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Enquanto a Finlândia vê desempenho dos alunos cair em avaliações internacionais e tenta recuperar resultados com mudanças no ensino, países como o Brasil seguem se inspirando em seu modelo educacional

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Escrito por Felipe Alves da Silva Publicado em 19/04/2026 às 00:16 Atualizado em 19/04/2026 às 00:18
sala de aula moderna na Finlândia com alunos estudando
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Após anos como referência mundial, sistema educacional finlandês registra queda consistente em rankings globais e levanta questionamentos sobre mudanças recentes no ensino

Durante décadas, a Finlândia foi considerada um verdadeiro exemplo global em educação. Seu modelo, marcado por foco no bem-estar dos alunos, valorização dos professores e ausência de excesso de provas padronizadas, inspirou países ao redor do mundo — incluindo o Brasil. No entanto, esse cenário começou a mudar nos últimos anos.

A informação foi divulgada pelo “g1”, com base em entrevistas com especialistas e autoridades educacionais, incluindo o próprio ministro da Educação finlandês, Anders Adlercreutz, que reconheceu a queda nos resultados e admitiu: “Sinceramente, não sabemos o que aconteceu” .

Queda de desempenho acende alerta após anos no topo

Desde 2012, os resultados da Finlândia em avaliações internacionais como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) vêm apresentando uma queda consistente. Entre 2012 e 2022, o desempenho dos alunos caiu mais de 20 pontos em disciplinas como matemática, leitura e ciências .

Além disso, o país deixou de figurar entre os líderes globais. Em matemática, por exemplo, saiu do TOP 10 já em 2012. Em leitura, em 2022, ficou atrás até dos Estados Unidos — um dado que chamou atenção internacionalmente .

No exame Timss de 2023, a situação também preocupa: a Finlândia ficou apenas na 15ª posição em matemática entre alunos do 8º ano, atrás de diversos países asiáticos e europeus .

Mudanças no modelo educacional podem explicar a queda

Diante desse cenário, especialistas apontam algumas mudanças importantes no sistema educacional finlandês. Uma delas é a maior flexibilização do currículo, com foco em ensino interdisciplinar e projetos integrados.

Embora esse modelo estimule criatividade e pensamento crítico — habilidades valorizadas no mundo moderno — ele pode ter impactado negativamente o desempenho em testes tradicionais, que exigem conhecimento mais direto e específico.

Por isso, o governo decidiu agir. Entre as medidas adotadas está o aumento da carga horária de disciplinas fundamentais, como matemática e leitura, especialmente nas séries iniciais .

Uso excessivo de tecnologia entra no radar

Outro fator que passou a ser investigado é o impacto da digitalização nas escolas. Nos últimos anos, a Finlândia investiu fortemente no uso de tecnologia em sala de aula, incentivando atividades digitais, redes sociais e ferramentas interativas.

No entanto, especialistas alertam que o uso excessivo de dispositivos pode ter efeitos negativos, como:

  • distração durante as aulas
  • redução do hábito de leitura
  • problemas de concentração
  • prejuízos ao sono

Diante disso, uma das medidas mais recentes foi a proibição do uso de celulares em sala de aula, em uma tentativa de recuperar o foco dos estudantes .

Desigualdade crescente também influencia resultados

Além das mudanças pedagógicas, fatores sociais também passaram a impactar o desempenho escolar. A Finlândia, historicamente conhecida por sua igualdade social, enfrenta hoje um aumento da desigualdade.

O índice de Gini, que mede a concentração de renda, subiu de 22 em 1996 para 26,6 em 2022 . Embora ainda seja baixo em comparação com países como o Brasil, esse aumento já traz reflexos na educação.

Outro ponto relevante é o crescimento da imigração. A proporção de alunos imigrantes passou de 1,2% em 2000 para 6,8% em 2022, grupo que, em média, apresenta maior dificuldade de adaptação e aprendizado devido à barreira do idioma .

Cortes de investimento e impacto no suporte escolar

O sistema também sofreu com cortes de investimento ao longo dos anos. Após crises econômicas, houve redução de até 25% nos gastos públicos com educação, além da diminuição de recursos destinados a bibliotecas e programas de apoio .

Como consequência, escolas passaram a:

  • aumentar o número de alunos por turma
  • reduzir profissionais de apoio
  • limitar programas de recuperação escolar

Isso afetou diretamente o suporte oferecido a alunos com dificuldades, que era um dos pilares do sucesso finlandês.

O que a Finlândia está fazendo para tentar reverter a situação

Diante dos desafios, o país já começou a implementar mudanças estratégicas para recuperar sua posição de destaque.

Entre as principais ações estão:

  • proibição de celulares em sala de aula
  • aumento da carga horária de matemática e leitura
  • manutenção do ensino por projetos, mas com maior equilíbrio
  • reforço no apoio a alunos com dificuldades
  • discussão sobre novos investimentos na educação

A ideia é encontrar um ponto de equilíbrio entre inovação e tradição, mantendo as características modernas do ensino sem comprometer o aprendizado básico.

Um alerta global para países que seguem o modelo

O caso da Finlândia levanta um questionamento importante: até que ponto mudanças no modelo educacional podem impactar os resultados no longo prazo?

Países como o Brasil, que se inspiraram em diversos aspectos do sistema finlandês, agora observam atentamente essa transição. Afinal, o que antes era considerado referência absoluta passa a enfrentar desafios reais.

Portanto, mais do que uma crise isolada, o cenário atual da Finlândia serve como um alerta global — mostrando que até os modelos mais bem-sucedidos precisam se adaptar constantemente às mudanças sociais, tecnológicas e econômicas.

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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