1. Início
  2. Curiosidades
  3. Enquanto a Mata Atlântica perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação madura em 41 anos, a agricultura ganhou 11 milhões, e a soja passou a ocupar área 4,6 vezes maior que em 1985
Faça um comentário 4 min de leitura

Enquanto a Mata Atlântica perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação madura em 41 anos, a agricultura ganhou 11 milhões, e a soja passou a ocupar área 4,6 vezes maior que em 1985

Imagem de perfil do autor Alisson Ficher
Escrito por Alisson Ficher Publicado em 22/09/2026 às 18:21 Atualizado em 22/09/2026 às 18:25
Google News
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Um em cada quatro hectares de vegetação nativa existente no bioma em 2025 correspondia a áreas regeneradas após desmatamento desde 1985; nos cinco anos mais recentes da série, 60% da supressão atingiu justamente esse tipo de vegetação.

A recuperação de áreas anteriormente desmatadas tornou-se parte relevante da cobertura atual da Mata Atlântica, mas não eliminou novas perdas. Em 2025, um em cada quatro hectares de vegetação nativa do bioma correspondia a áreas que voltaram a crescer depois de terem sido desmatadas desde 1985.

Os dados foram divulgados pelo MapBiomas na segunda-feira (21), Dia da Árvore, e fazem parte da Coleção 11 dos mapas anuais de cobertura e uso da terra do Brasil. A série acompanha as transformações ocorridas entre 1985 e 2025.

No período, a Mata Atlântica perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação madura, classificação que reúne as áreas mantidas como vegetação nativa desde o início do levantamento. Em sentido oposto, mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária se estabeleceram em terrenos anteriormente desmatados.

Regeneração também sofre novas perdas

A presença crescente da vegetação secundária mudou a composição das áreas nativas, mas essas formações também passaram a concentrar parte importante da supressão recente. Entre 2021 e 2025, foram eliminados 1,2 milhão de hectares de vegetação nativa na Mata Atlântica.

Desse total, 700 mil hectares eram de vegetação secundária e 500 mil de vegetação madura. Com isso, 60% da supressão registrada nesses cinco anos atingiu áreas que já haviam passado por regeneração.

A série mostra, ao mesmo tempo, redução da supressão de vegetação nativa em comparação com os primeiros períodos analisados. A partir dos anos 2000, a área perdida ficou abaixo de 2 milhões de hectares em cada intervalo de cinco anos considerado pelo levantamento.

Rio de Janeiro e São Paulo foram os únicos estados que não apresentaram perda de vegetação nativa no saldo acumulado dos 41 anos, de acordo com os dados divulgados pelo MapBiomas.

A coordenadora técnica da Mata Atlântica do MapBiomas, Natália Crusco, ressaltou a função das áreas recuperadas. “A regeneração tem papel fundamental na recuperação da Mata Atlântica, seja por meio da restauração ou da recuperação natural de áreas degradadas”, afirmou em declaração reproduzida pela Agência Brasil.

Natália também apontou a necessidade de evitar novas perdas tanto de vegetação madura quanto secundária, especialmente diante da fragmentação e da pressão histórica da ocupação humana. Presente em 15 estados, a Mata Atlântica é considerada patrimônio nacional pela Constituição Federal.

Agricultura avança sobre área antes ocupada por pastagens

Em 2025, a vegetação nativa ocupava 32% da Mata Atlântica, enquanto a agropecuária respondia por 63% do território mapeado. A agricultura alcançou aproximadamente 20,5 milhões de hectares depois de ganhar cerca de 11 milhões de hectares ao longo da série.

Parte importante dessa expansão ocorreu em áreas anteriormente usadas como pastagens. Entre 1985 e 2025, as pastagens perderam aproximadamente 11 milhões de hectares, e a conversão de pastagem para agricultura respondeu por 19% das mudanças de cobertura e uso da terra registradas entre o início e o fim do período.

A soja apresentou um dos maiores avanços entre as culturas identificadas pelo levantamento. Sua área cresceu 8,7 milhões de hectares em 41 anos e chegou a 11,11 milhões de hectares em 2025, equivalente a 4,6 vezes a extensão registrada em 1985.

A cana-de-açúcar ganhou 5 milhões de hectares no mesmo intervalo e alcançou 6,15 milhões de hectares, área 5,3 vezes superior à existente no início da série.

A participação da Mata Atlântica na produção agrícola mapeada no país também aparece na distribuição das culturas. Em 2025, o bioma concentrava 25% da área de soja do Brasil, 50% da cana-de-açúcar, 68% do café, com 833 mil hectares, e 34% do citrus, com 141 mil hectares.

Silvicultura e urbanização também ganharam espaço

A silvicultura aumentou 3,8 milhões de hectares desde 1985 e chegou a 4,9 milhões de hectares em 2025. Naquele ano, metade de toda a área de silvicultura mapeada no Brasil estava situada na Mata Atlântica.

Paraná e Santa Catarina concentravam 46% da área de silvicultura existente no bioma. O levantamento também identificou crescimento da urbanização, cuja extensão ficou 2,5 vezes maior entre 1985 e 2025.

As áreas urbanizadas ganharam 1,3 milhão de hectares no período e atingiram 2,3 milhões de hectares. Em 2025, 52% de toda a área urbanizada mapeada no Brasil estava na Mata Atlântica.

Mesmo com essa concentração, mais de 80% dos municípios inseridos no bioma tinham menos de mil hectares urbanizados. Apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba superavam 30 mil hectares, enquanto os maiores aumentos absolutos de área urbanizada em 41 anos foram registrados em São Paulo, Paraná e Minas Gerais.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x