Início Fundo soberano árabe Mubadala, do príncipe herdeiro de Abu Dhabi, que comprou da Petrobras a Refinaria RLAM, na Bahia, aumenta o preço da gasolina e do diesel mais que a estatal

Fundo soberano árabe Mubadala, do príncipe herdeiro de Abu Dhabi, que comprou da Petrobras a Refinaria RLAM, na Bahia, aumenta o preço da gasolina e do diesel mais que a estatal

1 de fevereiro de 2022 às 08:55
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Fundo árabe tem autonomia para definir seus próprios preços e aumentou o preço da gasolina em 7,40% enquanto Petrobras reajustou em 1,85%

Não obstante as disparadas frequentes nos preços da gasolina e do diesel praticados pela Petrobras, o fundo soberano árabe Mubadala, do príncipe herdeiro de Abu Dhabi, que comprou da Petrobras a Refinaria RLAM, na Bahia, por R$ 1,65 bilhão de dólares, cerca de R$ 8,25 bilhões à época, e a administra desde dezembro do ano passado, aumentou o preço da gasolina e do diesel mais que a estatal.

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De dezembro até o momento, o preço da gasolina tipo A, produzida na Refinaria Mataripe (antiga RLAM), subiu 7,40%. Já a gasolina vendida pela Petrobras para as distribuidoras teve um reajuste de 1,85%.

Em menos de dois meses, o preço do diesel tipo S10 subiu 11,72% e o diesel S500 subiu 9,72%, nos postos de venda da Acelen. No mesmo período, a Petrobras reajustou os dois combustíveis em 7,93% e 8%, respectivamente.

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Fundo árabe tem autonomia para definir seus próprios preços e Acelen vende o mesmo tipo de gasolina a R$ 0,18 por litro mais caro que a Petrobras

No último reajuste nos preços dos combustíveis, que ocorreu no último dia 12, a Petrobras informou que a média do preço de venda para as distribuidoras da gasolina passaria para R$ 3,24 por litro, e diesel R$ 3,61 por litro.

O mesmo tipo de gasolina é vendido por R$ 3,42, e o diesel por R$ 3,62, pela empresa do fundo soberano árabe Mubadala. Nos referimos à média, porque o preço dos combustíveis pode variar por conta de questões regionais de produção. Segundo a própria Acelen, no entanto, os percentuais de reajustes aplicados nesses preços estão vinculados à cotação do petróleo no mercado internacional e ao câmbio.

Apesar dos argumentos alegados para o aumento do preço da gasolina e do diesel serem os mesmo que a Petrobras utiliza – a política de paridade internacional de preços -, ainda assim os aumentos em combustíveis vendidos pela Acelen superaram os reajustes da estatal.

Deyvid Bacelar, coordenador geral da Frente Única dos Petroleiros (FUP) e diretor do Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA), disse em entrevista ao Brasil de Fato que o motivo da Acelen aumentar os preços dos combustíveis mais que a Petrobras é a busca por maiores lucros: “Estamos tratando com um fundo de investimentos dos Emirados Árabes, que trata de recursos do fundo soberano de Abu Dhabi. Então, o retorno tem que ser financeiro e imediato, custe o que custar. Se isso vai custar maiores preços para a população baiana e nordestina, isso não importa”, criticou.

A Acelen foi questionada pelo Brasil de Fato sobre a diferença nos reajustes aplicados pela companhia e pela Petrobras, mas não se pronunciou sobre o assunto. Em nota, a empresa declarou que sua “política de preço é independente, preserva a competividade e é amparada em critérios técnicos e transparentes”.

Tabela compara aumentos promovidos pela Petrobras e pela Acelen nos últimos dois meses / Brasil de Fato

Disparada no preço da gasolina e do diesel praticada pela Acelen, empresa do fundo soberano Árabe, afeta ainda mais o bolso dos consumidores na Bahia

Enquanto o reajuste praticado pela Petrobras aumentou o litro da gasolina em R$ 0,15, chegando a R$ 3,24 na média, a empresa estimou que isso aumentaria o preço do combustível nas bombas e impactaria o bolso do consumidor em cerca de R$ 0,11.

Lembrando que, sobre o preço do combustível comercializado pela estatal até chegar ao consumidor, incidem impostos estaduais e federais, além do custo de revenda.

Acelen reajustou quatro vezes, em menos de dois meses, o preço da gasolina. Em 18 de dezembro, reduziu seus preços. Já nos dias 1, 15 e 22 de janeiro, aumentou.

Situação pode mudar se as distribuidoras da Bahia passarem a importar combustíveis 

Em dezembro do ano passado, quando a Acelen foi na contramão e confrontou o movimento de preço da Petrobras e não reduziu o preço da gasolina, o secretário-executivo da entidade, Marcelo Travassos, disse que os consumidores baianos dependem da política de preços da Acelen, porém a situação pode mudar se as distribuidoras da Bahia passarem a importar combustíveis, caso essa operação seja economicamente mais viável.

Em dezembro, em Salvador, os preços da gasolina atingiu os R$ 7,09 para o tipo comum, sendo que custava, em média, R$5,99. O etanol comum, por sua vez, foi vendido por mais de R$ 6 e o diesel alcançava o mesmo patamar. 

Após a redução de preço anunciado pela Petrobras, na tarde de 15 de dezembro, a gasolina comum com o menor preço estava saindo por R$ 6,42.

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