A Casa Branca afirmou, em relatório anual enviado ao Congresso e revelado em 16 de setembro de 2026, que o Brasil falhou em enfrentar PCC e Comando Vermelho. O Ministério da Justiça refutou a acusação, citou a Lei Antifacção e disse aguardar resposta à proposta de cooperação com os EUA
O governo de Donald Trump acusou o Brasil de “falhar” no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), facções que os Estados Unidos classificam como organizações terroristas. Segundo o texto, os grupos transformaram o país em um ponto central do fluxo global de cocaína.
As informações foram publicadas em 17 de setembro de 2026 no g1. A acusação está em um documento assinado por Trump, enviado ao Congresso americano e divulgado pelo Departamento de Estado em 16 de setembro.
Documento assinado por Trump diz que facções fizeram do Brasil rota central da cocaína
O texto de Donald Trump compara o Brasil a outros governos da região. “Enquanto muitos governos do Hemisfério Ocidental estão tomando medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar cartéis, o governo do Brasil tem falhado em enfrentar as designadas organizações terroristas estrangeiras Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho”, afirma o documento.
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EUA chamam PCC e CV de ameaça crescente e cobram medidas agressivas
Os Estados Unidos afirmam no documento que as facções brasileiras são “uma ameaça crescente à paz e à segurança ao redor do mundo”.
O texto também faz uma cobrança direta ao governo brasileiro. “O governo brasileiro precisa urgentemente tomar medidas agressivas para confrontá-las e derrotá-las antes que elas se espalhem e cresçam”, diz a Casa Branca.
Ministério da Justiça refuta falhas ou omissões no combate ao crime organizado
Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que “o governo brasileiro refuta quaisquer alegações de que existam falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional”.
A pasta destacou a sanção da Lei Antifacção, que, segundo o ministério, “prevê penas mais severas para líderes de facções e cria mecanismos que asfixiam suas operações”.
Governo cita operações federais e aguarda resposta à proposta de 7 de maio
O ministério também mencionou “as dezenas de milhares de operações de combate ao crime por forças federais, com bilhões de reais de prejuízo aos criminosos”.
Segundo a pasta, o Brasil ainda aguarda resposta da Casa Branca a uma proposta apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Washington, em 7 de maio. O documento detalhava “medidas conjuntas de enfrentamento à lavagem de dinheiro, compartilhamento de inteligência e combate ao tráfico de armas”.
Ministério diz que Brasil não está na lista formal de rotas de drogas dos EUA
O relatório anual da Casa Branca identifica os “principais países de rotas de drogas ou principais países produtores de drogas ilícitas”. O Brasil não aparece nessa lista e foi citado em comentários do presidente sobre a política de segurança de outros países.
O ministério usou esse ponto na resposta. “O Brasil não foi incluído na relação de países formalmente classificados pelos EUA como principais rotas de trânsito ou de produção ilícita de drogas. A alusão registrada no texto não corresponde à categoria jurídica de descumprimento formal prevista na legislação norte-americana que rege esse mecanismo anual. Trata-se, portanto, de manifestação circunstancial inserida na parte narrativa do documento, sem respaldo em sua parte dispositiva”, afirmou a pasta.
Lista de 2026 inclui China, México, Colômbia e Bolívia
Os países listados neste ano como principais rotas ou produtores de drogas foram Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Mianmar, Nicarágua, Paquistão, Panamá e Peru.
O documento é enviado todo ano ao Congresso americano e ajuda a orientar a política externa de segurança dos EUA e o envio de verbas para o combate ao narcotráfico.
EUA classificaram PCC e Comando Vermelho como terroristas em junho
Os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas no início de junho. A decisão foi uma derrota do governo Lula na relação com Washington, já que a gestão petista era contra a designação.
O governo brasileiro argumentava que a medida representa um risco para a soberania nacional, por abrir espaço para ações militares norte-americanas sob o pretexto de combate ao terrorismo.
Anúncio veio um dia depois de viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA
O anúncio de que as facções seriam classificadas como terroristas foi feito em maio, um dia depois de Flávio Bolsonaro (PL) encerrar uma viagem aos Estados Unidos, durante a qual encontrou Trump. A oficialização veio no início de junho.
Flávio, principal oponente de Lula na disputa pela Presidência e alinhado ideologicamente a Trump, defendia publicamente a designação havia mais de um ano. Segundo ele, a cooperação internacional vai favorecer o combate às facções e à violência enfrentada pela população.
Trump elogia Argentina, Equador e El Salvador
Segundo Trump, a presença de um país na lista “não reflete necessariamente os atuais esforços de seu governo no combate às drogas ou a sua coordenação com os Estados Unidos”. O documento elogia governos aliados que aparecem na relação.
“Saúdo três dos maiores aliados dos Estados Unidos em nosso hemisfério, Argentina, Equador e El Salvador, por sua liderança, determinação e sucesso no combate ao narcoterrorismo”, diz o texto.
Governo interino de Delcy Rodríguez na Venezuela recebe elogios
O relatório também elogia o governo interino de Delcy Rodríguez, que assumiu o poder na Venezuela no início de janeiro, depois que os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro.
Segundo Trump, graças à prisão e à retirada de Maduro, “já estamos observando os resultados da crescente cooperação com o governo interino do país no combate aos cartéis, incluindo a eliminação de Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua”.
Bolívia e Colômbia entram na lista de quem falhou, e Venezuela sai
O documento também lista os países que “comprovadamente falharam, ao longo dos últimos 12 meses”, em cumprir obrigações de acordos internacionais de combate aos narcóticos. Em 2026, os EUA incluíram nessa relação Afeganistão, Bolívia, Colômbia e Mianmar.
A Venezuela foi retirada da lista. “Diante dos avanços positivos alcançados sob a gestão da presidente interina Delcy Rodríguez, determinei que a Venezuela não deve mais ser classificada como um país que comprovadamente falhou em cumprir seus compromissos de controle de drogas”, escreveu Trump.
Na sua opinião, a crítica do governo Trump ao combate ao PCC e ao Comando Vermelho deve levar o Brasil a ampliar a cooperação com os EUA ou representa uma pressão indevida sobre a soberania nacional? Deixe sua opinião nos comentários.
