Descoberta em Gragnano reúne 85 sepultamentos, tecidos, cestos, armas, joias e objetos estrangeiros que ajudam pesquisadores a investigar rituais funerários, comércio, saúde e cotidiano de populações da Campânia no século 6 a.C., há 2,5 milênios
Uma necrópole de Gragnano com cerca de 2,5 mil anos foi encontrada durante a expansão da fábrica Pastificio Garofalo, no sul da Itália. O sítio reúne 85 sepultamentos, armas, joias, cerâmicas e raros materiais orgânicos, oferecendo novas evidências sobre rituais funerários e trocas comerciais no Mediterrâneo.

Necrópole de Gragnano apareceu durante expansão de fábrica
A descoberta ocorreu sob as instalações da tradicional fabricante de massas, na cidade de Gragnano, região da Campânia.
As obras eram acompanhadas pelo programa italiano de arqueologia preventiva, voltado à identificação de vestígios antes de grandes intervenções.
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O sítio pertence ao período Arcaico e foi datado do século 6 a.C. Segundo as autoridades responsáveis pela escavação, o conjunto está entre as descobertas arqueológicas mais importantes realizadas na Campânia nos últimos anos.
Ao todo, foram identificados 85 sepultamentos. As estruturas e os objetos encontrados ajudam a reconstruir práticas funerárias, técnicas artesanais e aspectos do cotidiano das populações que viviam na região há aproximadamente 2,5 mil anos.

Necrópole encontrada: Tecidos, cestos e madeira sobreviveram ao tempo
Entre os artefatos estão vasos de cerâmica, armas, joias de bronze e peças de âmbar. A escavação também revelou tecidos, cestos feitos com fibras trançadas e objetos de madeira, materiais que normalmente desaparecem com a decomposição.
Segundo o ArtNews, a preservação desses itens orgânicos é considerada extraordinária. Eles estavam protegidos em câmaras funerárias construídas com blocos de tufo vulcânico, rocha comum na região da Campânia.
O ambiente fechado das sepulturas reduziu a deterioração dos materiais. Com isso, os arqueólogos poderão analisar técnicas de produção e objetos ligados à vida diária que raramente permanecem preservados em sítios arqueológicos desse período.

Objetos revelam conexões pelo Mediterrâneo
De acordo com o Heritage Daily, a necrópole de Gragnano também continha objetos originários de áreas distantes.
Entre eles estão escaravelhos egípcios e artefatos etruscos encontrados junto aos sepultamentos.
A presença dessas peças indica que Gragnano participava de uma rede de trocas comerciais e culturais pelo Mediterrâneo.
O material mostra contatos entre populações nativas da Campânia, comunidades etruscas e colônias gregas estabelecidas no sul da Península Itálica.
Essas conexões ajudam a explicar a variedade de objetos reunidos nas câmaras funerárias. O conjunto oferece evidências materiais de um período marcado pela circulação de mercadorias, práticas e influências culturais entre diferentes povos.
Análises poderão revelar dieta, saúde e mobilidade
Os artefatos e restos humanos continuam sendo analisados. Os pesquisadores esperam obter informações sobre alimentação, saúde, mobilidade e condições de vida dos indivíduos enterrados no local.
Os estudos também poderão esclarecer como a comunidade estava organizada, quais costumes adotava nos funerais e quais relações comerciais mantinha.
A descoberta ainda destaca o papel das escavações preventivas na proteção de vestígios arqueológicos encontrados durante obras.
Esta matéria foi elaborada com base em informações de ArtNews e Heritage Daily, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
