A GWM vendeu 2 mil unidades do Ora 5 no lançamento, em junho, mas ainda enfrenta fila de aproximadamente 90 dias no Brasil. Executivo admite demora, explica disputa por estoque chinês e busca ampliar entregas.
O GWM Ora 5 esgotou suas primeiras 2 mil unidades em apenas 24 horas no Brasil, mas a fabricante chinesa ainda enfrenta dificuldades para entregar os carros aos compradores. Mais de três meses após a estreia, o SUV elétrico tem uma fila de aproximadamente 90 dias, admitida pelo diretor de operações da empresa, Diego Fernandes, em entrevista divulgada nesta terça-feira, 13 de outubro.
A procura acima do previsto surpreendeu a montadora. Agora a GWM negocia mais veículos para o mercado brasileiro, enquanto clientes que fizeram reservas dependem da chegada de novos lotes importados da China. A direção reconhece que a espera é longa.
Empresa previa até 800 vendas por mês e comercializou 2 mil carros nas primeiras 24 horas
Em entrevista ao Motor1 Brasil, Diego Fernandes revelou que a previsão era vender entre 700 e 800 unidades por mês. No primeiro dia de vendas, iniciado em 24 de junho, a GWM anunciou a comercialização de 2 mil carros, volume pelo menos duas vezes e meia superior à projeção mensal.
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O lançamento foi um êxito de procura, mas o fornecimento planejado para a operação brasileira não acompanhou a quantidade de encomendas. A montadora passou a buscar lotes adicionais para diminuir o intervalo entre a compra e a entrega.
Diretor da GWM reconhece que espera de três meses é longa
Ao comentar a fila de 90 dias no podcast, Fernandes declarou: “É muito tempo, né?”. O executivo disse que a empresa trabalha para reduzir o prazo, mas não estabeleceu uma data oficial em que os pedidos passarão a ser atendidos mais rapidamente.
O abastecimento também depende da demanda internacional. O Ora 5 foi lançado em diferentes mercados ao longo dos últimos meses, aumentando a disputa pelas unidades produzidas na China. A equipe brasileira precisa conseguir uma parcela maior desse fornecimento.
Problema já existia em junho: novo lote foi anunciado com prazo de até 110 dias
Em comunicado divulgado em 26 de junho, a GWM anunciou que o lote inaugural de 2 mil carros estava esgotado e que disponibilizaria mais mil unidades. A segunda remessa tinha prazo de entrega de até 110 dias.

O preço de lançamento era de R$ 159 mil, mediante reserva com depósito de R$ 9 mil. A fabricante previa aumento para R$ 159.900 em julho. Os números correspondem às condições oferecidas no início da comercialização, antes dos reajustes posteriores.
Ágio de até R$ 20 mil apareceu em ofertas fora das concessionárias
A demora ajudou a criar um mercado de entrega imediata mais caro. Em julho, reportagem da CNN Brasil identificou anúncios do Ora 5 com ágio de até R$ 20 mil em relação ao preço tabelado, cobrados por vendedores que afirmavam ter unidades disponíveis.
Em agosto, a revista Quatro Rodas relatou novo reajuste de tabela, para R$ 163.990. Por isso, consumidores interessados devem conferir o preço vigente diretamente com a rede autorizada e guardar as condições comerciais e o prazo contratual da reserva.
Volume vendido no lançamento é diferente do total entregue ou emplacado
As 2 mil unidades anunciadas pela GWM em junho representam o resultado comercial informado para o primeiro lote. Os registros de emplacamento dependem de etapas posteriores, incluindo importação, nacionalização e entrega aos clientes.
O intervalo entre a reserva e a chegada do carro varia conforme disponibilidade, transporte e programação da concessionária. Os 90 dias citados pelo executivo expressam uma espera aproximada no mercado, enquanto cada pedido segue seu próprio cronograma.
Ora 5 reúne 204 cavalos e bateria com autonomia oficial de 349 quilômetros
O SUV elétrico tem motor dianteiro de 204 cv, bateria de 58,3 kWh e autonomia homologada de 349 quilômetros pelo Inmetro. No ciclo WLTP, utilizado internacionalmente, a fabricante anuncia até 435 quilômetros, um resultado obtido em condições de medição diferentes.
A GWM informa aceleração de zero a 100 km/h em 7,7 segundos. Em carregadores rápidos compatíveis, com potência de até 120 kW, a bateria pode passar de 30% para 80% em cerca de 20 minutos. A autonomia e o tempo de recarga variam conforme as condições de uso.
SUV de 4,47 metros tenta conquistar o público dos modelos a combustão
Com 4,47 metros de comprimento, 2,72 metros de distância entre os eixos e porta-malas de 362 litros, o Ora 5 combina dimensões de SUV familiar com motorização totalmente elétrica. A lista de equipamentos inclui central multimídia de 14,6 polegadas, painel digital e assistências eletrônicas ao motorista.
No lançamento, o preço aproximava o carro de versões equipadas de SUVs tradicionais. Para quem considera a compra, além do prazo de entrega, pesa a disponibilidade de recarga residencial ou pública na rotina de uso.

Fábrica da GWM no Espírito Santo poderá produzir Ora 5, mas abertura está prevista para 2029
A GWM confirmou o Ora 5 entre os produtos previstos para sua futura unidade em Aracruz, no Espírito Santo. A construção integra a ampliação industrial da marca, que já opera uma fábrica em Iracemápolis, no interior de São Paulo.
Conforme a AutoData, a previsão é iniciar as operações em Aracruz em 2029. A fabricação brasileira poderá reduzir a dependência de importações mais adiante, mas os compradores de 2026 ainda aguardam os carros enviados pela operação internacional.
Montadora busca mais unidades enquanto clientes acompanham seus pedidos
A direção da GWM promete trabalhar para reduzir a espera, sem divulgar um cronograma de normalização. Os prazos de cada pedido devem ser verificados com a concessionária e nas condições contratadas pelo comprador.
Após uma estreia comercial acima das projeções, a capacidade de abastecer as lojas tornou-se o principal desafio do Ora 5 no Brasil. Você aceitaria esperar cerca de três meses para receber um elétrico recém-lançado? Conte sua opinião nos comentários.
