Grupo filipino mira megaterminal em Santos com investimento bilionário, dobrando estimativa oficial do governo. Disputa internacional aquece leilão portuário e projeta impacto estratégico no comércio exterior brasileiro.
O Grupo filipino International Container Terminal Services (ICTSI) anunciou disposição de investir US$ 2 bilhões no leilão do megaterminal Tecon Santos 10.
De acordo com a Revista Veja, o valor equivale ao dobro da estimativa apresentada pelo governo no edital. A oferta bilionária sinaliza intensa mobilização financeira em torno de um dos maiores ativos logísticos do país.
Porto de Santos bate recordes de movimentação
Os números que sustentam essa disputa são robustos. Em 2023, o Porto de Santos atingiu 173,3 milhões de toneladas movimentadas, recorde histórico e 6,7% acima do ano anterior.
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No primeiro semestre de 2025, o porto registrou o segundo melhor desempenho até então, com 88,3 milhões de toneladas, quase alcançando o recorde de 89,1 milhões de 2022.
Além disso, em julho de 2025, o complexo portuário superou pela primeira vez os 17 milhões de toneladas movimentadas em um único mês.
Relevância continental do Porto de Santos
A importância do Porto de Santos no cenário brasileiro e latino-americano é inequívoca.
Ele é o principal porto do Brasil, o maior da América Latina e está entre os maiores do mundo.
Sua operação tem impacto direto sobre cerca de 67% do PIB nacional, com destaque para São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Em comércio exterior, responde por aproximadamente 25% das exportações e importações do país. É também o principal terminal mundial de açúcar, suco de laranja e café em grão.
ICTSI: gigante internacional do setor portuário
A atuação da ICTSI reforça ainda mais a relevância do leilão. A empresa está entre os maiores operadores independentes de terminais portuários do mundo, com presença em seis continentes e mais de 30 terminais em quase 20 países.
Em rankings globais, aparece em oitavo lugar entre os operadores de terminais por volume de TEU.
A companhia também figura nas listas da Fortune Southeast Asia 500 e da Forbes Global 2000, com patrimônio financeiro robusto e expansão contínua.
Em 2022, foi reconhecida como a empresa mais destacada das Filipinas no setor de transporte, com prêmios por governança corporativa, responsabilidade social e relacionamento com investidores.
Esse histórico acrescenta legitimidade institucional à proposta de investimento em Santos.
Conforme destacou a Veja, a movimentação internacional no leilão pode reposicionar o Porto de Santos como um hub logístico continental de primeira grandeza.
Leilão em 2025 e regras em debate
O governo busca concluir o leilão ainda neste ano. O contrato do Tecon Santos 10 terá duração de 25 anos e prevê investimentos totais entre R$ 3,5 bilhões e mais de R$ 4 bilhões.
O montante inclui obras de infraestrutura, modernização do terminal e compensações socioambientais.
A oferta da ICTSI, de US$ 2 bilhões, amplia a disputa por um ativo considerado estratégico. No entanto, o processo não ocorre sem entraves.
A Maersk entrou com recurso pedindo mudanças nas regras, que impedem operadores já estabelecidos de participar da primeira fase, voltada apenas a novos entrantes ou a quem se disponha a vender operações existentes.
O pedido foi rejeitado por um juiz federal em julho de 2025.
As regras seguem em análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que avalia ajustes para garantir equilíbrio concorrencial e transparência.
Segundo a Revista Veja, esse cenário de disputas jurídicas pode atrasar algumas fases do processo, mas não deve comprometer a realização do leilão ainda em 2025.
Próximos passos: Porto de São Sebastião em 2026
Além do megaleilão de Santos, o governo já prepara outra rodada de investimentos.
Em 2026, será a vez do Porto de São Sebastião, que receberá novo terminal de contêineres com capacidade equivalente à metade do Tecon Santos 10.
O valor estimado de investimento é de R$ 1 bilhão. A iniciativa busca ampliar rotas logísticas, diversificar a estrutura portuária e reduzir a dependência de Santos como único grande polo do estado.
Você acredita que os investimentos estrangeiros em portos brasileiros representam uma oportunidade de modernização ou um risco de perda de protagonismo nacional na logística?