Pacote bilionário amplia obras em bacias críticas, reúne saneamento, recuperação ambiental e infraestrutura hídrica em diferentes regiões do país, com foco em segurança hídrica, redução de impactos ambientais e melhoria da gestão dos recursos naturais.
O governo federal incorporou ao eixo Água para Todos, do Novo PAC, um pacote de 60 empreendimentos voltados à revitalização de bacias hidrográficas, com investimento superior a R$ 1 bilhão.
A nova rodada reúne obras e projetos para recuperação ambiental, saneamento, drenagem urbana, melhoria da navegação no rio São Francisco, monitoramento hidrometeorológico e ações em áreas ligadas aos reservatórios de Furnas.
Desse total, 12 iniciativas somam R$ 409 milhões nas bacias dos rios São Francisco e Parnaíba.
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Outras 48 ações reúnem R$ 634,7 milhões na área de influência das usinas hidrelétricas de Furnas.
A distribuição foi aprovada em reunião conjunta dos colegiados responsáveis por definir a aplicação dos recursos de revitalização, sob coordenação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o MIDR.
Segundo o secretário nacional de Segurança Hídrica do MIDR, Giuseppe Vieira, os empreendimentos resultam de articulação entre o ministério e órgãos vinculados para ampliar a segurança hídrica nas bacias consideradas mais críticas em necessidade de investimentos.
A declaração foi divulgada pelo governo federal ao apresentar a nova carteira de obras incluída no PAC.
Investimentos em rios São Francisco e Parnaíba
Nas bacias do São Francisco e do Parnaíba, os recursos foram direcionados principalmente à recuperação hidroambiental, com foco em áreas degradadas, preservação de nascentes, recomposição vegetal e conservação do solo.
Também entram nesse bloco a melhoria da navegação no São Francisco, ações de drenagem urbana e iniciativas de monitoramento e uso de informações meteorológicas na gestão dos recursos hídricos.
Entre os projetos destacados está a revitalização do rio Verde, em Itaguaçu da Bahia, com previsão de R$ 40 milhões.
No Piauí, a recuperação de áreas de preservação permanente em trechos críticos das bacias dos rios Uruçuí-Vermelho e Gurguéia recebeu previsão de mais de R$ 83,5 milhões.
Em Minas Gerais, outra frente mira a recuperação de APPs hídricas na bacia do rio das Velhas, além de ações de conservação de solo e regularização ambiental na bacia do rio Pará.
Ainda nesse grupo, foram reservados recursos para restauração ecológica em municípios da Bahia e de Pernambuco vinculados ao São Francisco, além de intervenções em áreas de Sergipe com cercamento, recomposição florestal e estruturas de contenção de sedimentos.
O pacote inclui também R$ 95,5 milhões para drenagem urbana em São Gotardo, em Minas Gerais, e investimentos para implantação de portos públicos em Juazeiro e Petrolina, voltados à navegação regional.
Obras de saneamento dominam projetos em Furnas
Na área de influência de Furnas, a maior fatia dos recursos foi destinada a esgotamento sanitário, sobretudo em municípios mineiros.
O conjunto prevê estações de tratamento de esgoto, interceptores, redes e sistemas completos em cidades como Barbacena, Lambari, São Lourenço, Cristais, São José da Barra, Jacutinga, Ilicínea, Passa-Quatro, Guaranésia, Carmo de Minas e Conceição do Rio Verde, entre muitas outras.
Barbacena aparece entre os maiores aportes dessa etapa, com duas intervenções que, somadas, chegam a R$ 63,5 milhões.
Em Lambari, o sistema de esgotamento sanitário tem previsão de R$ 32,6 milhões.
São Lourenço recebeu R$ 32,3 milhões, enquanto Cristais conta com R$ 26 milhões.
Já São José da Barra terá R$ 26 milhões para estações de tratamento de esgoto, numa carteira que concentra boa parte das obras em Minas Gerais.
Além do saneamento urbano, a carteira de Furnas inclui projetos de saneamento rural, recuperação hidroambiental e estudos técnicos.
Um deles prevê avaliação integrada dos impactos e alternativas para mitigação da poluição hídrica na bacia do Alto Tietê, na Região Metropolitana de São Paulo.
Outro destina R$ 20 milhões à redução de restrições hidráulicas operativas nas usinas de Jupiá e Porto Primavera, com o objetivo de ampliar a flexibilidade operacional na área vinculada ao programa.
Também foi aprovado um programa produtor de água na bacia do rio Grande e ações de levantamento de áreas para restauração florestal a montante da represa do Funil.
Em Pouso Alto, por exemplo, há recursos tanto para saneamento quanto para recuperação hidroambiental.
Em Três Corações, o pacote contempla a universalização do saneamento rural em comunidades específicas, reforçando a combinação entre infraestrutura e proteção ambiental que orienta a carteira.
Origem dos recursos e histórico do programa
Os recursos dessas contas de revitalização decorrem da desestatização da Eletrobras, que estabeleceu aportes anuais para programas de recuperação de recursos hídricos.
Segundo o MIDR, os colegiados administram parte desses valores para financiar projetos nas bacias do São Francisco e do Parnaíba e nas áreas de influência de Furnas.
Dados divulgados pelo ministério informam que os aportes preveem R$ 350 milhões por ano para o CPR São Francisco e Parnaíba e R$ 230 milhões por ano para o CPR Furnas, ao longo de dez anos.
Avanço das ações desde 2023
O balanço mais recente do MIDR mostra que, desde o início das atividades dos comitês, em agosto de 2023, foram aprovados 247 empreendimentos, com cerca de R$ 5,2 bilhões em investimentos destinados à revitalização dos recursos hídricos.
Em janeiro de 2026, o próprio ministério havia informado uma carteira de 188 projetos consolidados até o fim de 2025.
A nova rodada de 60 aprovações elevou esse total e ampliou a presença de obras de saneamento e recuperação ambiental em áreas consideradas prioritárias. Na prática, o novo pacote reforça duas frentes simultâneas.
De um lado, o governo amplia intervenções em bacias historicamente pressionadas por assoreamento, degradação e baixa cobertura de saneamento.
De outro, tenta melhorar a gestão da água em áreas estratégicas para abastecimento, geração de energia, navegação e controle de impactos ambientais.
A combinação desses eixos ajuda a explicar por que o programa reúne desde obras locais de esgoto até estudos de operação de usinas e modernização do sistema meteorológico.

Sem dúvida, é isto que precisa ser feito tenta ndo reverter os efeitos danosos de seculos de agressões às bacias hidrograficas quer seja por ignorancia, quer seja por havidez.