Gigante taiwanesa avalia o mercado brasileiro para expandir veículos elétricos com modelo de contrato, design, manufatura e serviços, enquanto busca parceiro local estratégico para viabilizar produção nacional, acelerar a entrada da Foxtron no país e integrar o Brasil à cadeia global de eletrificação automotiva liderada pela Hon Hai Technology
A Foxconn, conhecida mundialmente pela fabricação do iPhone, está avaliando o Brasil como possível destino para ampliar sua atuação em carros elétricos.
Segundo informações da Agência AutoData, divulgadas após a feira 360º Mobility Mega Show, em Taiwan, a empresa busca um parceiro nacional no setor automotivo.
A intenção, portanto, não é lançar uma marca própria no país. Em vez disso, a companhia quer oferecer sua estrutura de design, manufatura, engenharia e serviços para fabricantes interessados.
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O plano envolve a marca Foxtron, braço automotivo da Foxconn. Além disso, a estratégia pode aproximar o Brasil de uma cadeia global de produção ligada à eletrificação.
Modelo CDMS abre caminho para parceria no Brasil
Conforme James Wu, porta-voz do grupo Hon Hai Technology, controlador da Foxconn, o modelo adotado pela empresa é chamado CDMS.
A sigla reúne Contrato, Design, Manufatura e Serviços. Dessa forma, uma empresa brasileira poderia cuidar da operação local.
Enquanto isso, a Foxconn entraria com tecnologia e escala produtiva. Além disso, qualquer fabricante pode se tornar cliente dentro desse formato.
Segundo Wu, a companhia não pretende atuar apenas com marca própria. Por isso, o modelo amplia as possibilidades de parceria.
O executivo afirmou que o Brasil está no radar. Caso existam clientes interessados, a empresa estará aberta a essa oportunidade.
Mercado brasileiro chama atenção da Foxconn
O Brasil aparece na estratégia porque possui um grande mercado automotivo interno. Além disso, conta com população superior a 200 milhões de habitantes.
De acordo com Wu, a Foxconn quer encontrar um parceiro que deseje construir uma marca e vender automóveis elétricos.
Entretanto, esse parceiro talvez ainda não tenha toda a capacidade técnica necessária para desenvolver e fabricar veículos.
A Foxconn já mantém presença no Brasil. A companhia possui uma fábrica de componentes eletrônicos em Jundiaí, São Paulo.
Por isso, o executivo afirmou que, com o tempo, a empresa deve procurar parcerias no país. Nesse cenário, tudo é possível.
Hon Hai quer transformar Taiwan em vitrine elétrica
Atualmente, a Hon Hai concentra esforços para verticalizar a produção de veículos elétricos em Taiwan.
Segundo James Wu, a demanda por modelos elétricos cresceu ao longo da última década. Por isso, o grupo decidiu apostar nesse segmento.
Há cerca de cinco anos, a empresa passou a tratar o carro elétrico como motor do futuro.
A companhia quer mostrar que Taiwan tem capacidade para desenvolver motores elétricos e fabricar carros a bateria.
Para Wu, fabricantes tradicionais podem enfrentar desafios de custo e velocidade. Portanto, parcerias externas podem se tornar estratégicas.

Foxtron prepara nova geração do SUV elétrico N7
A Foxtron começará a produzir em breve a nova geração do SUV elétrico N7, conhecida como Model C.
Esse modelo substituirá o Luxgen n7, primeiro carro elétrico produzido pela empresa.
Segundo a AutoData, a versão final foi apresentada ao público durante a 360º Mobility Mega Show.
Na comparação com o modelo anterior, o SUV traz visual completamente novo. Além disso, apresenta mudanças estruturais relevantes.
Entre elas, estão as maçanetas físicas nas quatro portas, substituindo o sistema escamoteável comum em modelos asiáticos.
Por dentro, o carro recebeu botões físicos abaixo da central multimídia vertical sensível ao toque. Além disso, conta com painel digital, volante multifuncional e bancos de couro sintético branco.
Model B já soma mais de mil encomendas
Enquanto isso, o Model B, também chamado Bria, começou a ser vendido no fim do ano passado em Taiwan.
Segundo a AutoData, o SUV urbano já ultrapassou 1 mil encomendas.
O modelo traz elementos esportivos, como cintos de segurança vermelhos e acabamento interno diferenciado.
O painel conta com quadro digital, central multimídia horizontal e botões físicos.
Diferentemente do Model C, o Model B utiliza acabamento interno preto. Esse padrão aparece nos bancos, painel e portas.
Os preços variam entre R$ 143 mil e R$ 182,5 mil, considerando conversão direta. A autonomia informada é de 516 km no ciclo NEDC.
Fábrica de Kaohsiung está pronta para exportar
A fábrica de veículos elétricos da Foxconn está localizada em Kaohsiung, Taiwan. A unidade também deverá produzir motocicletas elétricas no futuro.
Questionado sobre novas fábricas, James Wu afirmou que tudo dependerá das necessidades dos clientes.
Segundo ele, a Hon Hai possui 233 fábricas em 24 países. Portanto, expandir a produção para outros mercados não seria um problema.
Entretanto, fatores como custos, logística e demanda serão decisivos nessa escolha.
Assim, nem todos os veículos precisam ser produzidos em Taiwan. Porém, os parceiros precisam ter capacidade de produção local.
Brasil pode entrar na rota global dos elétricos?
A possível parceria da Foxconn no Brasil ainda não tem prazo definido. Além disso, não há confirmação de fábrica ou modelo específico.
Mesmo assim, o interesse declarado pela empresa coloca o país no radar da mobilidade elétrica global.
Enquanto isso, a Foxconn busca transformar sua experiência em eletrônicos em uma nova frente industrial.
Diante desse cenário, caso encontre um parceiro estratégico, o Brasil pode se tornar parte dessa expansão global de veículos elétricos?

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