Uma brincadeira criada dentro de uma mercearia em Nova York começou com um milk-shake e acabou atraindo estudantes de várias regiões, milhões de visualizações e centenas de milhares de dólares em doações.
Durante anos, o balcão de uma pequena mercearia em Staten Island, em Nova York, serviu para vender sanduíches, bebidas e lanches.
Aos poucos, porém, crianças começaram a aparecer carregando algo diferente nas mãos: o boletim escolar.
Quem estivesse melhorando na escola poderia sair dali com um lanche, produtos da loja e, em alguns casos, dinheiro.
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Uma ideia que começou em 2023 com apenas um garoto do bairro cresceu a ponto de atrair estudantes de outras regiões dos Estados Unidos, acumular milhões de visualizações nas redes e movimentar uma arrecadação que, em setembro de 2026, já ultrapassava US$ 578 mil.
A escala mais recente mostra o quanto a brincadeira mudou.
Antes do início do ano letivo de 2026, Wail Alselwi, conhecido nas redes como “Island Ock”, pediu ajuda aos mais de 1 milhão de seguidores que tinha no TikTok para montar uma distribuição de material escolar.
O resultado foi suficiente para atender mais de 3 mil estudantes, além de permitir doações para professores da região.

Tudo começou com um milk-shake de Oreo
Em 2023, Alselwi trabalhava na Zack’s Finest Deli & Grocery, em Staten Island, quando fez uma espécie de aposta com Zamier Davies, então com 12 anos.
Se o garoto melhorasse as notas, poderia escolher algo da loja de graça.
Zamier voltou alguns dias depois com o boletim. Sua média era de 88%, e a recompensa escolhida foi um milk-shake de Oreo.
Com autorização dos pais, Alselwi publicou o encontro no TikTok.
O vídeo chamou atenção de outras crianças do bairro.
Elas também começaram a entrar na mercearia levando boletins e perguntando se poderiam participar.
Em vez de limitar a ideia ao primeiro garoto, Alselwi decidiu ampliar o acordo.
No começo, os próprios prêmios saíam do bolso dele.
A lógica era simples: notas melhores poderiam render comida, produtos disponíveis na loja e recompensas em dinheiro.
Notas melhores podiam valer até US$ 100
Com o tempo, algumas regras começaram a tomar forma. Em 2025, Alselwi explicou que estudantes com média acima de 80% podiam escolher praticamente o que quisessem na loja.
Quem apresentasse média entre 70% e 80% podia retirar cerca de US$ 10 em produtos.
Resultados acima de 90% chegaram a render US$ 100, além de produtos e camiseta.
Mas o programa não ficou restrito às crianças que já tiravam notas altas.
Alselwi passou a dar atenção especial ao progresso.
Se um aluno chegasse com resultados ruins e depois mostrasse uma melhora considerável, também poderia ser premiado.
Um dos casos divulgados foi o de um estudante do oitavo ano que havia registrado notas na faixa dos 20% e 30% e depois avançou para resultados entre 70% e 90%.
Como recompensa, recebeu US$ 100 e a possibilidade de escolher produtos na loja.
A presença também entrou na dinâmica, e alunos com frequência perfeita passaram a receber reconhecimento.
Vídeos transformaram mercearia em destino para estudantes
Nas redes sociais, os vídeos adotaram quase sempre uma fórmula parecida.
Uma criança aparece diante do balcão com o boletim, Alselwi confere os resultados, conversa sobre as notas e entrega uma recompensa.
A repetição transformou aquele pequeno balcão de mercearia em um destino conhecido fora do próprio bairro.
Estudantes começaram a viajar de diferentes partes dos Estados Unidos para mostrar os resultados a Alselwi.
Vários vídeos publicados por ele acumularam milhões de visualizações.
O crescimento trouxe também um problema previsível: quanto mais crianças apareciam, mais caro ficava manter as recompensas.
Vaquinha passou de US$ 500 mil
Em março de 2025, Alselwi criou a campanha Grades for Grabs, com o objetivo de financiar lanches e prêmios em dinheiro sem depender apenas dos recursos da própria mercearia.
Na descrição, ele explicava que queria continuar atendendo o maior número possível de estudantes.
Também dizia ter acompanhado casos de crianças que saíram de médias próximas de 60% para resultados na faixa dos 80% e 90%.
No verão de 2025, a arrecadação estava na faixa de US$ 70 mil.
Um ano depois, já havia ultrapassado US$ 500 mil.
Na consulta mais recente disponível em setembro de 2026, a campanha registrava US$ 578.267 arrecadados em aproximadamente 12,4 mil doações, diante de uma meta de US$ 650 mil.
O dinheiro permitiu que o projeto deixasse de funcionar apenas como um sistema de recompensas individuais.
Mais de 3 mil alunos receberam material escolar
Antes do início das aulas em 2026, Alselwi pediu aos seguidores que enviassem material escolar.
No primeiro dia, recebeu cerca de sete caixas.
Depois passaram a chegar entre 15 e 25 por dia.
Em determinado momento, 65 caixas chegaram em apenas um dia, segundo ele contou em entrevista.
Os produtos foram usados em uma distribuição para mais de 3 mil alunos.
Parte do material também foi entregue a professores locais, e Alselwi anunciou uma segunda distribuição depois da primeira ação.
A expansão não eliminou a dinâmica que tornou o projeto conhecido.
Alunos continuaram entrando na mercearia com seus boletins, inclusive aqueles que não tinham notas consideradas excelentes.
Melhorar também passou a valer prêmio
Em entrevista concedida em agosto de 2026 para a ABC News, Alselwi explicou que estudantes que estavam reprovando também poderiam receber US$ 100 se conseguissem passar nas disciplinas e demonstrassem melhora.
Essa diferença é importante porque o projeto não funciona apenas como uma troca direta entre nota máxima e recompensa.
Na prática, Alselwi também passou a valorizar progresso, frequência e esforço.
Pais ouvidos em reportagens sobre a iniciativa disseram ter percebido mudanças na disposição dos filhos em relação à escola depois que começaram a levar os boletins até a loja.
O caso de Neyon, então com 8 anos, foi um deles.
Sua mãe afirmou que o menino não apresentava problemas graves de desempenho, mas demonstrava pouco interesse pelas atividades escolares.
A expectativa de mostrar os resultados a “Wally”, como Alselwi é conhecido no bairro, passou a funcionar como incentivo adicional.

