Operação realizada em 2012 deslocou o antigo prédio administrativo da fábrica de máquinas MFO, com 80 metros de comprimento. Pilares de aço, placa de concreto, vagões especiais e prensas hidráulicas permitiram mover o prédio de 6.200 toneladas para liberar espaço aos trilhos 7 e 8 da estação Oerlikon, em Zurique.
Engenheiros deslocaram um prédio de 6.200 toneladas por 60 metros em Oerlikon, distrito industrial de Zurique, na Suíça, para evitar sua demolição e liberar o espaço necessário à ampliação ferroviária. A operação começou em 22 de maio de 2012 e terminou depois de aproximadamente 19 horas.
As informações foram publicadas pela SWI swissinfo.ch em 23 de maio de 2012 e complementadas por um comunicado da Prefeitura de Zurique de 23 de março de 2011. O edifício administrativo da antiga fábrica Maschinenfabrik Oerlikon foi transportado inteiro até um novo terreno.
Novos trilhos colocaram edifício histórico no caminho

A ampliação da estação de Oerlikon previa a construção dos trilhos 7 e 8 no terreno ocupado pelo antigo prédio administrativo. Como a estrutura bloqueava o traçado planejado, a solução inicial considerada pelas empresas envolvidas era derrubá-la.
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O edifício, porém, não era apenas mais uma construção antiga próxima da ferrovia. Erguido em 1889, ele representava um dos últimos vestígios preservados da história industrial de Zurique Norte, região profundamente transformada pela expansão urbana.
Fábrica ajudou a construir identidade industrial de Oerlikon
A Maschinenfabrik Oerlikon começou suas atividades no século XIX e produziu máquinas-ferramenta, armamentos e locomotivas elétricas. Ao longo das décadas, a indústria contribuiu para transformar Oerlikon em um importante polo de fabricação e desenvolvimento tecnológico.
O prédio administrativo de tijolos permaneceu como testemunho visível desse período depois que grande parte do complexo industrial desapareceu. Sua preservação passou a ser associada à memória do bairro, e não apenas ao valor arquitetônico isolado da construção.
Moradores reagiram ao anúncio de demolição

Quando a então proprietária ABB anunciou que o edifício precisaria ser demolido, moradores organizaram uma petição para impedir a destruição. O movimento destacou o significado cultural do imóvel e pressionou autoridades e empresas a procurar outra saída.
A mobilização levou a Prefeitura de Zurique, as Ferrovias Federais Suíças, a ABB e a Swiss Prime Site a discutir uma solução alternativa. Em vez de alterar o projeto ferroviário ou desmontar o imóvel, o grupo passou a estudar a possibilidade de transportar toda a estrutura em uma única peça.
Estudo verificou se deslocamento seria possível
A Prefeitura de Zurique encomendou em 2008 uma análise de viabilidade para avaliar os riscos técnicos e econômicos. O estudo concluiu que o deslocamento poderia ser realizado, desde que o prédio recebesse uma nova base capaz de distribuir seu peso durante o movimento.
A conclusão abriu caminho para mudanças urbanísticas, cessão de terrenos e definição das responsabilidades financeiras. Mover o prédio de 6.200 toneladas deixou de ser apenas uma proposta defendida pelos moradores e passou a integrar oficialmente o plano de expansão da estação.
Preparação começou dez meses antes da viagem
A movimentação exigiu aproximadamente dez meses de intervenções no terreno e na parte inferior do edifício. Antes que qualquer deslocamento começasse, os engenheiros precisaram separar a estrutura de suas fundações originais sem comprometer paredes, pisos e cobertura.
Esse processo ocorreu gradualmente para impedir deformações e concentrações perigosas de peso. Cada etapa precisava manter o prédio estável enquanto os apoios antigos eram substituídos pelo sistema que permitiria sua movimentação.
Paredes do porão foram substituídas por pilares de aço

As paredes estruturais do porão transmitiam o peso do edifício diretamente às antigas fundações. Para liberar a construção, elas foram substituídas por pilares metálicos dimensionados para sustentar a carga durante a preparação e o transporte.
Os pilares criaram pontos controlados de apoio sob a estrutura. Dessa forma, o peso poderia ser transferido para uma nova base sem depender das paredes inferiores que mantinham o imóvel preso ao local original.
Placa de concreto virou base para os trilhos
Depois da transferência de carga, uma grande placa de concreto foi construída sob o edifício. A plataforma funcionou como uma fundação temporária e rígida, capaz de manter o conjunto unido durante os 60 metros de deslocamento.
Sobre essa placa, os engenheiros instalaram trilhos paralelos que orientariam a direção do movimento. O próprio prédio passou a funcionar como uma carga ferroviária gigantesca, apoiada em um sistema projetado exclusivamente para aquele percurso.
Vagões especiais receberam toda a estrutura
O edifício foi colocado sobre veículos especiais capazes de distribuir milhares de toneladas ao longo dos trilhos. Esses suportes reduziram o risco de sobrecarga concentrada e permitiram que a construção avançasse lentamente sem inclinações bruscas.
O sistema precisava sustentar um imóvel de aproximadamente 80 metros de comprimento e 12 metros de largura. Qualquer diferença de altura entre os pontos de apoio poderia provocar fissuras ou deformações, exigindo controle constante durante toda a operação.
Prensas hidráulicas produziram o movimento
A força para deslocar o prédio de 6.200 toneladas veio de prensas hidráulicas. Os equipamentos empurravam a base em pequenos intervalos, fazendo com que os vagões avançassem gradualmente pelos trilhos instalados sob a construção.
A velocidade média foi de cerca de quatro metros por hora. O ritmo reduzido permitia verificar alinhamento, estabilidade e comportamento estrutural antes de cada novo avanço, evitando que a inércia de uma movimentação rápida comprometesse o controle.
Percurso de 60 metros levou aproximadamente 19 horas
A operação começou às 11h de 22 de maio de 2012. Durante as horas seguintes, equipes acompanharam o deslocamento enquanto o edifício avançava lentamente em direção ao terreno localizado a oeste de sua posição original.
A estrutura chegou ao novo local às 16h03 do dia seguinte. Foram aproximadamente 19 horas para percorrer apenas 60 metros, distância curta para uma pessoa, mas incomum para uma construção centenária transportada sem ser dividida em blocos.
Edifício permaneceu inteiro durante a mudança

Ao contrário de uma desmontagem convencional, paredes externas, janelas, pisos e cobertura permaneceram unidos. A preparação ocorreu principalmente na base e no porão, onde foram instalados os componentes necessários para sustentar e movimentar o conjunto.
O objetivo não era reconstruir uma réplica em outro terreno, mas preservar o próprio imóvel. O prédio de 6.200 toneladas chegou ao destino mantendo sua identidade material, incluindo os elementos históricos que justificaram a campanha contra a demolição.
Operação foi apontada como a maior do tipo na Europa
A SWI swissinfo.ch classificou o deslocamento como a maior operação desse gênero realizada na Europa até então. A combinação entre massa, dimensões, idade da estrutura e distância percorrida colocou o projeto entre os movimentos de edifícios mais complexos do continente.
O feito não dependeu de uma única máquina extraordinária. O resultado surgiu da integração entre cálculo estrutural, hidráulica, fundações temporárias, logística ferroviária e monitoramento, com cada sistema cumprindo uma função específica.
Projeto custou mais de 10 milhões de francos suíços
Antes da operação, a Prefeitura de Zurique informou que os custos do deslocamento superariam 10 milhões de francos suíços. A Swiss Prime Site, proprietária do novo terreno e futura dona do imóvel, assumiu a maior parte das despesas relacionadas à mudança.
A administração municipal também cedeu áreas e participou dos riscos financeiros para tornar o plano possível. O investimento foi considerado tecnicamente e economicamente justificável diante da possibilidade de conciliar a expansão ferroviária com a preservação do patrimônio.
Ampliação ferroviária continuou sem apagar o passado
Depois que o edifício deixou sua posição original, o espaço ficou disponível para a implantação dos novos trilhos da estação de Oerlikon. Assim, a infraestrutura ferroviária pôde avançar sem que o último marco industrial relevante do local fosse destruído.
A solução não obrigou a cidade a escolher entre mobilidade e memória urbana. O projeto reorganizou o espaço para permitir que a ferrovia e o edifício histórico permanecessem no mesmo bairro, embora em posições diferentes.
Prédio deslocado tornou-se parte da engenharia suíça
A operação mostrou que construções antigas podem ser preservadas mesmo quando ocupam áreas necessárias a novos projetos. Isso exige, porém, estudos detalhados, recursos financeiros e espaço disponível para receber a estrutura em outro ponto.
O caso de Oerlikon também revela que a demolição nem sempre é a única resposta para conflitos urbanos. Você considera justificável gastar milhões para mover um edifício histórico inteiro ou acredita que os recursos deveriam ser usados em outras obras? Deixe sua opinião nos comentários.

