto é importante porque encontrar algumas pepitas durante uma escavação não permite concluir, por si só, que exista uma mina economicamente explorável no lugar.

Para chegar a esse tipo de conclusão seriam necessários estudos específicos.

Não foi encontrada nas fontes consultadas uma pesquisa geológica pública sobre o ponto descrito por Sérgio Reis nem documentação que confirme a existência de uma jazida com volume determinado naquela antiga propriedade.

Montagem usada em publicação que retomou, em 2026, o relato de Sérgio Reis sobre a descoberta de ouro em uma antiga fazenda em Cuiabá. Crédito: Reprodução/Agro Roça TV via Olhar Direto
Montagem usada em publicação que retomou, em 2026, o relato de Sérgio Reis sobre a descoberta de ouro em uma antiga fazenda em Cuiabá. Crédito: Reprodução/Agro Roça TV via Olhar Direto

O lago preservou a parte mais curiosa da história

Décadas de carreira fizeram Sérgio Reis ser associado principalmente à música sertaneja, às modas de viola e à representação da vida no interior.

Fora dos palcos, porém, sua ligação com propriedades rurais também rendeu histórias que continuam reaparecendo anos depois.

A da Fazenda São Bento chama atenção justamente porque não termina com uma mina aberta, máquinas retirando toneladas de terra ou uma fortuna calculada.

Ela termina com água.

A obra que levou à descoberta continuou, o terreno foi inundado e aquilo que eventualmente permaneceu abaixo da superfície não foi quantificado publicamente.

Por isso, mesmo depois de voltar a circular em 2026, o ponto mais intrigante permanece praticamente o mesmo contado pelo artista: uma escavação feita para marcar uma divisa revelou ouro pouco antes de aquela área desaparecer sob um lago.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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