Sétima plataforma do Campo de Búzios, a FPSO P-78 da Petrobras entra em produção com 180 mil barris por dia, 13 poços com completação inteligente, conexão ao gasoduto ROTA 3 e reinjeção de CO₂, consolidando o maior campo em águas ultraprofundas do mundo e impulsionando a meta de 2,5 milhões de barris por dia em 2026.
A Petrobras iniciou a produção da FPSO P-78 no Campo de Búzios em 31 de dezembro de 2025. Assim, a FPSO P-78 Búzios se tornou a sétima unidade em operação no maior campo em águas ultraprofundas do mundo.
Portanto, a capacidade instalada de Búzios subiu para aproximadamente 1,15 milhão de barris por dia. Segundo a Poder360, a P-78 é peça fundamental para a meta de 2,5 milhões de barris/dia da Petrobras em 2026.
Além disso, o campo já havia ultrapassado Tupi como maior produtor do país em outubro de 2025, quando atingiu a marca de 1 milhão de barris por dia.
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FPSO P-78 Búzios: ficha técnica e capacidade de 180 mil barris/dia
A P-78 é uma unidade do tipo FPSO com 345 metros de comprimento e 180 metros de altura do convés ao topo do flare. Dessa forma, sua capacidade nominal é de 180 mil barris de óleo por dia e 7,2 milhões de metros cúbicos de gás diários.
Além disso, a plataforma está conectada a 13 poços: 6 produtores e 7 injetores. Todos possuem completação inteligente com sensores e válvulas que permitem controle remoto de pressão, temperatura e vazão em tempo real.
A P-78 inaugura a “nova família de projetos de unidades próprias” da Petrobras, fruto do PBRef (Projeto Básico de Referência), que consolidou mais de uma década de aprendizado operacional no pré-sal.

Construção dividida entre 4 países e conteúdo local de 25%
A construção da P-78 envolveu estaleiros na China, Coreia do Sul, Cingapura e Brasil. Assim, o Estaleiro BrasFELS, em Angra dos Reis (RJ), fabricou 10 dos 23 módulos de topside.
Contudo, a integração final ocorreu no Estaleiro Seatrium (antigo Keppel), em Cingapura. O contrato prevê mínimo de 25% de conteúdo local.
Por outro lado, uma inovação logística chamou atenção. A tripulação brasileira já embarcou durante o translado de Cingapura ao Brasil, antecipando treinamentos em cerca de duas semanas.
Portanto, o comissionamento durante a viagem reduziu prazos. A P-78 partiu de Cingapura em 13 de julho de 2025 e chegou ao Brasil em 30 de setembro de 2025.
FPSO P-78 Búzios e o gasoduto ROTA 3: 3 milhões de m³/dia para o continente
Um diferencial estratégico da FPSO P-78 Búzios é a interligação ao gasoduto ROTA 3. Dessa forma, a plataforma exporta gás natural para o continente, expandindo a oferta nacional em até 3 milhões de m³/dia.
Isso posiciona a P-78 não apenas como um ativo petrolífero, mas também como vetor de segurança energética no abastecimento de gás natural ao Brasil.

Campo de Búzios triplicou produção entre 2021 e 2025
Descoberto em maio de 2010, Búzios está localizado a 180 km da costa do Rio de Janeiro. O campo opera em lâmina d’água superior a 2.000 metros e sob mais de 5.000 metros de sal e rocha.
Em março de 2024, atingiu a marca acumulada de 1 bilhão de barris de petróleo — em apenas 6 anos de operação (2018–2024). Nenhum outro campo offshore moderno igualou esse ritmo.
Além disso, o campo triplicou sua produção entre 2021 e 2025. Saiu de aproximadamente 300 mil para mais de 1 milhão de barris por dia.
Por consequência, em dezembro de 2025, a Petrobras identificou nova acumulação de petróleo em zona inferior ao reservatório principal, a 5.600 metros de profundidade.
Búzios representa 37% do pré-sal e impulsiona meta de 2,5 mi bpd
Além disso, a FPSO P-78 Búzios contribui diretamente para essa meta. Segundo o banco UBS BB, o campo deve responder por 37% da produção do pré-sal da Petrobras em 2026. Portanto, o campo é o principal motor de crescimento da estatal.
A Petrobras encerrou 2025 com produção média de 2,40 milhões de barris de óleo por dia, alta de 11% sobre 2024. O pré-sal respondeu por 82% da produção total no quarto trimestre de 2025.
Para 2026, a meta é 2,5 milhões de barris/dia, e a P-78 — que entrou em operação no último dia de 2025 — é peça fundamental para alcançá-la.
Ainda assim, mais três plataformas de alta capacidade estão a caminho. A P-80, P-82 e P-83 terão entre 225 e 270 mil barris/dia cada. Para entender como robôs já assumem inspeções perigosas nessas plataformas, veja a reportagem completa.
R$ 81 bilhões em royalties em 2025 e lucro recorde da Petrobras
A arrecadação de royalties de petróleo cresceu 6,8% em 2025, atingindo R$ 62,2 bilhões. Somando participações especiais, o total transferido ao setor público foi de R$ 81 bilhões.
Dessa forma, a distribuição ficou assim: R$ 24,5 bilhões para a União, R$ 16,6 bilhões para estados e R$ 21,1 bilhões para municípios. O Rio de Janeiro concentra 85,52% dos royalties estaduais.
Além disso, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 110,1 bilhões em 2025, alta de 199% sobre 2024. A receita chegou a R$ 497,5 bilhões e o Ebitda subiu 10%, para R$ 237,1 bilhões.
Por outro lado, o Plano de Negócios 2026–2030 prevê US$ 109 bilhões em investimentos e a geração de 311 mil empregos diretos e indiretos.

Reinjeção de CO₂: maior programa do mundo em águas ultraprofundas
Uma das maiores inovações da Petrobras no pré-sal é o programa de CCUS. O CO₂ que vem junto com o petróleo é separado e reinjetado de volta ao reservatório.
Portanto, esse programa é o maior do mundo em operação em águas ultraprofundas em volume reinjetado. Até setembro de 2021, foram reinjetadas 28,1 milhões de toneladas de CO₂, com meta de 40 milhões acumuladas.
Assim, a reinjeção tem dupla função. Ambientalmente, evita emissões. Produtivamente, pressuriza o reservatório e facilita o fluxo de óleo, aumentando o fator de recuperação.
Com a FPSO P-78 Búzios, a P-79 já posicionada e mais três plataformas de alta capacidade a caminho, Búzios está no rumo de se tornar um dos poucos campos do mundo a atingir 2 milhões de barris por dia até 2030.
BrasFELS gera mais de 7 mil empregos em Angra dos Reis
O Estaleiro BrasFELS (Seatrium Angra dos Reis) empregava 7,2 mil funcionários diretos e 1 mil terceirizados em 2025. Além disso, há previsão de 1,8 mil contratações adicionais.
Para o projeto Búzios 11 (P-83), o contrato com a Subsea7 é de R$ 8,4 bilhões, com mínimo de 40% de conteúdo local e expectativa de superar 50%.
Contudo, os desafios do pré-sal permanecem relevantes. A perfuração a 7.000 metros de profundidade total exige lidar com pressões extremas, temperaturas de 4°C no fundo oceânico, camada de sal plástica e CO₂ altamente corrosivo. Confira também como a Petrobras fechou contrato de US$ 180 milhões em robôs submarinos para atuar nessas condições.

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