A primeira grande renovação de China no América-MG permitiu concluir uma obra que avançava havia quase duas décadas. Aposentado dos gramados desde 2018, o ex-volante voltou ao futebol como intermediário de atletas e permanece na relação pública de cadastrados da CBF.
Fernando Lisboa Lopes, o China, deixou os gramados em 2018, mas voltou a trabalhar no futebol fora de campo. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda inclui seu nome na relação pública de intermediários cadastrados.
Essa atividade conecta duas fases da trajetória do ex-volante. Anos antes de se tornar intermediário, a primeira grande valorização que recebeu no América-MG permitiu assumir um projeto familiar que avançava havia quase duas décadas: terminar e equipar a casa dos pais.
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O salto salarial que mudou o ritmo da obra
China havia chegado ao América ainda criança e ganhou espaço no elenco principal em 2011, depois de se destacar nas categorias de base. Naquele momento, o volante recebia cerca de R$ 700 mensais e começou a despertar o interesse de outros clubes.
O No Ataque relatou que Santos e Braga, de Portugal, apareceram como possibilidades para a sequência da carreira, mas o América optou por mantê-lo. A renovação elevou o salário para mais de R$ 10 mil por mês, valor superior a 14 vezes a remuneração anterior.

Parte das luvas recebidas naquele momento foi usada para comprar um carro popular. O investimento que mais afetou a rotina da família, porém, foi direcionado à residência dos pais, uma construção que avançava lentamente porque não havia recursos para concluir todas as etapas de uma vez.
Quando China decidiu assumir os custos restantes, o pai já havia passado 18 anos erguendo o imóvel. O ex-jogador descreveu aquela estrutura incompleta como o “esqueleto” da casa e contou que fez questão de financiar o que ainda precisava ser terminado.
A melhora financeira não levou à substituição do projeto por uma casa nova. O dinheiro recebido após a renovação permitiu completar o trabalho iniciado pelo pai, preservando uma obra que representava quase duas décadas de esforço e que dependia, até então, das possibilidades financeiras da família.
Da construção aos móveis
Depois de concluir a residência, China também reservou dinheiro para mobiliá-la. Como passava boa parte do tempo entre treinamentos, partidas e viagens, deixou a mãe e o irmão responsáveis pela escolha da maior parte dos móveis e eletrodomésticos.
Uma das poucas exigências surgiu de uma experiência no próprio ambiente do futebol. Durante uma visita à casa de Fábio Júnior, então companheiro de América, China viu uma geladeira grande, de duas portas, e decidiu que queria um modelo semelhante na residência dos pais.
O eletrodoméstico ficou marcado na lembrança do ex-volante porque aquele padrão de consumo não fazia parte da realidade familiar durante os anos em que a construção avançava aos poucos. Com o novo salário, a compra passou a caber no orçamento junto com a conclusão e a mobília do imóvel.
Ao relembrar o episódio, China afirmou ao No Ataque que “a geladeira está lá na casa dos meus pais até hoje”. A declaração foi dada anos depois da renovação que havia permitido ao jogador assumir os gastos com a residência.
Parte superior da casa ficou para o irmão
A organização do imóvel ganhou outra função quando o irmão de China formou a própria família. Na época em que a construção foi concluída, a cunhada esperava o primeiro filho, e o pavimento superior poderia ter sido alugado para outra pessoa.
China preferiu reservar o espaço para o irmão, a esposa e a criança, em vez de receber aluguel e deixar o casal assumir o custo de outra moradia. Os pais permaneceram na residência, enquanto o novo núcleo familiar passou a ocupar a parte superior da casa.
O dinheiro obtido depois da valorização salarial passou, assim, a atender mais de uma geração no mesmo endereço. A obra iniciada pelo pai deixou a condição de estrutura inacabada e ganhou espaço suficiente para receber também a família que o irmão começava a formar.
A fase que permitiu essa mudança coincidiu com um dos principais momentos esportivos de China no América. Depois de participar da Copa São Paulo de Futebol Júnior, ele recebeu oportunidades entre os profissionais e também integrou a equipe campeã do Campeonato Brasileiro Sub-20 de 2011.
A carreira como jogador terminou em 2018, aos 26 anos. Fora dos gramados, China investiu no setor de restaurantes e, posteriormente, voltou a se aproximar profissionalmente do futebol como intermediário de atletas, atividade sobre a qual falou ao No Ataque em 2024.
Na entrevista, ele afirmou que já trabalhava com alguns jogadores e havia cumprido os procedimentos exigidos para atuar como intermediário. A relação pública da CBF registra Fernando Lisboa Lopes entre os cadastrados, com publicação do registro em 28 de junho de 2024.
Ao relatar a situação familiar naquela mesma série de entrevistas, China informou que os pais, o irmão, a cunhada e os filhos do casal continuavam morando no imóvel cuja construção havia sido iniciada pelo pai e concluída após a valorização salarial no América.


