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Iberia transforma Airbus A321XLR em observatório a 10 mil metros para “perseguir” eclipse total sobre a Espanha com transmissão via Starlink

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Escrito por Andriely Medeiros de Araújo Publicado em 10/08/2026 às 15:55 Atualizado em 10/08/2026 às 15:56
Iberia prepara voo a mais de 10 mil metros para acompanhar o eclipse total de 12 de agosto com cientistas, Starlink e transmissão ao vivo.
Iberia prepara voo a mais de 10 mil metros para acompanhar o eclipse total de 12 de agosto com cientistas, Starlink e transmissão ao vivo. Imagem meramente ilustrativa gerada por IA.
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Um Airbus A321XLR da Iberia deixará de cumprir uma operação convencional em 12 de agosto de 2026 para funcionar como um observatório astronômico acima das nuvens. O voo IB1473 terá uma trajetória calculada sobre a província espanhola de Palência para acompanhar a sombra da Lua durante o eclipse total, levando pesquisadores a bordo e transmitindo imagens do fenômeno diretamente da aeronave pelas redes sociais da companhia.

A estratégia aproveita uma vantagem impossível de garantir para observadores em terra: voar a mais de 10 mil metros reduz o risco de uma camada de nuvens esconder o Sol justamente durante os poucos minutos de totalidade. Ao mesmo tempo, velocidade e direção do avião poderão ser combinadas com o movimento da sombra para manter a aeronave em uma posição favorável à observação.

Iberia precisou transformar trajetória do avião em parte do experimento

Não basta colocar o Airbus no ar e apontar as janelas para o Sol. Segundo as informações divulgadas pela Iberia, a preparação considerou simultaneamente posição solar, altitude, velocidade da aeronave e deslocamento da sombra lunar sobre a superfície terrestre.

A rota foi direcionada para a região de Palência justamente para aproveitar a faixa de melhor visibilidade. Um detalhe incomum reforça a ligação entre aviação e astronomia: um dos pilotos envolvidos na operação possui formação em Astrofísica.

A missão reunirá diferentes elementos em um único voo:

  • acompanhamento da sombra da Lua durante o deslocamento;
  • observações científicas feitas pelo projeto Shelios;
  • operação com um Airbus A321XLR;
  • rota específica sobre a província de Palência;
  • transmissão de imagens em tempo real pelas redes sociais.

A sequência foi organizada pela função de cada elemento na missão, e não pelo modo como os detalhes foram originalmente anunciados.

Iberia prepara voo a mais de 10 mil metros para acompanhar o eclipse total de 12 de agosto com cientistas, Starlink e transmissão ao vivo.
Iberia prepara voo a mais de 10 mil metros para acompanhar o eclipse total de 12 de agosto com cientistas, Starlink e transmissão ao vivo. Imagem meramente ilustrativa gerada por IA.

Eclipse total permitirá estudar parte do Sol normalmente escondida

Quando a Lua encobrir o disco solar, pesquisadores do projeto Shelios deverão concentrar as medições na coroa, região externa da atmosfera do Sol que normalmente é ofuscada pela intensa luminosidade da superfície visível.

A altitude do voo pode favorecer esse trabalho porque parte das interferências atmosféricas encontradas no solo deixa de estar abaixo da linha de observação. Isso oferece aos cientistas condições diferentes para registrar estruturas que aparecem com maior destaque durante um eclipse total.

De acordo com os pesquisadores envolvidos no projeto, a escuridão temporária também poderá facilitar a identificação aparente de Vênus, Mercúrio e estrelas próximas ao Sol no céu. Em condições normais, esses objetos ficam escondidos pelo brilho diurno.

O público não precisará ocupar um dos assentos para acompanhar a experiência. A Iberia pretende realizar pela primeira vez uma transmissão ao vivo de um eclipse diretamente de uma de suas aeronaves.

Para isso, será utilizado o sistema de internet por satélite Starlink, tecnologia que está sendo incorporada gradualmente à frota da companhia. A conexão permitirá enviar os registros produzidos em altitude enquanto o avião acompanha a região de totalidade.

A expectativa divulgada pela companhia é alcançar um público amplo pelas plataformas digitais. Dessa maneira, o A321XLR funcionará simultaneamente como transporte, plataforma científica e ponto de transmissão durante o fenômeno.

Código do voo faz homenagem a Nicolau Copérnico

Até a identificação escolhida para a operação possui referência astronômica. O voo recebeu o número IB1473, associando a sigla da Iberia ao ano de nascimento de Nicolau Copérnico.

O astrônomo nasceu em 1473 e tornou-se uma das figuras centrais na mudança da compreensão sobre a organização do Sistema Solar. A escolha transforma um código normalmente operacional em parte da narrativa criada para o evento.

O avião utilizado também está entre os modelos mais recentes da frota da companhia. O A321XLR combina autonomia elevada com uma fuselagem de corredor único, sendo empregado pela Iberia em sua expansão de rotas de maior distância.

Espanha volta a observar eclipse total depois de mais de um século

A operação aérea ocorre diante de um fenômeno raro para a região. Segundo as informações apresentadas para o evento, o eclipse total de 12 de agosto será o primeiro visível a partir da Península Ibérica desde 1912.

A longa espera é explicada pela própria geometria desses eventos. Embora eclipses solares aconteçam em diferentes partes do planeta, a região em que o disco do Sol fica completamente encoberto corresponde a uma faixa relativamente estreita.

Uma cidade localizada fora desse caminho pode observar apenas um eclipse parcial ou nem sequer ter condições favoráveis. No mesmo lugar, uma nova totalidade pode levar décadas ou até séculos para retornar.

Avião permitirá observar um fenômeno que depende também do clima

É justamente essa raridade que aumenta o risco de depender exclusivamente das condições meteorológicas. Uma camada de nuvens no momento errado pode impedir a observação de um evento aguardado por gerações.

Com o voo IB1473, a Iberia tenta reduzir essa variável levando observadores para além de grande parte das nuvens e posicionando o avião em função da trajetória do eclipse, em vez de permanecer preso a um único ponto geográfico.

A combinação cria uma experiência pouco comum na aviação comercial. Em 12 de agosto, passageiros, pilotos e pesquisadores não estarão simplesmente viajando entre aeroportos: estarão utilizando velocidade, altitude e conectividade de uma aeronave moderna para acompanhar a passagem da sombra lunar pela Espanha.

O eclipse total durará pouco, mas a operação exigiu meses de planejamento. Para a Iberia, o objetivo é transformar esses minutos de escuridão em imagens transmitidas ao mundo e, para os cientistas do Shelios, em uma oportunidade de observar o Sol de uma perspectiva que um telescópio instalado no solo não consegue reproduzir da mesma maneira.

Com informações do ig Turismo

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Andriely Medeiros de Araújo

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