Na propriedade dos Wachholz, em Pomerode, carpas passaram a dividir espaço com o arroz durante o intervalo entre cultivos. A experiência ajudava no manejo das quadras e produzia peixes para venda, até que a procura pelos filhotes levou a família a abandonar a rizicultura.
A integração entre peixes e arroz permitiu que uma pequena propriedade de menos de 10 hectares, em Pomerode, Santa Catarina, aproveitasse a mesma área para duas atividades. As carpas permaneciam nas quadras inundadas durante meses, cresciam para comercialização e participavam da limpeza do terreno antes do novo plantio.
A experiência ocorreu na propriedade da família Wachholz, no bairro Testo Rega. A trajetória registrada pelo Testo Notícias mostra que Dagvin Wachholz acompanhou o pai, Elmo, em sucessivas tentativas de encontrar uma atividade economicamente viável para a área rural.
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Antes da piscicultura, a família havia trabalhado com verduras, fumo, milho, criação de suínos e gado leiteiro. O cultivo de arroz entrou depois nessa sequência de alternativas, enquanto Dagvin e o cunhado, Mauricio Rauh, começaram a experimentar a criação de peixes.
Da pequena lagoa às quadras de arroz

Na década de 1980, Dagvin e Mauricio reativaram uma pequena lagoa existente na propriedade e colocaram algumas carpas no local. A criação ainda era feita com pouco conhecimento técnico, mas ganhou outra perspectiva quando Dagvin começou a estudar agronomia e pesquisar formas de associar os peixes à agricultura.
Foi nesse período que ele encontrou referências sobre a criação de peixes em lavouras de arroz na China e buscou informações em livros e na assistência técnica para adaptar a prática às condições encontradas em Santa Catarina.
A técnica é conhecida como rizipiscicultura. Um boletim técnico da Epagri registra que essa integração tem origem antiga na China e utiliza a área de arroz irrigado também para a criação de peixes, aproveitando a presença deles no ambiente alagado.
Na propriedade dos Wachholz, o arroz era normalmente colhido por volta de março. Depois da colheita, as taipas das quadras eram elevadas para manter uma lâmina de aproximadamente 50 centímetros de água, e os alevinos permaneciam nessas áreas até perto do plantio seguinte, em outubro.
Durante esse intervalo, as carpas ganhavam peso e podiam ser vendidas, mas também tinham função dentro do manejo da lavoura. A família associava a presença dos peixes à limpeza das quadras e à redução dos custos necessários para preparar novamente o solo.
O princípio coincide com uma das funções descritas pela Epagri para a rizipiscicultura. No sistema, os peixes podem consumir plantas daninhas, insetos e outros organismos presentes no arrozal, participando do controle biológico enquanto permanecem nas áreas inundadas.

Os animais adultos passaram a encontrar compradores entre moradores da região. Durante cerca de cinco anos, a combinação entre cultivo de arroz e criação de carpas esteve entre as principais atividades da propriedade.
A procura pelos filhotes muda a atividade
A transformação seguinte surgiu dentro das próprias quadras. Como a permanência dos peixes no arrozal coincidia com o período de reprodução, começaram a aparecer filhotes de carpas, embora os alevinos ainda não fossem considerados o principal produto da criação.
No início, esses peixes pequenos eram entregues gratuitamente às pessoas interessadas. O negócio continuava concentrado nos animais adultos e no uso das carpas no manejo do arrozal, mas a procura pelos alevinos aumentou ano após ano até superar a demanda pelos peixes maiores.
A família passou então a direcionar investimentos para a produção de filhotes. O que havia começado como complemento da rizicultura ganhou espaço dentro da propriedade até que, em 1996, ocorreu o último plantio de arroz relatado pelos Wachholz.
Com a mudança, a piscicultura passou a ocupar o centro da atividade econômica da família. Dagvin concentrou parte do trabalho nas questões técnicas ligadas à reprodução artificial dos peixes, enquanto Mauricio aproveitava viagens profissionais pelo interior de São Paulo para conhecer outras experiências de piscicultura.

Entre as espécies criadas estavam carpas de origem chinesa, como capim, cabeçuda e prateada. A família também precisou adaptar a alimentação e testar métodos de produção em uma época na qual, conforme o relato publicado pelo Testo Notícias, ainda havia pouca disponibilidade de ração específica para peixes na região.
As carpas permaneceram importantes até o fim dos anos 1990, mas a composição da produção mudou depois. Quando a trajetória foi registrada pela reportagem, a tilápia já representava 95% dos alevinos produzidos, destinados principalmente ao Vale do Itajaí e ao Litoral Norte catarinense.
A propriedade também havia adquirido uma configuração diferente daquela do período dedicado ao arroz. Dezenas de lagoas ocupavam a área em Testo Rega, enquanto pequenas criações de ovelhas e gado de corte permaneciam voltadas ao consumo próprio e outras culturas eram mantidas nos pontos onde a piscicultura não podia ser instalada.
Na mesma reportagem, a propriedade dos Wachholz era apresentada como referência na produção de alevinos. Os peixes vendidos já não vinham de um sistema integrado com o arroz: a piscicultura havia se tornado a atividade principal, e os alevinos eram enviados sobretudo para outras regiões de Santa Catarina.
