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Pedreiro superou rotina exaustiva onde trabalhava durante o dia e estudava à noite até conseguir se formar em Educação Física: Eduardo conciliou a faculdade com o trabalho na construção civil, chegava às aulas com o corpo esgotado, venceu as dificuldades e hoje atua como personal trainer e leva atividade física gratuitamente aos bairros

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Escrito por Ruth Rodrigues Publicado em 10/08/2026 às 09:18 Atualizado em 10/08/2026 às 09:19
Eduardo trabalhou como pedreiro durante a graduação, venceu uma rotina exaustiva e hoje atua como personal trainer e em projeto público de saúde.
Eduardo trabalhou como pedreiro durante a graduação, venceu uma rotina exaustiva e hoje atua como personal trainer e em projeto público de saúde. Fonte: UNIFAGOC.
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Eduardo trabalhou como pedreiro durante a graduação, venceu uma rotina exaustiva e hoje atua como personal trainer e em projeto público de saúde.

Antes de viver da Educação Física, Eduardo Henrique Lopes Medeiros passava o dia trabalhando como pedreiro e chegava à faculdade com o corpo esgotado. Formado pelo UNIFAGOC em 2020, ele conseguiu transformar uma rotina que quase comprometeu sua graduação em uma carreira como personal trainer e profissional ligado à atenção primária em saúde da Prefeitura de Visconde do Rio Branco, levando atividade física a moradores de diferentes bairros.

A mudança profissional também trouxe conquistas pessoais que pareciam distantes durante a infância em uma família humilde. Em depoimento publicado pelo UNIFAGOC em 7 de março de 2025, Eduardo contou que conseguiu comprar carro e motocicleta e passou a investir em um objetivo maior: construir um galpão próprio para ampliar sua capacidade de atendimento e receber pessoas que hoje não consegue encaixar na agenda.

Eduardo encontrou na pandemia uma maneira diferente de trabalhar

Uma das maiores viradas da carreira aconteceu justamente quando as academias fecharam durante a pandemia de Covid-19. Em vez de interromper os atendimentos, Eduardo passou a levar exercícios até a casa dos alunos, adaptando seu trabalho a uma realidade em que os espaços tradicionais de treinamento estavam temporariamente indisponíveis.

A iniciativa deixou de ficar restrita às residências e alcançou quadras nos bairros. Com o aumento da participação, o trabalho ganhou visibilidade em Visconde do Rio Branco e chamou a atenção da prefeitura, que posteriormente o convidou para integrar uma iniciativa voltada à promoção gratuita de atividade física nas comunidades.

A partir daí, Eduardo passou a dividir a agenda entre os alunos particulares e o serviço destinado à população. O profissional que anos antes lutava para permanecer acordado depois de um dia de trabalho na construção civil passou a utilizar justamente o exercício físico como instrumento de saúde em diferentes regiões do município.

Trabalho passou a reunir atendimento particular e serviço público

A atuação construída depois da graduação ganhou duas frentes complementares. De um lado, Eduardo manteve os serviços particulares de personal trainer; de outro, passou a trabalhar diretamente com moradores atendidos por uma política municipal de atenção à saúde.

Entre os principais elementos que atualmente aparecem na trajetória profissional de Eduardo estão, em nova organização:

  • construção de um espaço próprio para ampliar os atendimentos;
  • participação em ações gratuitas de atividade física nos bairros;
  • trabalho individual como personal trainer;
  • uso de espaços comunitários para aproximar exercício e população.

Para Eduardo, o reconhecimento profissional possui um significado especial porque está ligado justamente à atividade que escolheu exercer. Ao UNIFAGOC, ele relatou que sempre desejou ser reconhecido na profissão e que poder levar saúde por meio do movimento tornou-se uma das maiores recompensas da carreira.

Eduardo trabalhou como pedreiro durante a graduação, venceu uma rotina exaustiva e hoje atua como personal trainer e em projeto público de saúde.
Eduardo trabalhou como pedreiro durante a graduação, venceu uma rotina exaustiva e hoje atua como personal trainer e em projeto público de saúde. Fonte: UNIFAGOC.

Antes da carreira, Eduardo enfrentava o cansaço das obras

O cenário era completamente diferente no começo da graduação. Enquanto cursava Educação Física, Eduardo trabalhava como pedreiro, atividade que exigia esforço físico durante praticamente todo o dia e fazia com que chegasse às aulas noturnas já bastante cansado.

Em alguns momentos, o desgaste ameaçava sua permanência no curso. Professores perceberam a dificuldade e começaram a aconselhá-lo a continuar frequentando as aulas mesmo quando não estivesse nas melhores condições para acompanhar todo o conteúdo.

Um desses episódios permaneceu na memória de Eduardo. Ainda no primeiro período, um professor percebeu seu estado de exaustão e procurou conversar com ele. A orientação foi para que permanecesse dentro da sala, mesmo que precisasse apoiar a cabeça sobre os braços por alguns minutos.

O argumento era simples: ficar presente significava continuar ouvindo parte da explicação e absorvendo algum conhecimento. Para Eduardo, aquele conselho ganhou importância porque ofereceu uma alternativa à desistência num período em que trabalho e faculdade disputavam sua energia diariamente.

Musculação aos 16 anos abriu caminho para Educação Física

O interesse pela profissão havia surgido antes da universidade. Eduardo começou a praticar musculação aos 16 anos e, com o passar do tempo, percebeu que gostava de orientar pessoas que estavam dando os primeiros passos dentro da academia.

Foi essa facilidade em ajudar iniciantes que começou a transformar um hábito pessoal em possibilidade de carreira. Um amigo já formado em Educação Física também teve participação na decisão e apresentou a ele o UNIFAGOC como uma opção para iniciar a graduação.

Eduardo afirmou que a estrutura destinada às atividades práticas pesou na escolha. Para ele, aprender Educação Física exigia combinar os conceitos vistos em sala com experiências capazes de mostrar como esses conhecimentos seriam usados profissionalmente.

A graduação também ampliou sua compreensão sobre funcionamento do corpo, aspectos físicos e processos cognitivos. O conhecimento que antes vinha principalmente da experiência dentro da academia passou a receber uma base acadêmica para orientar atendimentos com maior preparação.

Apoio dos professores ajudou a evitar uma desistência

A relação com os docentes tornou-se especialmente importante porque o maior obstáculo não era falta de interesse pelo curso. Eduardo precisava administrar a diferença entre desejar continuar estudando e possuir energia física suficiente depois de trabalhar na construção civil.

Diferentes professores deram conselhos durante essa fase e ajudaram a manter o objetivo de terminar a graduação. O acompanhamento serviu tanto para superar momentos difíceis quanto para prepará-lo para situações que encontraria depois no mercado.

Essa experiência também ajuda a explicar por que a formatura de 2020 representou mais do que a obtenção de um diploma. Para Eduardo, concluir o curso significava encerrar uma etapa construída enquanto conciliava duas atividades fisicamente exigentes e precisava encontrar disposição para continuar estudando noite após noite.

O conhecimento acumulado seria colocado à prova rapidamente, porque a pandemia alteraria justamente o ambiente profissional no qual ele pretendia construir a carreira.

Eduardo trabalhou como pedreiro durante a graduação, venceu uma rotina exaustiva e hoje atua como personal trainer e em projeto público de saúde.
Eduardo trabalhou como pedreiro durante a graduação, venceu uma rotina exaustiva e hoje atua como personal trainer e em projeto público de saúde. Fonte: UNIFAGOC.

Solução criada durante crise acabou abrindo nova oportunidade

O fechamento das academias poderia ter interrompido a entrada de Eduardo no mercado, mas o cenário acabou estimulando uma adaptação. As aulas foram levadas para perto das pessoas e começaram a ocupar ambientes que antes não faziam parte de sua rotina profissional.

Quando a iniciativa alcançou as quadras dos bairros e ganhou adesão, o exercício deixou de ser apenas um serviço contratado individualmente. O crescimento abriu caminho para uma relação com a prefeitura e colocou Eduardo diante de um público maior, inclusive pessoas que poderiam não frequentar academias particulares.

Essa experiência aproximou a Educação Física da atenção primária em saúde, área na qual o exercício pode ser utilizado como parte de ações voltadas ao bem-estar e à qualidade de vida da população.

Para Eduardo, ampliar esse alcance tornou-se também um objetivo de longo prazo. A construção do galpão próprio aparece justamente como uma tentativa de oferecer mais horários e atender pessoas que atualmente não conseguem espaço em sua agenda.

Conquistas materiais lembram origem humilde

O crescimento profissional também alterou sua realidade financeira. Eduardo mencionou a compra de carro e motocicleta entre conquistas que desejava desde criança, mas que estavam fora das possibilidades financeiras de sua mãe naquele período.

Ele não coloca, porém, esses bens como ponto final da trajetória. O projeto considerado mais importante continua em andamento e envolve a estrutura que pretende utilizar para receber um número maior de alunos.

A ideia de Eduardo é aumentar sua capacidade de atendimento, principalmente porque a falta de horários já limita a quantidade de pessoas que consegue acompanhar. Dessa maneira, o novo espaço está diretamente ligado ao crescimento que começou com atendimentos improvisados durante a pandemia.

A trajetória passou, assim, de um trabalho fisicamente desgastante na construção civil para outra relação com o corpo: estudar movimento, orientar exercícios e utilizar a atividade física como profissão.

Eduardo vê mercado aberto para profissionais preparados

Na avaliação de Eduardo, a procura por profissionais de Educação Física tende a acompanhar o maior reconhecimento dos benefícios da atividade física para a saúde. Ele considera que estudos sobre o tema ajudaram a ampliar o interesse do público por exercícios e, consequentemente, pelos profissionais da área.

Eduardo trabalhou como pedreiro durante a graduação, venceu uma rotina exaustiva e hoje atua como personal trainer e em projeto público de saúde.
Eduardo trabalhou como pedreiro durante a graduação, venceu uma rotina exaustiva e hoje atua como personal trainer e em projeto público de saúde. Fonte: UNIFAGOC.

Ao UNIFAGOC, ele também destacou uma característica que considera atraente na profissão: a possibilidade de aumentar os rendimentos conforme conhecimento, desenvolvimento profissional e capacidade de conquistar clientes, em vez de trabalhar necessariamente com uma remuneração limitada a uma faixa fixa.

A visão está diretamente relacionada à própria experiência. Eduardo construiu diferentes formas de atuação, combinando serviço público, atendimentos particulares e agora o projeto de um espaço próprio para expandir a atividade.

Para quem ainda está na graduação, sua mensagem parte do período em que ele próprio quase foi vencido pelo cansaço. Eduardo defende que as dificuldades enfrentadas durante a formação também funcionam como preparação para os desafios que aparecem depois da faculdade.

De pedreiro a profissional que leva saúde aos bairros

A história de Eduardo não mudou de uma vez. Houve trabalho pesado durante o dia, aulas enfrentadas com exaustão, professores que insistiram para que permanecesse no curso, uma pandemia que fechou academias e a necessidade de encontrar uma maneira completamente diferente de trabalhar.

Foi justamente dessa sequência de obstáculos que surgiram novas possibilidades. Os exercícios levados para residências alcançaram espaços comunitários, o trabalho chamou a atenção do poder público e a carreira passou a atender tanto clientes particulares quanto moradores dos bairros.

Para quem um dia trabalhava como pedreiro enquanto tentava concluir Educação Física, levantar o próprio espaço de atendimento representa uma transformação que une passado e futuro na mesma trajetória profissional.

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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