Uma nova encomenda naval reúne construção na China, engenharia europeia, transporte de cargas espaciais e assistência eólica em uma embarcação ro-ro desenvolvida para operações especializadas e com entrega prevista para 2030.
A francesa Compagnie Maritime Nantaise (MN), subsidiária do grupo Sogestran, contratou o estaleiro Guangzhou Shipyard International (GSI), na China, para construir um novo navio ro-ro híbrido voltado principalmente ao transporte de cargas da indústria espacial europeia.
O contrato foi assinado em 21 de agosto de 2026, e a previsão divulgada pela companhia é que a embarcação seja entregue em 2030.
O projeto prevê capacidade para transportar satélites, veículos lançadores e outros equipamentos que exigem condições específicas durante a viagem marítima.
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Além da configuração voltada ao transporte especializado, o navio será equipado com um sistema de propulsão que combina equipamentos mecânicos com assistência eólica. Três velas rígidas automatizadas OceanWings farão parte da solução prevista para a embarcação.

Estaleiro chinês ficará responsável pela construção
O Guangzhou Shipyard International pertence à China State Shipbuilding Corporation (CSSC) e atua na construção de diferentes tipos de embarcações, incluindo navios ro-ro e ro-pax.
Segundo a Sogestran, a contratação ocorreu após um processo que envolveu consultas ao mercado, avaliações técnicas, visitas às instalações e negociações contratuais.
Com o acordo, o estaleiro chinês ficará responsável pela construção física da unidade. Empresas europeias, por outro lado, participam das etapas de projeto e desenvolvimento.
Knud E. Hansen e VPLP Design estão entre as companhias envolvidas no trabalho de engenharia naval.
A Knud E. Hansen informou que ficará responsável pelo desenvolvimento do projeto básico da embarcação, em cooperação com a Compagnie Maritime Nantaise, o estaleiro e outros participantes do programa.
Já a VPLP Design integra a equipe apresentada pela Sogestran e participa do desenvolvimento do conceito do navio.
Dessa forma, diferentes empresas assumem funções específicas no projeto, desde a arquitetura naval até a integração dos sistemas previstos para a operação. Os detalhes completos sobre a divisão contratual entre os fornecedores, porém, não foram divulgados.
Convés terá área específica para cargas espaciais
A configuração de carga é uma das características centrais do novo ro-ro. Conforme as informações divulgadas pela Sogestran, o navio terá um amplo convés ro-ro principal, um compartimento dedicado às cargas espaciais e uma área externa modular.
O espaço reservado aos equipamentos do setor espacial contará com condições ambientais controladas.
Esse recurso será utilizado durante o transporte de cargas que precisam permanecer dentro de parâmetros específicos ao longo da travessia.
No convés ro-ro, cargas compatíveis poderão ser movimentadas por rampas de acesso, uma característica comum desse tipo de embarcação. Já a área externa terá configuração flexível, permitindo adaptar o espaço a diferentes tipos e dimensões de equipamentos.
A Compagnie Maritime Nantaise já trabalha com transporte marítimo especializado e mantém operações relacionadas a cargas industriais, equipamentos de alto valor e logística do setor espacial.
O novo navio deverá ampliar essa capacidade dentro dos contratos mantidos pela empresa.

Operação estará ligada à logística espacial europeia
Entre as atividades previstas para a embarcação está o apoio ao transporte de equipamentos relacionados ao Vega-C, lançador produzido pela italiana Avio.
Compagnie Maritime Nantaise e Avio anunciaram em junho de 2026 um acordo estratégico de longo prazo envolvendo esse tipo de operação.
Pelo acordo divulgado pelas empresas, a MN ficará responsável durante cinco anos pelo transporte do Vega-C entre a Itália e o Centro Espacial da Guiana, em Kourou, na Guiana Francesa.
Sogestran e Avio também informaram que mantêm uma relação comercial há mais de 15 anos.
A nova embarcação foi associada pela Sogestran ao aumento das necessidades logísticas relacionadas a essas operações.
Além dos equipamentos do Vega-C, a companhia prevê utilizar o navio no transporte de satélites, outros equipamentos espaciais e, quando necessário, cargas de grandes dimensões relacionadas ao programa Ariane 6.
Marc-Antoine Girardet, presidente da divisão marítima do grupo Sogestran, afirmou que o projeto foi desenvolvido para atender às exigências dos clientes relacionadas a segurança, confiabilidade e flexibilidade logística.
Segundo o executivo, o contrato para o novo navio é resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de vários anos entre Sogestran, Compagnie Maritime Nantaise e Avio.
Três velas OceanWings vão auxiliar a propulsão
A configuração de propulsão prevista para o ro-ro combina o sistema mecânico principal com três velas rígidas automatizadas OceanWings.
Durante a navegação, a tecnologia será utilizada como assistência eólica, aproveitando as condições de vento disponíveis ao longo das rotas.
As velas não substituirão os motores da embarcação. O sistema funcionará de forma complementar à propulsão mecânica e fará parte de um conjunto mais amplo de medidas previstas para a operação do navio.
Segundo a Sogestran, o projeto também inclui otimização das formas do casco, planejamento meteorológico das rotas, automação de sistemas e compatibilidade com biocombustíveis.
A empresa ainda cita melhorias na eficiência da propulsão mecânica entre as soluções previstas.
Canopée já utiliza tecnologia semelhante
A OceanWings já possui aplicação no transporte marítimo ligado ao setor espacial.
O Canopée, navio ro-ro utilizado para transportar componentes do Ariane 6 entre a Europa e a Guiana Francesa, opera com quatro velas rígidas desenvolvidas pela empresa.

A VPLP Design também participou do desenvolvimento do Canopée, que possui cerca de 121 metros de comprimento.
A embarcação surgiu a partir de uma licitação lançada pelo ArianeGroup para estabelecer uma solução marítima voltada ao transporte de componentes do Ariane 6.
No novo ro-ro da Compagnie Maritime Nantaise, a configuração será diferente, com três unidades OceanWings integradas ao sistema de propulsão.
As empresas envolvidas ainda não divulgaram as dimensões das velas destinadas à nova embarcação.
A entrega do navio permanece prevista para 2030.
