A residência ameaçada pela erosão em Wasque Point foi erguida sobre uma armação de aço e levada inteira, com porão e fundação, por plataformas sobre rodas que permitiram compensar diferenças de nível e executar a curva necessária até a nova posição.
Mover uma casa inteira sem desmontá-la exige transformar a construção, temporariamente, em uma única carga apoiada sobre uma estrutura capaz de distribuir peso e corrigir diferenças de nível. Foi essa solução usada em Chappaquiddick, ilha ligada a Martha’s Vineyard, em Massachusetts, para afastar da erosão costeira a residência de Richard e Jennifer Schifter.
O deslocamento ocorreu em 2013, quando a casa principal, com aproximadamente 8.300 pés quadrados, equivalentes a cerca de 770 metros quadrados, foi levada por 275 pés, quase 84 metros. O trajeto exigia ainda uma rotação de 15 graus até a nova posição no terreno.
-
Pedreiro passa sete anos reconstruindo sozinho antigo cinema de Pernambuco, reabre a sala aos 71 anos e, aos 81, ainda chega às 6h para cuidar do prédio e projetar filmes
-
Engenheiros, enfermeiros e outros profissionais brasileiros chegam ao Canadá com diploma e anos de experiência, mas descobrem que podem precisar provar novamente a própria qualificação e acabam trabalhando fora da área enquanto enfrentam meses de validação profissional
-
Mulher cava um canteiro no jardim de casa, vê algo brilhando no meio da terra e pensa que era apenas um pedaço de lata, mas descobre um anel de ouro 18 quilates com diamantes verdadeiros e uma esmeralda criada em laboratório que pode ter ficado enterrado ali por décadas
-
Mulher ganha US$ 1,336 milhão na loteria e pede o divórcio apenas 11 dias depois sem informar o prêmio ao marido, mas ele descobre o dinheiro dois anos mais tarde, reabre o processo e recebe por decisão judicial toda a parte que pertenceria à ex-esposa devido à ocultação
O Martha’s Vineyard Times informou que a construção pesava aproximadamente 1.600 toneladas e foi apoiada sobre 40 plataformas móveis, cada uma equipada com um macaco hidráulico com capacidade de 60 toneladas. Dessas unidades, 19 tinham propulsão própria para fornecer força ao conjunto durante o percurso.
Como a casa foi preparada para sair do lugar
Antes de qualquer movimento, a equipe precisou calcular o centro de gravidade e identificar onde o peso se concentrava. Paredes, lareiras, chaminés e outros elementos criavam cargas diferentes sobre a futura armação de transporte, o que impedia uma elevação uniforme feita apenas por apoios independentes.

A preparação começou com escavação ao redor e abaixo da fundação. Vigas de aço foram instaladas sob a residência e interligadas para formar uma estrutura temporária capaz de receber progressivamente o peso enquanto os apoios originais deixavam de sustentar a casa.
A complexidade aumentava porque o porão e a fundação também permaneceram integrados à construção. No nível inferior havia ainda uma sala de cinema e uma pista de boliche, componentes que precisavam atravessar a operação sem serem desmontados para aliviar a carga.
A escavação avançou cerca de seis pés abaixo do ponto mais baixo da fundação, pouco mais de 1,8 metro. Depois da instalação da armação, os macacos passaram a assumir a carga de maneira controlada até que houvesse espaço suficiente para inserir o sistema de transporte sob as vigas principais.
Uma máquina de elevação sincronizada possuía 60 saídas hidráulicas e permitia que diferentes pontos subissem na mesma velocidade. O recurso era importante porque uma área mais pesada não poderia avançar de maneira diferente das demais sem criar esforços adicionais sobre a estrutura.
A casa foi elevada em aproximadamente seis pés antes da instalação definitiva das plataformas. Novas vigas foram posicionadas sob o conjunto principal e, abaixo delas, entraram os equipamentos sobre rodas com seus respectivos macacos, transferindo o peso dos apoios provisórios para o sistema móvel.
Rodas permitiram executar o giro de 15 graus

A nova posição não ficava simplesmente em linha reta diante da antiga. Para chegar à fundação preparada, a residência precisava completar uma rotação de 15 graus, razão pela qual a equipe adotou plataformas sobre pneus em vez de um sistema convencional de deslocamento sobre trilhos.
As unidades autopropelidas forneciam a força necessária para movimentar o conjunto, enquanto a orientação das rodas era ajustada ao longo do percurso. Essa capacidade permitiu mudar gradualmente a direção da carga e executar a curva prevista sem obrigar toda a estrutura a seguir um eixo rígido.
Os macacos continuaram atuando durante o transporte e foram organizados em zonas de pressão comum. Se uma roda encontrasse uma depressão no caminho, o sistema podia compensar a diferença de altura sem transferir integralmente a irregularidade para a residência, ajudando a preservar o nivelamento.
O percurso de aproximadamente 84 metros começou no fim de junho e terminou no início de julho de 2013, ao longo de cerca de quatro dias entre o início da movimentação e a chegada ao destino. A distância era curta, mas exigia um caminho preparado para suportar uma carga de aproximadamente 1.600 toneladas.
O projeto não se restringiu à mansão. O Martha’s Vineyard Times registrou que uma casa de hóspedes de cerca de 150 toneladas foi deslocada com quatro plataformas, enquanto outra residência, com aproximadamente 90 toneladas, também utilizou quatro unidades durante a reorganização da propriedade.
A mudança foi motivada pelo avanço da erosão em Wasque Point, que vinha reduzindo a faixa de terreno entre as construções e o litoral. Em vez de desmontar a residência principal, o projeto buscou afastá-la fisicamente da área vulnerável, preservando o conjunto estrutural durante a transferência.
Quando a mansão alcançou a nova posição, o procedimento começou a ser revertido. Macacos e apoios temporários voltaram a sustentar a construção para permitir a retirada das plataformas e das vigas auxiliares, enquanto a casa era transferida gradualmente para os novos pontos de apoio.
O controle do movimento também apareceu no interior. Richard Schifter relatou ao Martha’s Vineyard Times que os quadros pendurados nas paredes continuaram no lugar depois da mudança, um sinal prático de que a residência atravessou o percurso sem variações bruscas capazes de deslocar esses objetos.
Meses depois, o Vineyard Gazette informou que a casa já estava cerca de 290 pés afastada do penhasco e que os trabalhos de recomposição da propriedade avançavam. Schifter também disse ao jornal que, além de pequenas fissuras superficiais posteriormente reparadas, nada havia quebrado durante a mudança.


