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Gasolina pode mudar de novo no Brasil: governo inicia testes com 35% de etanol, acima dos atuais 32%, e nova mistura pode aumentar consumo dos carros flex e exigir atenção com motores mais antigos

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Escrito por Ana Alice Publicado em 19/09/2026 às 19:51 Atualizado em 19/09/2026 às 21:36
Assista o vídeoGoverno inicia testes da gasolina E35, com 35% de etanol. Entenda o que pode mudar no consumo, nos carros antigos e nos postos brasileiros. - Imagem: Ilustrativa
Governo inicia testes da gasolina E35, com 35% de etanol. Entenda o que pode mudar no consumo, nos carros antigos e nos postos brasileiros. – Imagem: Ilustrativa
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Nova etapa vai avaliar consumo, emissões, desempenho e durabilidade antes de qualquer decisão sobre a gasolina E35, enquanto a mistura com 32% de etanol continua sendo usada temporariamente nos postos brasileiros.

O governo federal avançou na avaliação da chamada gasolina E35, mistura formada por 35% de etanol anidro e 65% de gasolina.

O cronograma de testes foi aprovado pelo Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro, o CTP-CF, em setembro de 2026. A nova etapa deverá verificar consumo, emissões, desempenho e durabilidade antes de qualquer mudança no combustível vendido aos motoristas.

A autorização dos testes não significa que a E35 já esteja liberada nos postos.

Atualmente, a gasolina comum e a comum aditivada comercializadas no Brasil utilizam temporariamente 32% de etanol anidro, a chamada E32. A mistura entrou em vigor em 1º de agosto de 2026 e tem validade inicial de 180 dias, com possibilidade de uma única prorrogação pelo mesmo período.

A gasolina premium continua com 25% de etanol.

E35 ainda precisa passar por testes antes de chegar aos postos

A possibilidade de elevar o percentual de etanol até 35% está prevista na Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro.

A legislação permite que o Poder Executivo aumente a proporção obrigatória de etanol anidro na gasolina até esse limite, desde que exista comprovação da viabilidade técnica da nova mistura.

Na prática, portanto, a lei abre espaço para a gasolina E35, mas não determina que ela seja automaticamente comercializada.

Antes de chegar às bombas, a nova composição terá de passar pelos ensaios previstos, ter os resultados avaliados e receber posteriormente a aprovação do Conselho Nacional de Política Energética, o CNPE.

Brasil já usa gasolina E32 desde agosto

Antes da discussão sobre os 35%, o país passou por outra mudança recente.

Em julho de 2026, o CNPE aprovou temporariamente o aumento do teor obrigatório de etanol anidro de 30% para 32% na gasolina comum e na comum aditivada.

A mudança entrou em vigor em 1º de agosto e foi estabelecida inicialmente por 180 dias, com possibilidade de prorrogação única por igual período.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, os estudos utilizados na decisão avaliaram desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo e emissões em veículos leves e motocicletas considerados representativos da frota brasileira.

A pasta informou que os resultados não indicaram impactos relevantes no funcionamento dos veículos analisados.

A decisão, porém, provocou questionamentos de representantes da indústria automotiva.

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Montadoras questionaram testes realizados para a E32

Entidades do setor, entre elas Anfavea, Abeifa e Sindipeças, manifestaram preocupação com a elevação do percentual de etanol acima dos 30%.

As associações defenderam avaliações mais amplas, principalmente sobre durabilidade, corrosão, compatibilidade de materiais e efeitos de longo prazo.

O receio envolve especialmente veículos que não foram originalmente projetados levando em consideração concentrações mais elevadas de etanol na gasolina.

O tema também chegou ao Tribunal de Contas da União.

Em setembro de 2026, o TCU analisou uma representação contra a adoção da E32 e registrou que havia lacunas em alguns ensaios realizados anteriormente.

Entre os pontos mencionados estavam testes de durabilidade, corrosão e compatibilidade de materiais a longo prazo.

Segundo o tribunal, essas avaliações estavam previstas justamente para uma etapa posterior envolvendo misturas de E35 ou superiores.

Apesar das observações, o plenário considerou a representação improcedente e não suspendeu a utilização da E32.

MPF também questionou aumento do etanol

O Ministério Público Federal apresentou outro questionamento, desta vez na Justiça Federal.

Em julho de 2026, o MPF ajuizou uma ação civil pública pedindo a suspensão da mudança de E30 para E32 até que fossem apresentados estudos que, segundo o órgão, comprovassem de maneira suficiente a segurança da composição para a frota nacional.

A ação também pediu avaliações independentes e levantou dúvidas sobre possíveis efeitos de longo prazo em diferentes tipos de veículos.

Apesar da contestação, a E32 entrou efetivamente em vigor em 1º de agosto de 2026 e continua sendo a mistura temporariamente adotada na gasolina comum e aditivada.

O processo judicial movido pelo MPF é diferente da representação analisada pelo TCU.

O que pode mudar no consumo com a gasolina E35

Uma das principais questões que os novos testes deverão medir é o consumo de combustível.

O etanol possui menor conteúdo energético por litro do que a gasolina. Com uma participação maior na mistura, existe tendência de alteração na quantidade necessária para percorrer determinada distância.

O efeito concreto, porém, pode variar conforme o motor, a calibração eletrônica, o tipo de injeção, as condições de condução e outras características de cada veículo.

Especialistas ouvidos pela Autoesporte explicam que automóveis flex modernos possuem sistemas eletrônicos capazes de identificar mudanças nas características do combustível e ajustar parâmetros de funcionamento.

O etanol também apresenta maior resistência à detonação, característica que pode ser aproveitada por determinadas estratégias de gerenciamento eletrônico do motor.

Por isso, não é adequado assumir que a passagem de E32 para E35 produzirá exatamente o mesmo aumento de consumo em todos os veículos.

A dimensão desse efeito é justamente um dos pontos que os novos ensaios deverão medir.

Mais etanol na gasolina pode mexer no consumo e no bolso do motorista; entenda o que está em teste com a E35 - (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Mais etanol na gasolina pode mexer no consumo e no bolso do motorista; entenda o que está em teste com a E35 – (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Carros antigos exigem atenção nos testes

A análise ganha importância quando entram em cena veículos antigos ou modelos desenvolvidos exclusivamente para gasolina.

Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, afirmou à Autoesporte que determinados automóveis mais antigos não foram preparados para teores tão elevados de etanol.

Entre os componentes que precisam ser observados estão borrachas, elastômeros, mangueiras, vedações e outros materiais que mantêm contato permanente com o combustível.

Gabriel Estevam Domingos, engenheiro e diretor de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Ambipar, também ressaltou a necessidade de avaliar como esses componentes se comportam durante longos períodos de utilização.

A preocupação coincide com os pontos registrados pelo TCU sobre durabilidade, corrosão e compatibilidade de materiais no longo prazo.

Testes precisam ir além do funcionamento imediato

Verificar se um carro consegue ligar e circular com determinada mistura é apenas uma parte da avaliação.

Os ensaios previstos para a E35 deverão observar impactos que podem aparecer somente após uso prolongado, além de medir consumo, emissões, dirigibilidade e resposta de diferentes sistemas do veículo.

O Ministério de Minas e Energia vinha estruturando uma rede nacional de pesquisa com participação de governo, universidades, indústria automotiva, fabricantes de motores, empresas de combustíveis e centros de pesquisa.

A proposta é reunir dados técnicos suficientes para embasar uma eventual decisão sobre misturas com maior participação de biocombustíveis.

Governo relaciona maior teor de etanol à segurança energética

Ao justificar a adoção temporária da E32, o Ministério de Minas e Energia afirmou que uma participação maior de etanol reduz a necessidade de importar gasolina.

A pasta estimou uma redução anual de aproximadamente 900 milhões de litros nas importações, considerando os efeitos projetados da mistura.

O governo também relacionou a medida à volatilidade internacional do petróleo e dos combustíveis.

Esses argumentos fazem parte da política prevista na Lei do Combustível do Futuro, que procura ampliar a participação de biocombustíveis e estabelecer critérios para novas misturas.

A eventual chegada aos 35%, entretanto, continua condicionada aos resultados técnicos.

E35 ainda não tem data para chegar às bombas

Mesmo com o avanço do plano de testes, não existe uma data confirmada para que a E35 substitua a E32 nos postos brasileiros.

Primeiro, os ensaios precisam ser executados.

Depois, os resultados deverão demonstrar a viabilidade técnica da composição, conforme exige a legislação.

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Somente após essa etapa o CNPE poderá decidir se eleva ou não o percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina.

Até que isso aconteça, a referência para os motoristas continua sendo a E32 na gasolina comum e aditivada, enquanto a gasolina premium mantém 25% de etanol.

A nova rodada de testes terá justamente a função de responder às dúvidas que ganharam força durante a discussão sobre a E32: quanto o consumo pode mudar, quais veículos são mais sensíveis ao aumento do teor de etanol e como componentes de motores e sistemas de combustível se comportam depois de milhares de quilômetros de uso.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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