Material retirado durante dragagem foi reutilizado em Maryland para restaurar áreas úmidas degradadas, proteger habitat de aves e manter aberto um canal essencial ao transporte de combustíveis e grãos.
O Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos concluiu um projeto que transformou aproximadamente 127 mil metros cúbicos de areia, silte e conchas retirados do Rio Wicomico em matéria-prima para recuperar um pântano degradado no estado de Maryland.
Em vez de encaminhar o sedimento para uma área convencional de descarte, o material foi bombeado por aproximadamente oito quilômetros até a Deal Island Wildlife Management Area. A operação elevou o terreno em cerca de 30 centímetros e restaurou aproximadamente 70 acres de áreas úmidas, equivalentes a 28 hectares.
Sedimento percorreu oito quilômetros até o pântano
A operação aproveitou aproximadamente 166 mil jardas cúbicas de material retirado da parte inferior do canal federal de navegação do Rio Wicomico. Convertido para o sistema métrico, o volume corresponde a aproximadamente 126,9 mil metros cúbicos.
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Segundo o balanço de conclusão divulgado pelo Distrito de Baltimore do Corpo de Engenheiros, uma draga hidráulica retirou a mistura de areia, silte e conchas do canal. O material seguiu diretamente por uma tubulação até a área de recuperação.
A distância entre o trecho dragado e o local de aplicação era de aproximadamente cinco milhas, ou pouco mais de oito quilômetros. Não houve transporte do sedimento por caminhões até o pântano.
Na área de destino, fardos de palha e estruturas instaladas nos canais de maré ajudaram a conter o material. Depois do bombeamento e do período necessário para sua acomodação, a elevação geral do pântano aumentou aproximadamente um pé, equivalente a 30,48 centímetros.
O objetivo não era construir uma área úmida completamente nova, mas elevar e reconstruir trechos de um pântano de maré que vinham sofrendo erosão, fragmentação e transformação em áreas de água aberta.
Dragagem também manteve canal aberto para embarcações
O projeto combinou duas necessidades. A primeira era retirar o sedimento acumulado no canal de navegação. A segunda era encontrar uma utilização ambientalmente vantajosa para o material removido.
O Rio Wicomico conecta a Baía de Chesapeake à cidade de Salisbury. O canal federal possui aproximadamente 37 milhas, ou 60 quilômetros, e precisa de dragagens periódicas para conservar as dimensões necessárias à passagem de embarcações.
A profundidade autorizada chega a 14 pés, aproximadamente 4,3 metros. O canal atende o Porto de Salisbury, importante para o transporte regional de produtos petrolíferos e grãos destinados à Península de Delmarva.
A avaliação ambiental elaborada pelo Corpo de Engenheiros apontava inicialmente a retirada de aproximadamente 140 mil jardas cúbicas e a recuperação de cerca de 75 acres. Levantamentos posteriores e a execução da dragagem levaram ao total final de 166 mil jardas cúbicas aplicadas em aproximadamente 70 acres.
A dragagem começou em outubro de 2023 e continuou durante o inverno. Estruturas de contenção danificadas durante a temporada de tempestades de 2023 precisaram ser reparadas, mas, de acordo com o Corpo de Engenheiros, o problema provocou atraso mínimo no cronograma.
O contrato para a dragagem e a restauração teve valor de US$ 13,5 milhões. O projeto reuniu o Corpo de Engenheiros, o Departamento de Recursos Naturais de Maryland, o Condado de Wicomico, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos e a Audubon Mid-Atlantic.
Vegetação nativa foi plantada sobre o novo terreno
Depois que o sedimento ganhou consistência, trabalhadores abriram espaços na superfície para plantar espécies nativas de áreas salgadas. Entre elas estavam Spartina alterniflora, Spartina patens, Spartina cynosuroides e Distichlis spicata.
Essas plantas ajudam a fixar o novo sedimento, reduzir a erosão e filtrar a água que escoa em direção à Baía de Chesapeake. O plantio foi concluído em maio de 2025, antes do anúncio oficial do encerramento da participação do Corpo de Engenheiros, divulgado em julho de 2026.
A restauração foi planejada especialmente para oferecer áreas de reprodução ao saltmarsh sparrow, ave dependente de pântanos salgados, e ao black rail, espécie associada a áreas úmidas de maré.
A Deal Island Wildlife Management Area possui aproximadamente 13 mil acres, mais de 5,2 mil hectares. De acordo com o Departamento de Recursos Naturais de Maryland, a região reúne pântanos de maré, áreas de água aberta, florestas úmidas e um reservatório artificial de 2,8 mil acres.
O local abriga aves aquáticas e uma das maiores concentrações de garças e íbis de Maryland. Também possui uma das poucas populações reprodutivas de pernilongos-de-pescoço-preto registradas no estado.
Resultado ambiental será acompanhado por até cinco anos
Embora a participação direta do Corpo de Engenheiros tenha terminado, o acompanhamento do pântano continuará. O Departamento de Recursos Naturais de Maryland e o Condado de Wicomico ficaram responsáveis pelo monitoramento de longo prazo.
O acordo prevê observações durante um período de até cinco anos para avaliar a sobrevivência das plantas, a estabilidade do sedimento e o desenvolvimento do habitat. Por isso, a reconstrução física dos 28 hectares está concluída, mas os resultados ecológicos de longo prazo ainda serão avaliados.
O projeto também manteve atividades recreativas na região. As imagens oficiais de julho de 2026 mostram vegetação estabelecida no terreno reconstruído e moradores utilizando as áreas próximas para a captura recreativa de caranguejos.
Além de recuperar o pântano degradado, a operação apresentou uma alternativa ao descarte de sedimentos retirados durante dragagens.
O mesmo material que bloqueava gradualmente o canal de navegação foi utilizado para elevar uma área costeira vulnerável e ampliar o habitat disponível para espécies dependentes dos pântanos de maré.
