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Gerente de mercearia começa a pedir que crianças levem o boletim até o caixa, troca boas notas e melhora na escola por lanches e até US$ 100 e vê brincadeira de bairro virar campanha de mais de US$ 500 mil, capaz de distribuir material escolar a mais de 3 mil alunos

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Escrito por Ana Alice Publicado em 16/09/2026 às 06:15 Atualizado em 16/09/2026 às 06:16
Assista o vídeoGerente de mercearia premia boas notas com lanches e dinheiro, campanha supera US$ 500 mil e ajuda mais de 3 mil alunos em Nova York. Crédito: Reprodução/NBC News
Gerente de mercearia premia boas notas com lanches e dinheiro, campanha supera US$ 500 mil e ajuda mais de 3 mil alunos em Nova York. Crédito: Reprodução/NBC News
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Uma brincadeira criada dentro de uma mercearia em Nova York começou com um milk-shake e acabou atraindo estudantes de várias regiões, milhões de visualizações e centenas de milhares de dólares em doações.

Durante anos, o balcão de uma pequena mercearia em Staten Island, em Nova York, serviu para vender sanduíches, bebidas e lanches.

Aos poucos, porém, crianças começaram a aparecer carregando algo diferente nas mãos: o boletim escolar.

Quem estivesse melhorando na escola poderia sair dali com um lanche, produtos da loja e, em alguns casos, dinheiro.

Uma ideia que começou em 2023 com apenas um garoto do bairro cresceu a ponto de atrair estudantes de outras regiões dos Estados Unidos, acumular milhões de visualizações nas redes e movimentar uma arrecadação que, em setembro de 2026, já ultrapassava US$ 578 mil.

A escala mais recente mostra o quanto a brincadeira mudou.

Antes do início do ano letivo de 2026, Wail Alselwi, conhecido nas redes como “Island Ock”, pediu ajuda aos mais de 1 milhão de seguidores que tinha no TikTok para montar uma distribuição de material escolar.

O resultado foi suficiente para atender mais de 3 mil estudantes, além de permitir doações para professores da região.

Wail Alselwi recebe estudantes na mercearia em Staten Island, onde passou a recompensar boas notas e melhora no desempenho escolar. Crédito: ABC News.
Wail Alselwi recebe estudantes na mercearia em Staten Island, onde passou a recompensar boas notas e melhora no desempenho escolar. Crédito: ABC News.

Tudo começou com um milk-shake de Oreo

Em 2023, Alselwi trabalhava na Zack’s Finest Deli & Grocery, em Staten Island, quando fez uma espécie de aposta com Zamier Davies, então com 12 anos.

Se o garoto melhorasse as notas, poderia escolher algo da loja de graça.

Zamier voltou alguns dias depois com o boletim. Sua média era de 88%, e a recompensa escolhida foi um milk-shake de Oreo.

Com autorização dos pais, Alselwi publicou o encontro no TikTok.

O vídeo chamou atenção de outras crianças do bairro.

Elas também começaram a entrar na mercearia levando boletins e perguntando se poderiam participar.

Em vez de limitar a ideia ao primeiro garoto, Alselwi decidiu ampliar o acordo.

No começo, os próprios prêmios saíam do bolso dele.

A lógica era simples: notas melhores poderiam render comida, produtos disponíveis na loja e recompensas em dinheiro.

Notas melhores podiam valer até US$ 100

Com o tempo, algumas regras começaram a tomar forma. Em 2025, Alselwi explicou que estudantes com média acima de 80% podiam escolher praticamente o que quisessem na loja.

Quem apresentasse média entre 70% e 80% podia retirar cerca de US$ 10 em produtos.

Resultados acima de 90% chegaram a render US$ 100, além de produtos e camiseta.

Mas o programa não ficou restrito às crianças que já tiravam notas altas.

Alselwi passou a dar atenção especial ao progresso.

Se um aluno chegasse com resultados ruins e depois mostrasse uma melhora considerável, também poderia ser premiado.

Um dos casos divulgados foi o de um estudante do oitavo ano que havia registrado notas na faixa dos 20% e 30% e depois avançou para resultados entre 70% e 90%.

Como recompensa, recebeu US$ 100 e a possibilidade de escolher produtos na loja.

A presença também entrou na dinâmica, e alunos com frequência perfeita passaram a receber reconhecimento.

Vídeos transformaram mercearia em destino para estudantes

Nas redes sociais, os vídeos adotaram quase sempre uma fórmula parecida.

Uma criança aparece diante do balcão com o boletim, Alselwi confere os resultados, conversa sobre as notas e entrega uma recompensa.

A repetição transformou aquele pequeno balcão de mercearia em um destino conhecido fora do próprio bairro.

Estudantes começaram a viajar de diferentes partes dos Estados Unidos para mostrar os resultados a Alselwi.

Vários vídeos publicados por ele acumularam milhões de visualizações.

O crescimento trouxe também um problema previsível: quanto mais crianças apareciam, mais caro ficava manter as recompensas.

@islandock1

One girl finished the 4th marking period with a 97.75 average and at Grades For Grabs, we round that to 98! So she earned herself $100! The other girl came through with ALL 4s on her report card and earned $100 too! Both girls handled business and earned their rewards! Show them some love and congratulations in the comments! #islandockzacksfinestgradesforgrabs #deliockyfoodnyccommunity #schoolkidsreportcards #highschoolkids #viral

♬ original sound – island ock1

Vaquinha passou de US$ 500 mil

Em março de 2025, Alselwi criou a campanha Grades for Grabs, com o objetivo de financiar lanches e prêmios em dinheiro sem depender apenas dos recursos da própria mercearia.

Na descrição, ele explicava que queria continuar atendendo o maior número possível de estudantes.

Também dizia ter acompanhado casos de crianças que saíram de médias próximas de 60% para resultados na faixa dos 80% e 90%.

No verão de 2025, a arrecadação estava na faixa de US$ 70 mil.

Um ano depois, já havia ultrapassado US$ 500 mil.

Na consulta mais recente disponível em setembro de 2026, a campanha registrava US$ 578.267 arrecadados em aproximadamente 12,4 mil doações, diante de uma meta de US$ 650 mil.

O dinheiro permitiu que o projeto deixasse de funcionar apenas como um sistema de recompensas individuais.

Mais de 3 mil alunos receberam material escolar

Antes do início das aulas em 2026, Alselwi pediu aos seguidores que enviassem material escolar.

No primeiro dia, recebeu cerca de sete caixas.

Depois passaram a chegar entre 15 e 25 por dia.

Em determinado momento, 65 caixas chegaram em apenas um dia, segundo ele contou em entrevista.

Os produtos foram usados em uma distribuição para mais de 3 mil alunos.

Parte do material também foi entregue a professores locais, e Alselwi anunciou uma segunda distribuição depois da primeira ação.

A expansão não eliminou a dinâmica que tornou o projeto conhecido.

Alunos continuaram entrando na mercearia com seus boletins, inclusive aqueles que não tinham notas consideradas excelentes.

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Melhorar também passou a valer prêmio

Em entrevista concedida em agosto de 2026 para a ABC News, Alselwi explicou que estudantes que estavam reprovando também poderiam receber US$ 100 se conseguissem passar nas disciplinas e demonstrassem melhora.

Essa diferença é importante porque o projeto não funciona apenas como uma troca direta entre nota máxima e recompensa.

Na prática, Alselwi também passou a valorizar progresso, frequência e esforço.

Pais ouvidos em reportagens sobre a iniciativa disseram ter percebido mudanças na disposição dos filhos em relação à escola depois que começaram a levar os boletins até a loja.

O caso de Neyon, então com 8 anos, foi um deles.

Sua mãe afirmou que o menino não apresentava problemas graves de desempenho, mas demonstrava pouco interesse pelas atividades escolares.

A expectativa de mostrar os resultados a “Wally”, como Alselwi é conhecido no bairro, passou a funcionar como incentivo adicional.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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