Durante o eclipse solar total de 8 de abril de 2024, cidades dos Estados Unidos e do Canadá dentro da faixa de totalidade registraram queda nas vibrações do solo, revelando como a pausa momentânea de carros, obras e atividades urbanas deixou marcas detectáveis em sensores sísmicos.
O eclipse solar total de 8 de abril de 2024 provocou uma queda perceptível nas vibrações do solo em cidades dos Estados Unidos e do Canadá localizadas na faixa de totalidade. A mudança foi identificada em uma nova pesquisa apresentada na Reunião Anual da SSA de 2026, que apontou um breve silêncio sísmico urbano enquanto a Lua cobria completamente o Sol.
A observação partiu de Benjamin Fernando, sismólogo e cientista planetário da Universidade Johns Hopkins, que acompanhou o fenômeno em uma cidade de Ohio. Durante o evento, ele percebeu que o ambiente ficou subitamente silencioso e decidiu investigar se essa sensação também aparecia nos registros das estações sísmicas.
Eclipse solar reduziu vibrações em cidades na faixa de totalidade
A análise reuniu dados de várias centenas de estações sísmicas ao longo de abril de 2024. O objetivo foi verificar se a passagem do eclipse solar total havia provocado alguma alteração mensurável no ruído sísmico associado à atividade humana.
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Os resultados mostraram um padrão claro nas cidades situadas dentro da faixa de totalidade. Pouco antes do eclipse atingir seu pico, o ruído sísmico aumentou levemente, mas caiu de forma acentuada quando o Sol foi totalmente encoberto pela Lua.
Depois que a totalidade terminou, a atividade voltou a crescer. Os níveis de ruído subiram novamente e chegaram a ficar um pouco acima da média mensal registrada pelas estações analisadas.
Ruído sísmico urbano vem de carros, obras e aglomerações
Grande parte das vibrações de fundo captadas por instrumentos sísmicos tem origem na atividade humana. Construções, mineração, estradas movimentadas e grandes aglomerações, como shows e eventos esportivos, geram pequenas vibrações que se espalham pelo solo.
Durante o eclipse solar total, essa rotina urbana foi interrompida por alguns instantes nas cidades onde o fenômeno pôde ser visto por completo. Com menos carros nas ruas e pessoas reduzindo suas atividades diárias, o nível de vibração caiu a ponto de aparecer de forma clara nos dados sísmicos.
O comportamento não foi registrado em todos os lugares. Regiões rurais não apresentaram a mesma mudança, e cidades fora da faixa de totalidade também não tiveram alteração semelhante.
Fernando citou o caso de Nova York como exemplo dessa diferença. Mesmo com 97% de totalidade, a cidade não apresentou mudança perceptível nos registros sísmicos analisados.
Estudo descarta ligação entre eclipse solar e terremotos
Os dados também reforçam que não há evidências de que eclipses estejam ligados à ocorrência de terremotos. A pesquisa abordou a ideia de que o alinhamento entre Sol, Lua e Terra durante um eclipse poderia desencadear abalos sísmicos, mas os registros não sustentam essa hipótese.
Fernando afirmou que algumas pessoas insistem na narrativa de que eclipses causam terremotos. Para ele, os dados analisados oferecem mais um exemplo de que essa ligação não é verdadeira.
A redução observada durante o eclipse solar total está relacionada à queda temporária das atividades humanas nas cidades afetadas. O fenômeno registrado foi, portanto, um reflexo do comportamento das pessoas durante a totalidade, e não de uma ação direta do eclipse sobre a crosta terrestre.
Fenômeno lembra queda de ruído na pandemia
A pesquisa também comparou a redução do ruído sísmico durante o eclipse com outro momento de forte diminuição da atividade humana. Em 2020, durante os confinamentos da COVID-19, o ruído sísmico antropogênico caiu cerca de 50% entre março e maio.
No caso do eclipse solar total, a interrupção foi breve, mas suficiente para deixar uma assinatura nos instrumentos. As cidades dentro da faixa de totalidade ficaram momentaneamente mais silenciosas sob a superfície, revelando como mudanças rápidas na rotina urbana podem ser detectadas por sensores sísmicos.
