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Exército dos EUA retira 127 mil metros cúbicos de, bombeia o material por 8 quilômetros e transforma areia, silte e conchas em terreno para recuperar 28 hectares de pântano degradado e ampliar o habitat de aves aquáticas

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 04/08/2026 às 00:51
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Material retirado durante dragagem foi reutilizado em Maryland para restaurar áreas úmidas degradadas, proteger habitat de aves e manter aberto um canal essencial ao transporte de combustíveis e grãos.

O Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos concluiu um projeto que transformou aproximadamente 127 mil metros cúbicos de areia, silte e conchas retirados do Rio Wicomico em matéria-prima para recuperar um pântano degradado no estado de Maryland.

Em vez de encaminhar o sedimento para uma área convencional de descarte, o material foi bombeado por aproximadamente oito quilômetros até a Deal Island Wildlife Management Area. A operação elevou o terreno em cerca de 30 centímetros e restaurou aproximadamente 70 acres de áreas úmidas, equivalentes a 28 hectares.

Sedimento percorreu oito quilômetros até o pântano

A operação aproveitou aproximadamente 166 mil jardas cúbicas de material retirado da parte inferior do canal federal de navegação do Rio Wicomico. Convertido para o sistema métrico, o volume corresponde a aproximadamente 126,9 mil metros cúbicos.

Segundo o balanço de conclusão divulgado pelo Distrito de Baltimore do Corpo de Engenheiros, uma draga hidráulica retirou a mistura de areia, silte e conchas do canal. O material seguiu diretamente por uma tubulação até a área de recuperação.

A distância entre o trecho dragado e o local de aplicação era de aproximadamente cinco milhas, ou pouco mais de oito quilômetros. Não houve transporte do sedimento por caminhões até o pântano.

Na área de destino, fardos de palha e estruturas instaladas nos canais de maré ajudaram a conter o material. Depois do bombeamento e do período necessário para sua acomodação, a elevação geral do pântano aumentou aproximadamente um pé, equivalente a 30,48 centímetros.

O objetivo não era construir uma área úmida completamente nova, mas elevar e reconstruir trechos de um pântano de maré que vinham sofrendo erosão, fragmentação e transformação em áreas de água aberta.

Dragagem também manteve canal aberto para embarcações

O projeto combinou duas necessidades. A primeira era retirar o sedimento acumulado no canal de navegação. A segunda era encontrar uma utilização ambientalmente vantajosa para o material removido.

O Rio Wicomico conecta a Baía de Chesapeake à cidade de Salisbury. O canal federal possui aproximadamente 37 milhas, ou 60 quilômetros, e precisa de dragagens periódicas para conservar as dimensões necessárias à passagem de embarcações.

A profundidade autorizada chega a 14 pés, aproximadamente 4,3 metros. O canal atende o Porto de Salisbury, importante para o transporte regional de produtos petrolíferos e grãos destinados à Península de Delmarva.

A avaliação ambiental elaborada pelo Corpo de Engenheiros apontava inicialmente a retirada de aproximadamente 140 mil jardas cúbicas e a recuperação de cerca de 75 acres. Levantamentos posteriores e a execução da dragagem levaram ao total final de 166 mil jardas cúbicas aplicadas em aproximadamente 70 acres.

A dragagem começou em outubro de 2023 e continuou durante o inverno. Estruturas de contenção danificadas durante a temporada de tempestades de 2023 precisaram ser reparadas, mas, de acordo com o Corpo de Engenheiros, o problema provocou atraso mínimo no cronograma.

O contrato para a dragagem e a restauração teve valor de US$ 13,5 milhões. O projeto reuniu o Corpo de Engenheiros, o Departamento de Recursos Naturais de Maryland, o Condado de Wicomico, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos e a Audubon Mid-Atlantic.

Vegetação nativa foi plantada sobre o novo terreno

Depois que o sedimento ganhou consistência, trabalhadores abriram espaços na superfície para plantar espécies nativas de áreas salgadas. Entre elas estavam Spartina alterniflora, Spartina patens, Spartina cynosuroides e Distichlis spicata.

Essas plantas ajudam a fixar o novo sedimento, reduzir a erosão e filtrar a água que escoa em direção à Baía de Chesapeake. O plantio foi concluído em maio de 2025, antes do anúncio oficial do encerramento da participação do Corpo de Engenheiros, divulgado em julho de 2026.

A restauração foi planejada especialmente para oferecer áreas de reprodução ao saltmarsh sparrow, ave dependente de pântanos salgados, e ao black rail, espécie associada a áreas úmidas de maré.

A Deal Island Wildlife Management Area possui aproximadamente 13 mil acres, mais de 5,2 mil hectares. De acordo com o Departamento de Recursos Naturais de Maryland, a região reúne pântanos de maré, áreas de água aberta, florestas úmidas e um reservatório artificial de 2,8 mil acres.

O local abriga aves aquáticas e uma das maiores concentrações de garças e íbis de Maryland. Também possui uma das poucas populações reprodutivas de pernilongos-de-pescoço-preto registradas no estado.

Resultado ambiental será acompanhado por até cinco anos

Embora a participação direta do Corpo de Engenheiros tenha terminado, o acompanhamento do pântano continuará. O Departamento de Recursos Naturais de Maryland e o Condado de Wicomico ficaram responsáveis pelo monitoramento de longo prazo.

O acordo prevê observações durante um período de até cinco anos para avaliar a sobrevivência das plantas, a estabilidade do sedimento e o desenvolvimento do habitat. Por isso, a reconstrução física dos 28 hectares está concluída, mas os resultados ecológicos de longo prazo ainda serão avaliados.

O projeto também manteve atividades recreativas na região. As imagens oficiais de julho de 2026 mostram vegetação estabelecida no terreno reconstruído e moradores utilizando as áreas próximas para a captura recreativa de caranguejos.

Além de recuperar o pântano degradado, a operação apresentou uma alternativa ao descarte de sedimentos retirados durante dragagens.

O mesmo material que bloqueava gradualmente o canal de navegação foi utilizado para elevar uma área costeira vulnerável e ampliar o habitat disponível para espécies dependentes dos pântanos de maré.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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