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Em dois anos de noites e fins de semana, uma avó aposentada converteu com o marido um ônibus escolar de 66 lugares de 1997 numa casa com cama de casal e cozinha completa, para acampar com o cachorrão

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 29/07/2026 às 00:03 Atualizado em 29/07/2026 às 00:13
Casal levou dois anos convertendo um ônibus escolar de 66 lugares de 1997 em casa com cama de casal e cozinha. O motivo da troca foi a pastora-alemã.
Casal levou dois anos convertendo um ônibus escolar de 66 lugares de 1997 em casa com cama de casal e cozinha. O motivo da troca foi a pastora-alemã.
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O motivo da troca foi a cadela. A pastora-alemã de 32 quilos mal conseguia se virar dentro do micro-ônibus anterior. Com 1,55 metro, ela dirigiu as 12 toneladas de volta para casa e chegou com a perna direita dolorida de tanto esticar para alcançar o pedal.

Dawn Murphy, moradora de Spencer, no estado americano de Indiana, comprou por 5 mil dólares um ônibus escolar Carpenter de 1997, com capacidade original para 66 passageiros e 12 metros de comprimento, e passou os dois anos seguintes transformando o veículo em casa sobre rodas ao lado do marido, Mark. O caso foi contado pela repórter Laura Lane na coluna My Favorite Ride, do jornal The Herald-Times.

O resultado tem cama de casal, cozinha completa com pia de tamanho normal, geladeira e fogão a gás, piso de tábua corrida e janelas com película que permite ver de dentro para fora sem que ninguém veja o contrário. Não há banheiro a bordo, e o casal resolve isso frequentando campings que oferecem chuveiro e sanitário.

O motivo da troca foi a cadela

Casal levou dois anos convertendo um ônibus escolar de 66 lugares de 1997 em casa com cama de casal e cozinha. O motivo da troca foi a pastora-alemã.
Casal levou dois anos convertendo um ônibus escolar de 66 lugares de 1997 em casa com cama de casal e cozinha. O motivo da troca foi a pastora-alemã.

A decisão de comprar um veículo maior não teve nada a ver com conforto humano. Teve a ver com uma pastora-alemã.

O primeiro projeto de Dawn foi um micro-ônibus com apenas cinco janelas de cada lado. Ela usava o veículo para viagens curtas de acampamento e estava satisfeita com ele.

O problema aparecia quando a companhia aumentava. O marido tem 1,83 metro e sobrava pouco espaço para circular. Stella, a schnauzer de 10 quilos, se virava bem, mas Mae, a pastora-alemã de 32 quilos, mal conseguia girar o corpo dentro do micro-ônibus.

Com os dois cachorros e o marido a bordo, ficava apertado. Foi por causa do espaço de que a cadela precisava que Dawn saiu à procura de um ônibus escolar maior.

Cinco mil dólares e uma primeira viagem dolorida

A busca terminou com um homem que havia arrematado dois veículos em leilão e precisava apenas de um.

O casal dirigiu até uma cidade pequena perto de Jasper, examinou o ônibus e fechou negócio na hora, por 5 mil dólares. O motivo da confiança estava no estado: carroceria firme, pneus com boa banda de rodagem, motor bem mantido durante os anos de transporte escolar e espaço de sobra para Mae. O odômetro marcava cerca de 200 mil quilômetros, e os bancos de passageiro já haviam sido retirados pelo dono anterior.

A primeira viagem coube a ela. Dawn dirigiu o veículo vazio até Spencer por estradas sinuosas de pista simples no sul de Indiana, porque, afinal, o ônibus era dela.

O detalhe físico complica a cena. Dawn tem 1,55 metro de altura, e ao chegar em casa estava com a perna direita dolorida de tanto esticá-la e baixar o quadril para alcançar o acelerador e o freio. O marido já brincou com a ideia de instalar blocos de madeira nos pedais, solução que faz sentido justamente porque ele não dirige o veículo.

Quem fez o quê dentro do projeto

Casal levou dois anos convertendo um ônibus escolar de 66 lugares de 1997 em casa com cama de casal e cozinha. O motivo da troca foi a pastora-alemã.
Casal levou dois anos convertendo um ônibus escolar de 66 lugares de 1997 em casa com cama de casal e cozinha. O motivo da troca foi a pastora-alemã.

Vale detalhar a divisão de trabalho, porque ela costuma se perder nas versões resumidas dessa história.

Mark trocou e calafetou todas as janelas e isolou os painéis laterais antes de levantar as paredes. Ele também é o mecânico do ônibus, e afirma que o motor pega de primeira todas as vezes. Depois de trazerem o veículo para casa, ele trocou os fluidos e nada mais precisou ser feito.

Dawn escolheu o acabamento e conduziu o projeto. As bancadas da cozinha em pedra saíram de uma loja de Spencer, escolha dela para dar acabamento melhor ao ambiente, ao lado da geladeira e do fogão a gás.

A reportagem descreve o processo com uma expressão específica: eles trabalharam lado a lado para transformar o veículo de 27 anos. As noites depois do expediente e o tempo livre dos fins de semana foram consumidos pela obra ao longo de dois anos.

Vale registrar uma pequena inconsistência no material de origem. O texto informa que as bancadas são de quartzo, enquanto a legenda de uma das fotos descreve o mesmo item como granito.

O que tem dentro dos 12 metros

O inventário do que foi instalado ajuda a entender que tipo de moradia é essa.

Na traseira ficou a cama de casal, posicionada entre mesas laterais que também funcionam como armários de armazenamento. O piso é de tábua corrida ao longo de toda a extensão.

A cozinha reúne pia de tamanho normal, bancada em pedra, geladeira e fogão a gás, configuração mais próxima de uma cozinha residencial do que de uma kitchenette de motorhome.

A ausência mais notável é o banheiro. Não há sanitário nem chuveiro a bordo, decisão que economiza espaço, elimina a necessidade de tanques de água limpa e residual e simplifica bastante a instalação hidráulica, ao custo de restringir os destinos possíveis a campings estruturados.

Uma noite sozinha na floresta estadual

Casal levou dois anos convertendo um ônibus escolar de 66 lugares de 1997 em casa com cama de casal e cozinha. O motivo da troca foi a pastora-alemã.
Casal levou dois anos convertendo um ônibus escolar de 66 lugares de 1997 em casa com cama de casal e cozinha. O motivo da troca foi a pastora-alemã.

O episódio que melhor resume o resultado do projeto aconteceu quando o marido viajou para pescar.

Dawn pegou o ônibus, levou os dois cachorros e foi acampar sozinha por uma noite na Floresta Estadual Owen-Putnam. Acendeu uma fogueira e preparou um bife com cogumelos e cebola em uma frigideira de ferro sobre as brasas.

O relato dela sobre a noite é simples e direto: sentiu-se segura e feliz ali, sob as estrelas, com um ônibus escolar bonito onde podia se recolher para dormir.

É esse o uso que justifica dois anos de obra. Não se trata de vida nômade em tempo integral nem de moradia permanente, e sim de um veículo de acampamento que permite sair de casa com os cachorros sem depender de reserva de hotel ou de barraca no chão.

O que ainda falta e o plano que pode mudar tudo

O projeto não está terminado, e há decisões pendentes.

Dawn quer pintar o veículo, que segue amarelo, na cor azul empoeirado, com uma cena de montanha ocupando o terço traseiro da carroceria. O ônibus também ainda não tem nome, e ela cogita batizá-lo de Shenandoah.

Existe, porém, uma hipótese que pode encerrar a história. Ela chegou a considerar vender o veículo para financiar a restauração de uma picape Ford de 1951 que comprou no ano anterior.

O repórter que a entrevistou registrou ceticismo quanto a isso, duvidando que ela conseguisse se desfazer do ônibus. Não localizei nenhuma publicação posterior informando se a venda aconteceu, se a pintura foi feita ou se o nome foi escolhido.

O que fica dessa história

Cinco mil dólares em um veículo de 200 mil quilômetros, dois anos de noites depois do trabalho, uma motorista de 1,55 metro dirigindo 12 metros de ônibus e uma pastora-alemã como motivo de tudo. A conversão de Spencer não é projeto de influenciador nem plano de largar tudo: é oficina de fim de semana virando casa de acampamento.

E você, encararia um projeto desses? Dois anos trabalhando toda noite depois do expediente para transformar um ônibus escolar em casa parece prazer ou parece castigo? Você abriria mão de banheiro a bordo para ganhar espaço e simplificar a instalação, ou isso é inegociável? E mais: qual é o projeto mais longo que você já tocou em casa, e ele chegou a ficar pronto? Comente aí, principalmente se você mexe com marcenaria, elétrica ou reforma e sabe quanto tempo cada etapa realmente leva.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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