Rotina de dez horas diárias, dezenas de redações e uma segunda tentativa marcaram a preparação de uma estudante da rede pública que alcançou desempenho máximo em um dos cursos mais concorridos do país, dentro de uma trajetória familiar simples e de forte dedicação acadêmica.
Após estudar cerca de dez horas por dia, produzir mais de 40 redações e enfrentar uma tentativa anterior, Maria Clara Soares Araújo, de 19 anos, conquistou o primeiro lugar em Medicina na Universidade Estadual de Montes Claros, a Unimontes.
Egressa integralmente da rede pública, a jovem alcançou 184 pontos, pontuação máxima prevista no vestibular, enquanto concorria pelo sistema de cotas destinado a candidatos de baixa renda, negros e formados em escolas públicas.
Ao reunir a maior nota possível e uma vaga no curso mais concorrido da instituição, Maria Clara encerrou a preparação no topo da classificação para Medicina, com ingresso previsto na turma do primeiro semestre.
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Segundo reportagem do Estado de Minas, o desempenho colocou a estudante à frente dos demais candidatos de sua modalidade e também superou as pontuações registradas nos outros grupos de concorrência para a mesma turma.
Família de origem simples acompanhou a preparação
Moradora do Bairro Mangues, região de casas simples situada na zona sul de Montes Claros, no norte de Minas Gerais, Maria Clara vive com os pais e o irmão mais novo, Enzo Gabriel, de seis anos.
Quando a aprovação foi divulgada, o pai, Cleidson Soares, estava desempregado e buscava renda realizando corridas como motorista de aplicativo, enquanto a mãe, Islene Gomes Soares, trabalhava de maneira autônoma com a revenda de cosméticos.
Dentro dessa realidade familiar, a estudante manteve o objetivo de cursar Medicina sem deixar a cidade, escolha que permitiria permanecer perto dos pais e do irmão durante os anos de formação universitária.
Mais do que uma opção prática, a vaga na Unimontes representava a possibilidade de realizar o projeto profissional desejado sem a necessidade de mudar de município ou ampliar os custos da família com moradia e deslocamento.
Segunda tentativa mudou a estratégia de estudos
A primeira participação no vestibular não terminou com a vaga pretendida, mas serviu de referência para que Maria Clara reorganizasse a preparação e direcionasse os estudos ao modelo de prova aplicado pela própria universidade.
Na tentativa seguinte, ela passou a frequentar um cursinho pré-vestibular em Montes Claros e estruturou uma jornada média de dez horas diárias, distribuída entre revisões, resolução de questões, simulados e treinamento de redação.
Em vez de avançar pelos conteúdos sem avaliar o próprio desempenho, a jovem retornava aos exercícios, examinava os erros cometidos e retomava os assuntos em que ainda apresentava dificuldade.
Esse processo de revisão constante permitiu ajustar a rotina ao longo da preparação, mantendo o foco nas exigências específicas do vestibular da Unimontes e evitando que os mesmos problemas se repetissem nas atividades seguintes.
Mais de 40 redações reforçaram a preparação
Entre as etapas que receberam maior atenção, a produção textual ganhou espaço permanente, levando Maria Clara a escrever mais de 40 redações antes de realizar a prova que definiria sua classificação.
Cada texto produzido era tratado como parte de um processo de aperfeiçoamento, já que a estudante analisava as falhas encontradas e utilizava as correções para melhorar a argumentação, a estrutura e o domínio da escrita.
Além das redações, os simulados ajudaram a identificar conteúdos que exigiam nova revisão e aproximaram a rotina de estudos das condições enfrentadas durante o processo seletivo oficial.
Ao combinar treino escrito, resolução de questões e retomada dos pontos frágeis, a preparação deixou de depender apenas da quantidade de horas e passou a seguir uma sequência organizada de prática, análise e correção.
Mesmo depois de uma tentativa sem aprovação, Maria Clara continuou concentrada no mesmo curso e na mesma instituição, transformando a experiência anterior em referência para uma preparação mais específica e disciplinada.
A persistência ganhou importância porque Medicina reunia a maior concorrência da universidade, cenário em que pequenas diferenças de pontuação poderiam alterar significativamente a posição final de cada candidato.
Escola pública e ingresso pelo sistema de cotas
Toda a formação escolar de Maria Clara ocorreu na rede pública, condição que integrou os critérios considerados para sua participação na modalidade de reserva de vagas escolhida durante a inscrição.
Embora a cota tenha definido o grupo em que disputaria uma vaga, a primeira colocação foi determinada pelo desempenho obtido na prova, que atingiu o limite máximo de 184 pontos.
Dentro da categoria destinada a candidatos negros, de baixa renda e egressos de escolas públicas, a jovem apareceu na primeira posição da lista de classificados para Medicina no primeiro semestre.
O resultado também ultrapassou as notas apresentadas nas demais modalidades voltadas à mesma turma, ampliando o alcance de um desempenho que já seria suficiente para assegurar a aprovação dentro do grupo escolhido.
Medicina liderou a concorrência na Unimontes
De acordo com os números da instituição reproduzidos pelo Estado de Minas, o vestibular da Unimontes reuniu mais de 27 mil inscritos em busca das vagas oferecidas pela universidade.
Ao todo, 1.484 candidatos foram aprovados para 88 cursos, distribuídos entre turmas com início previsto em dois períodos distintos, enquanto Medicina ocupava o primeiro lugar entre as graduações mais disputadas.
Nesse cenário de alta concorrência, alcançar a pontuação máxima eliminou qualquer margem para diferença numérica em relação ao teto estabelecido pelo processo seletivo.
Os 184 pontos obtidos por Maria Clara representaram não apenas uma vaga dentro do limite previsto, mas o maior desempenho possível na seleção para a turma desejada.
Divulgada no fim de janeiro de 2026, a relação dos classificados apresentou o nome da estudante entre os convocados para o primeiro semestre, permitindo que ela avançasse para os procedimentos de matrícula definidos pela universidade.
Ao comentar a conquista, Maria Clara relacionou o resultado à dedicação mantida durante a preparação e à fé, além de afirmar que gostaria de inspirar outros jovens formados em escolas públicas.
Escolha pela Medicina manteve estudante na cidade
O interesse pelo curso já existia antes da divulgação do vestibular, e a jovem procurava ampliar seus conhecimentos por reconhecer que uma vaga em Medicina exigiria constância diante da elevada concorrência.
A preferência pela Unimontes também estava ligada à possibilidade de continuar em Montes Claros, preservando a proximidade com a família ao longo da graduação e evitando uma mudança para outra cidade.
Durante a preparação, cada redação e cada simulado foram incorporados a uma rotina de acompanhamento, na qual os exercícios não terminavam no momento da entrega, mas continuavam sendo utilizados para localizar erros.
Esse método tornou as dez horas diárias mais direcionadas, pois o tempo de estudo passou a acompanhar as dificuldades reveladas pelo próprio desempenho, em vez de seguir apenas uma sequência fixa de conteúdos.
As mais de 40 redações ajudam a dimensionar o esforço empregado antes da prova, enquanto os simulados e as revisões mostram como a preparação reuniu diferentes estratégias dentro de uma mesma rotina.
Formação integral em escola pública, segunda tentativa, ingresso pelas cotas, dez horas de estudo por dia, dezenas de redações e pontuação máxima passaram a compor a trajetória que levou Maria Clara ao topo da classificação.
Além de conquistar a vaga em uma universidade pública, a estudante preservou o plano de permanecer na cidade onde vive, mantendo perto de si os familiares que acompanharam todo o período de preparação.
Na sua avaliação, qual elemento teve maior peso nessa aprovação: a rotina de dez horas diárias, o treino de mais de 40 redações ou a persistência para reorganizar os estudos depois da primeira tentativa?
