Uma Harley-Davidson de 1999 ganhou uma nova vida nas mãos de um estudante canadense de engenharia. Movida a óleo de batata frita reciclado, a moto virou símbolo de inovação sustentável, redução de emissões e questionamento sobre a dependência de veículos elétricos em um mundo que busca alternativas energéticas.
Um estudante canadense de engenharia decidiu transformar um ícone das estradas em um laboratório sobre rodas. Alex Jennison, da Universidade da Colúmbia Britânica, modificou uma Harley-Davidson Heritage Softail 1999 para funcionar com biodiesel feito a partir de óleo de cozinha usado.
A adaptação não se limita a uma curiosidade mecânica. Representa um experimento estudantil que coloca em debate alternativas reais ao modelo dominante de veículos elétricos.
A moto, equipada com um motor diesel de trator, conseguiu rodar mais de 1.900 quilômetros pela Costa Oeste dos Estados Unidos.
-
Foi o café do Brasil que financiou a criação do avião de Santos Dumont — entenda essa ligação marcante
-
9 milhões de piscinas olímpicas de gelo desaparecem a cada ano: mudanças nas monções aceleram o derretimento das geleiras
-
Apple pode aposentar sete dispositivos com a chegada do iPhone 17 — novo modelo será revelado oficialmente em setembro e deve mudar o futuro da marca
-
Por que Gates, Nvidia e Google estão investindo US$ 863 milhões na fusão nuclear da CFS e o que isso significa para a energia da era da IA
O combustível? Óleo vegetal reciclado, inclusive de batata frita. Segundo Jennison, a mensagem é clara: combustíveis limpos funcionam agora e podem fazer parte de uma transição energética justa.
O motor de trator dentro da Harley
O coração do projeto é um motor Kubota de três cilindros, originalmente usado em máquinas agrícolas. Doado pela fabricante japonesa, ele foi adaptado para aceitar biodiesel de óleo vegetal usado.
A Harley-Davidson foi escolhida justamente por permitir separar motor e câmbio, facilitando a instalação. A adaptação mostra que tecnologia simples pode oferecer soluções para reduzir emissões sem depender de baterias.
A equipe destaca que o foco não está apenas na customização de uma moto antiga. O objetivo é provar que há caminhos práticos para reduzir o impacto ambiental no transporte.
O projeto defende que não é preciso esperar décadas ou grandes avanços para aplicar soluções já disponíveis.
Menos poluição e menos resíduos
Os testes revelaram uma redução de até 74% nas emissões de dióxido de carbono em comparação com o diesel comum. Esses resultados, segundo os estudantes, estão alinhados com pesquisas internacionais e programas-piloto de frotas urbanas na Europa. Portanto, os números reforçam a viabilidade do biodiesel reciclado.
Além disso, há outro benefício direto: o uso de óleo de cozinha evita que resíduos cheguem a rios, esgoto ou solo.
Em vez de descartar restos de refeitórios universitários, o ciclo se fecha em forma de combustível. Assim, a iniciativa combina redução de emissões com gestão inteligente de resíduos.
Tecnologia pensada para climas frios
A Universidade da Colúmbia Britânica mantém uma frota de mais de 400 veículos. Foi com essa experiência prática que os envolvidos desenvolveram um biodiesel capaz de funcionar bem em climas frios. Isso é relevante porque biocombustíveis costumam apresentar problemas de solidificação em baixas temperaturas, comuns no Canadá.
A ideia, portanto, é ir além da motocicleta experimental. A tecnologia pode ser aplicada em veículos de uso intensivo, como caminhões de manutenção, tratores e máquinas de jardinagem. Em muitos desses casos, a eletrificação ainda não é viável por limitações técnicas ou econômicas.
Alternativa ao carro elétrico?
Jennison não nega que veículos elétricos têm vantagens. Porém, lembra que eles dependem de matérias-primas como lítio e cobalto.
A mineração desses elementos gera impactos ambientais severos e consequências sociais graves em países pobres. Crianças trabalhando em minas artesanais na República Democrática do Congo são um exemplo que ainda provoca debates internacionais.
O biodiesel reciclado, em contraste, usa resíduos locais, não exige mineração e pode ser produzido em pequena escala. Portanto, apresenta-se como alternativa complementar, especialmente em áreas onde a eletrificação ainda não faz sentido econômico.
Não se trata de uma solução única, mas de uma peça a mais no quebra-cabeça da transição energética.
Um futuro mais descentralizado
Ao pilotar sua Harley movida a óleo de batata frita, Jennison mostra que inovação pode nascer em oficinas improvisadas. O projeto estudantil chama atenção porque sugere um caminho descentralizado e acessível. Ele mostra que o futuro da energia limpa pode estar tão perto quanto uma fritadeira de restaurante universitário.