Aos 64 anos, um americano que cresceu às margens do rio Mobile trocou a moto que usaria para atravessar o país com o filho por um casco de barco usado. Virou uma casa flutuante de 10,4 metros quadrados, e o aluguel na marina custa US$ 280 mensais, com água, luz, chuveiro e lavanderia inclusos.
Arthur passou a infância às margens do rio Mobile, no Alabama, e nunca abandonou a ideia de voltar para a água quando se aposentasse. O plano tinha até roteiro pronto, uma travessia dos Estados Unidos de moto ao lado do filho, marcada para quando ele completasse 62 anos. A viagem não aconteceu, e a Harley que faria o percurso acabou vendida por US$ 15 mil. Foi esse dinheiro que financiou a compra de um casco de barco por US$ 7,5 mil e a transformação dele em uma casa flutuante de pouco mais de 10 metros quadrados, hoje atracada em uma marina no rio Tennessee. Ele contou a história em vídeo publicadopela Kirsten Dirksen, no YouTube, mostrando o interior do barco e apresentando um vizinho de doca que fez escolha parecida.
O custo dessa vida é o que mais provoca reação em quem assiste. Na marina, Arthur paga US$ 280 por mês, valor que inclui água, energia elétrica, chuveiro e lavanderia. Antes disso ele desembolsava US$ 500 mensais só para estacionar um trailer de 9 metros em um camping do Alabama, onde levantou boa parte do barco usando o estacionamento extra do próprio camping como canteiro de obra. O interior mede 112 pés quadrados, cerca de 10,4 metros quadrados, e concentra sala, quarto e cozinha no mesmo ambiente. Fora dele, duas varandas, uma na proa e outra na popa.
O rio já estava no plano muito antes da aposentadoria

Para explicar a própria relação com a água, Arthur usa uma expressão que circulava na região onde cresceu: rato de rio. Funcionava como gíria e como endereço, segundo ele, porque quem quisesse encontrar alguém assim sabia que bastava procurar em algum ponto do rio. A família mantinha um acampamento de pesca no rio Mobile, e era ali que ele passava a maior parte dos verões, entre a navegação e a pescaria.
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O arrendamento daquele pedaço de margem seria impensável hoje. Arthur conta que o valor era de um dólar, e se corrige na sequência para não deixar dúvida: um dólar por 99 anos. Com o contrato em mãos, a pessoa podia levantar uma cabana ali e usar como quisesse.
Depois vieram os anos longe da água. Ele teve casa própria, morou de aluguel, passou uma temporada em um trailer de 9 metros. A casa flutuante, porém, nunca saiu da lista. Ele repete no vídeo que sempre soube que a aposentadoria seria no rio, e que a única dúvida era quando.
A viagem de moto que nunca saiu do papel
Depois de trinta anos afastado da construção civil, Arthur foi trabalhar em concessionárias da Harley, onde o filho também trabalhava. Foi ali, aos 61 anos, que ele definiu o próprio calendário de saída: aposentaria aos 62 e atravessaria o país de moto, com o filho fazendo o mesmo trajeto ao lado.
Entre os 61 e os 62 anos dele, o filho morreu em um acidente de moto. Arthur diz de forma direta que perdeu a paixão por aquela parte da aposentadoria e, junto com ela, a vontade de fazer a viagem. A moto foi vendida, e o dinheiro dela virou o orçamento de um sonho antigo que ainda estava de pé. Os US$ 15 mil da Harley se transformaram na verba total para comprar e terminar o barco.
O nome do filho era Robert. Ele mantinha uma propriedade no Tennessee que estava convertendo em uma área autossuficiente em energia, e viveu alguns anos fora da rede elétrica. Boa parte do que Arthur faz hoje dentro da casa flutuante segue essa mesma lógica, e ele afirma que a intenção é incorporar o máximo possível do jeito do filho de resolver as coisas.
O casco esperou seis meses até o preço cair

A primeira negociação não deu certo. Quando Arthur viu o barco pela primeira vez, o dono pedia US$ 15 mil pelo conjunto de embarcação, motor e reboque, exatamente o valor que ele tinha para gastar na obra inteira. Comprar por aquele preço significaria ficar sem dinheiro para terminar o interior, então ele não fechou.
Veio o inverno e o projeto parou por cerca de seis meses. Arthur brinca que os ossos velhos não queriam sair de casa para começar nada naquela época do ano. A retomada aconteceu por acaso, quando ele voltava da casa de uma sobrinha e passou em frente à propriedade do vendedor. O barco tinha saído da lateral da casa e estava parado perto da estrada, o que na prática significava preço menor.
Ele parou o carro e puxou conversa. O dono devolveu a pergunta clássica de quanto ele estaria disposto a pagar, ouviu a proposta e os dois fecharam em US$ 7,5 mil, metade do valor pedido meses antes. A embarcação vinha com um motor de 40 cavalos na popa e com a estrutura interna já erguida em madeira de dois por dois. Segundo Arthur, ela tinha sido construída por seis soldados do Exército para percorrer a costa de Biloxi, no Mississippi, indo de cassino em cassino.
A obra saiu do estacionamento extra de um camping

imagem: Kirsten Dirksen
Enquanto o barco não ficava habitável, Arthur morava em um trailer de 9 metros em um camping em Ashville, no Alabama, pagando US$ 500 por mês pela vaga. A obra acontecia a poucos metros dali, no estacionamento extra do próprio camping, no intervalo entre um dia e outro.
O acabamento interno seguiu a linha mais econômica possível. Ele aplicou 5 centímetros de isolamento em placa nas paredes e fechou tudo com painéis de compensado de 5 milímetros. Assim que o isolamento e as paredes ficaram prontos, a casa flutuante virou moradia viável, e foi nesse momento que ele fez a conta que mudou o resto do plano.
Ao chegar à marina, descobriu que a vaga custava US$ 280 por mês incluindo água e energia, com chuveiro e lavanderia liberados. Comparado aos US$ 500 do camping, a escolha se resolveu sozinha. Ele se mudou para dentro do barco ainda inacabado e passou a terminar a obra morando nela. Do jeito dele, faltava só um pouco de batom para dar um trato na velha porca, mas o essencial já estava resolvido.
Pouco mais de dez metros quadrados e três exigências

imagem: Kirsten Dirksen
Arthur não tenta disfarçar o tamanho. Ele mesmo diz que o espaço é muito pequeno, com cerca de 112 pés quadrados, algo em torno de 10,4 metros quadrados de área interna. O que segurou o projeto dentro dessa metragem foi uma lista curta de condições que ele estabeleceu antes de começar.
Eram três, e todas ligadas à idade. Como faria 65 anos em outubro, ele definiu que precisava de uma poltrona reclinável confortável para sentar, de uma cama confortável para dormir e de banho quente na hora em que quisesse. Nada além disso entrou na lista de obrigações. Tudo o mais foi tratado como negociável.
A regra que ele repete é a do minimalismo prático, e não a do minimalismo de vitrine. A preocupação declarada é não acumular tantos aparelhos eletrônicos que a manutenção deles vire trabalho. Vale registrar o que ele responde quando perguntam se qualquer pessoa conseguiria viver assim. A resposta é não. Consegue, segundo ele, quem estiver disposto a abrir mão de todas as comodidades que tinha, e ele mesmo aponta a única que sobrou a bordo: a poltrona reclinável elétrica.
A cama veio de um trailer e a geladeira funciona a 12 volts

imagem: Kirsten Dirksen
Entrando pela porta, o primeiro móvel à esquerda é o rack de televisão. Na sequência aparecem a cozinha e a geladeira. O equipamento é uma unidade de 12 volts com duas zonas de temperatura, refrigeração de um lado e congelador do outro, ligada a uma bateria de 300 Ah.
A autonomia dessa configuração define a rotina inteira. A bateria segura a geladeira por quatro dias e meio longe da marina, então ao fim do quinto dia Arthur volta para recarregar. O ciclo é sempre o mesmo: chega, repõe energia, lava roupa, faz compras de supermercado, enche o reservatório de água potável e sai de novo por mais uma semana. Normalmente esse retorno cai no fim de semana.

imagem: Kirsten Dirksen
A cama é a peça mais engenhosa da casa flutuante, e não custou quase nada. Ela é o conjunto de jantar de um trailer, com a mesa removida. Arthur retirou os dois bancos, montou a estrutura no barco e colocou em cima um colchão de solteiro extra longo. Quem já entrou em um motorhome reconhece o formato de imediato, ainda que ninguém espere encontrá aquilo virado em cama fixa.
A cozinha inteira roda com um cilindro de 450 gramas
Cozinhar dentro de dez metros quadrados exige escolha de equipamento, e Arthur separou o que é elétrico do que é a gás por causa do consumo. O forno elétrico que ele mantém a bordo é um eletrodoméstico de 1500 watts, potência alta demais para o banco de baterias aguentar. A solução foi acionar o gerador pelos trinta minutos necessários para assar o que precisa ser assado, e desligar em seguida.
O grosso do preparo, porém, acontece na chapa. Ele usa uma chapa com queimador Blackstone de 43 centímetros e alimenta o conjunto com um cilindro de propano de 450 gramas quando cozinha dentro do barco. O botijão de 9 quilos fica do lado de fora e serve para o uso pesado. Manter o cilindro grande fora da área habitável é decisão de segurança, não de espaço.
A pia tem destino igualmente simples. O ralo sai pela lateral, passa por cima do pontão, corre para a popa e despeja direto no rio. Arthur faz questão de deixar claro no vídeo que ali só desce água de louça, sem nenhuma ligação de esgoto.
Água do rio para a louça, água comprada para beber
Enquanto está atracado, o barco fica ligado à água e à energia da doca. A saída é rápida: basta desatarraxar a mangueira da marina e conectar a mangueira da bomba, que puxa água do rio para lavar louça e tomar banho. Para beber, a água vem em separado, transportada da marina em um reservatório que ele leva a bordo.
O aquecimento é feito por um aquecedor de água instantâneo, e o funcionamento é acionado pelo próprio fluxo. Ao abrir a torneira de água quente, um interruptor liga o queimador, e em cerca de quinze segundos a saída chega a 150 graus Fahrenheit, aproximadamente 65 graus Celsius, quando regulado no máximo. Em vez de furar mais buracos no casco para levar canos até o chuveiro, Arthur optou por uma mangueira longa o bastante para pendurar no ponto de banho e, quando necessário, encher a pia com água quente.
A ressalva mais importante ele mesmo faz. A água do rio tem muita sedimentação, e o filtro instalado a bordo serve para eliminar bactérias na hora de lavar louça, não para tornar a água potável. Ele afirma sem rodeios que não beberia água do rio. Para quem quiser tentar, a recomendação dele é passar por um sistema de tripla filtragem de boa qualidade e depois ainda por um filtro de gravidade ou fervura.
O banheiro é um balde de 20 litros com serragem de graça
O box de chuveiro está instalado e completo, mas por enquanto Arthur usa o banheiro compartilhado da marina, que já entra no valor mensal. A bordo mora também uma gata, com caixa de areia própria.
Para as próprias necessidades, ele adotou o método do balde de 20 litros com serragem, e defende a escolha com argumento prático. Diz que é o sistema mais limpo que encontrou, que a serragem vem de graça de uma serraria local e que o cheiro que fica no ambiente é de pinho recém cortado. O único custo recorrente do banheiro dele são os sacos.
O descarte funciona como qualquer lixo doméstico. Ele retira o saco, amarra e leva embora, sem tanque de dejetos, sem mangueira de esgotamento e sem depender de estação de bombeamento. Segundo Arthur, é o mais perto que dá para chegar de uma solução simples, e o resultado é que praticamente não se sente odor.
US$ 280 por mês, e tudo o que entra nesse valor

imagem: Kirsten Dirksen
A conta que Arthur apresenta é curta. O custo mensal de vida na marina é de US$ 280 de aluguel de vaga, e nesse valor estão incluídos energia elétrica, água, banho e lavanderia. Não há financiamento de imóvel, não há IPTU, não há conta de luz separada chegando todo mês.
O contraste com a etapa anterior explica por que ele se mudou tão rápido. No camping do Alabama, a mesma pessoa pagava US$ 500 mensais apenas pela vaga do trailer, sem nada disso incluído. Trocar o estacionamento pelo rio cortou o custo fixo quase pela metade e ainda entregou vista de água.
Parte da alimentação também sai da conta. Arthur é pescador desde criança e conta que estava pescando para comer, embora tenha soltado um peixe de cerca de 4,5 quilos que fisgou em uma linha de espera, e que fisgou também um bagre de peso semelhante. O freezer estava cheio, e ele diz que não pagou pelos peixes que consumiu.
O vizinho carpinteiro pagou US$ 26 mil por um barco pronto
Na mesma doca mora Steve, que também é aposentado e chegou ao rio por outro caminho. Carpinteiro de profissão, ele diz que teria condições de construir a própria casa flutuante, mas concluiu que não valia gastar um ou dois anos nisso. Comprou uma embarcação pronta por US$ 26 mil e resume a decisão dizendo que aquilo equivalia a dois anos de aluguel.
Os números que ele acumulou antes de chegar ali sustentam o raciocínio. Steve morava em um apartamento de três quartos por US$ 1.500 mensais. Depois passou a pagar US$ 500 por mês no camping, mais eletricidade, o que já parecia bom negócio. Quando descobriu a vaga de US$ 280 com energia, água e lavanderia, a comparação acabou. Ele ainda tem uma casa em Illinois, que acabou de alugar, e afirma pagar menos por duas vagas de marina e eletricidade do que paga de imposto predial naquele imóvel. Trabalhando em um camping recentemente, viu a diária de US$ 110 para estacionar um trailer e diz que ficou perplexo com quem paga isso para ficar colado em outras pessoas.
O barco dele se chama Estação da Criação, nome escolhido por convicção pessoal. Steve diz que acredita que cada um cria a própria realidade e atrai aquilo em que pensa. O interior segue um padrão mais próximo de motorhome, com bateria e inversor embutidos, dois tanques de propano, tanques de combustível e uma geladeira trivalente que funciona a propano, energia elétrica e 12 volts. Ele tirou a mesa grande e os bancos típicos de trailer, colocou uma mesa de bar e uma poltrona reclinável, instalou pia funda, fogão de três bocas que evita usar porque não gosta de limpar, e cozinha na chapa elétrica do lado de fora. Onde havia beliche, agora há uma cama só e uma prateleira cobrindo o vão. O que era espaço de chuveiro virou sauna infravermelha com terapia de luz vermelha, escolha que ele explica pela fase de cuidado com a saúde depois de completar 60 anos e parar de fumar. O aquecimento vem de um aquecedor a diesel com capacidade para cerca de 5,7 litros, suficiente para três a quatro dias aquecendo o barco inteiro. Na popa, um sistema de elevação com guincho de quadriciclo sobe e desce a plataforma no toque de um botão, e o casco fica erguido 90 centímetros acima da água, o que evita algas e eletrólise. Para o banheiro, ele usa a mesma lógica de Arthur, um balde de cinco galões descartado a cada três ou quatro dias, no lugar do tanque de dejetos que precisa de mangueira e bombeamento.
Catorze dias em cada enseada, sem pagar nada a ninguém
A marina é base, não prisão. Segundo Arthur, é possível ancorar em qualquer trecho de terra pública administrada pela Tennessee Valley Authority, até a linha da maré alta, sem taxa nenhuma. A permanência máxima em cada ponto é de catorze dias, e o reinício da contagem exige deslocamento de cerca de uma milha.
Na prática, isso vira mobilidade real. Ele explica que, se estiver em uma enseada por três dias e o vento virar do sul para o norte, basta atravessar o rio até a enseada seguinte e o prazo recomeça do zero. O Tennessee, segundo ele, tem centenas de quilômetros de margem pública disponível para esse tipo de uso. Steve, que planejava seguir para o lago Kentucky, a cerca de 160 quilômetros, depois cruzar o canal até o lago Barkley e subir o rio Cumberland, calcula que existam 320 quilômetros de rio sem casas na margem.
O movimento acontece com o barco de alumínio amarrado na lateral da casa flutuante, já que Arthur deixou o motor fora justamente para conseguir instalar a varanda de popa. A brincadeira preferida dele é estacionar em frente a uma mansão milionária, deixar o dono pagar o imposto e fazer uma oferta de ancoragem pelo pôr do sol. E existe um objetivo maior no horizonte, herdado do pai, que era de Wisconsin e pescador dedicado: o circuito de 6 mil milhas, cerca de 9,6 mil quilômetros, que sai dos Grandes Lagos, desce o rio Ohio, pega o Mississippi, entra no Tennessee, chega ao Golfo do México e à Flórida, sobe a costa leste pelo canal intracosteiro e fecha de volta nos Grandes Lagos.
A tempestade de janeiro reorganizou a lista de prioridades
Nem tudo na vida de rio é pôr do sol. Arthur voltou para a marina em janeiro, depois de três meses sentado na poltrona sem fazer absolutamente nada, e foi recebido pela pior tempestade de inverno dos últimos anos. As docas ficaram submersas, a energia caiu e os barcos precisaram sair.
Ele descreve aquilo como uma lição enorme, e o efeito foi imediato sobre a própria escala de valores. Muitas coisas que estavam na lista dele como importantes desapareceram na hora, e outras, bem menores, ganharam peso. A tempestade fez a ficha cair depressa, e reordenou o que precisava mesmo de atenção.
Vale somar a isso outro ponto que Steve levanta sobre viver nesse trecho do país. Ele morou dez anos em Florida Keys, onde havia cinco ou seis agências policiais com autorização para subir a bordo de qualquer embarcação a qualquer momento. No Tennessee, diz ele, praticamente não existe esse tipo de abordagem, e a sensação de circular como homem livre é o que mais o agrada.
As ferramentas do filho continuam trabalhando
Robert deixou mais do que a lembrança de um plano interrompido. Ele mantinha uma propriedade no Tennessee em processo de conversão para autossuficiência energética, viveu alguns anos fora da rede elétrica e acumulou quinze ou dezesseis anos de ferramentas de ofício.
Todo esse acervo está com Arthur, somado aos trinta anos de ferramentas dele próprio. Ele conta que vem revisando peça por peça e que a regra é simples: qualquer coisa do filho que possa ser incorporada ao barco entra. A intenção declarada é manter vivo o sonho de Robert de fazer algo fora do comum. Uma foto dele fica a bordo.
O que Arthur diz sobre o resultado dispensa qualquer floreio. Esta é a vida dele, é ali que pretende morar enquanto conseguir, e foi assim que ele quis se aposentar. Ele se afastou o máximo possível da correria diária e foi parar, segundo suas palavras, na comunidade mais unida e acolhedora que já encontrou.
Dez metros quadrados, US$ 280 e uma poltrona reclinável
A casa flutuante de Arthur não é uma proeza de engenharia. É um casco de segunda mão comprado pela metade do preço pedido, isolado com placa e fechado com compensado fino, com uma cama feita de banco de trailer e um banheiro que cabe em um balde. O que ela tem de excepcional é a matemática: moradia, água, luz, banho e lavanderia por US$ 280 por mês, com autonomia para sumir cinco dias rio adentro e voltar quando quiser.
O preço disso está declarado no próprio vídeo, e não é baixo. Ele abriu mão de praticamente todas as comodidades que já teve, e sobrou uma.
E é justamente aí que a discussão fica boa: você trocaria a sua casa por pouco mais de dez metros quadrados sobre a água se isso derrubasse seu custo de moradia para menos de mil e quinhentos reais por mês? Conta aqui embaixo quanto você paga hoje de aluguel ou financiamento e qual seria a única comodidade que você não abriria mão de levar para o barco.

