Em experimento com jovens choupos, pesquisadores observaram que a madeira de tensão passou a crescer do lado oposto do tronco curvado, ajudando as árvores a recuperar a forma reta mesmo sem orientação da luz ou da gravidade.
Árvores jovens conseguem perceber a curvatura do próprio tronco e ajustar seu crescimento para endireitá-lo. Em experimentos com choupos, pesquisadores observaram que a madeira de tensão passou a se formar no lado necessário para corrigir a dobra.
Madeira de tensão mudou de lado
A madeira de tensão é um tecido especializado que exerce força sobre o tronco à medida que se forma. A reportagem da SciTechDaily a compara a um “músculo”, mas a expressão é uma analogia: a correção ocorre por meio do crescimento da madeira.
Até então, esse tecido era descrito principalmente na parte superior de troncos inclinados, onde ajuda a puxá-los para cima. Isso, porém, não explica sozinho como uma árvore elimina a curva que pode permanecer depois que sua ponta volta a apontar para o alto.
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No estudo publicado em 2 de setembro na revista New Phytologist, pesquisadores do instituto francês INRAE e da Universidade Clermont Auvergne acompanharam tanto o movimento dos troncos quanto a formação de madeira de tensão durante essa correção.
Experimento retirou as pistas da luz e da gravidade
Primeiro, a equipe colocou jovens choupos na horizontal. A madeira de tensão se formou na parte superior dos troncos e os puxou para cima. Após cerca de dez dias, quando os caules já estavam curvados, os pesquisadores mudaram as condições do experimento.
As árvores foram transferidas para um aparelho que girava sobre um eixo horizontal, dentro de uma esfera iluminada de todas as direções. O arranjo impedia que usassem uma direção fixa da luz ou da gravidade como referência para orientar a correção.
Nas semanas seguintes, os troncos ficaram gradualmente retos. A análise da madeira recém-formada mostrou uma mudança decisiva: a produção de madeira de tensão cessou no lado que havia puxado os caules para cima e passou ao lado oposto da curva.
Essa nova formação exerceu força no sentido necessário para reduzir a dobra. Segundo os autores, o resultado oferece evidência direta de uma resposta ativa à curvatura do próprio tronco, e não apenas de um retorno passivo causado pela elasticidade da madeira.
O que a descoberta ajuda a explicar
A capacidade de perceber a posição ou a forma de partes do próprio corpo é chamada de propriocepção. Em plantas, ela ajuda a explicar como um caule regula sua postura além de responder à luz e à gravidade.
O estudo mostra que, nos choupos examinados, essa percepção participa do controle da formação de madeira de tensão. O mesmo tecido pode, portanto, puxar o tronco para cima em uma etapa e atuar no sentido oposto para endireitá-lo depois.
Os pesquisadores apontam que compreender essa coordenação pode contribuir para estudos sobre a qualidade da madeira: tensões internas excessivas podem prejudicá-la. A possível aplicação na seleção de plantas cultivadas que permaneçam eretas ainda é apresentada como uma perspectiva de pesquisa, não como resultado testado no experimento.
