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Mergulhadores passam 16 anos procurando o galeão espanhol Atocha, encontram o filão principal do navio afundado em 1622 com 1.038 barras de prata, cerca de 255 mil moedas e milhares de onças de ouro e, quatro décadas depois, equipes ainda vasculham o fundo do mar da Flórida atrás das partes do tesouro que continuam desaparecidas

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 10/08/2026 às 10:18 Atualizado em 10/08/2026 às 10:19
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Mergulhadores passam 16 anos procurando o galeão espanhol Atocha
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O galeão espanhol Nuestra Señora de Atocha afundou em 1622 carregado de ouro, 1.038 barras de prata e cerca de 255 mil moedas. O filão principal foi encontrado em 1985 após 16 anos de buscas, mas novas peças continuam sendo recuperadas na Flórida em 2026.

Durante 16 anos, Mel Fisher e sua equipe seguiram pelo fundo do mar uma sucessão de moedas, barras, canhões e outros vestígios até chegarem, em 20 de julho de 1985, ao filão principal do Nuestra Señora de Atocha. O galeão espanhol havia desaparecido em um furacão em 1622, durante a viagem de Havana para a Espanha, carregando uma das maiores concentrações documentadas de metais preciosos daquela frota.

O manifesto histórico atribuído ao Atocha registra 1.038 barras de prata, aproximadamente 255 mil moedas de prata cunhadas à mão e cerca de 7.175 onças de ouro em barras e discos, além de cobre, índigo e tabaco. Mais de quatro séculos após o naufrágio e 41 anos depois da descoberta principal, a busca continua: em junho de 2026, uma equipe recuperou outra barra de prata no sítio do Atocha.

Galeão Atocha deixou Havana em setembro de 1622 carregado de metais preciosos

O Nuestra Señora de Atocha fazia parte da chamada frota de Tierra Firme, utilizada para transportar para a Espanha riquezas provenientes das colônias americanas. O comboio partiu de Havana em 4 de setembro de 1622, em plena temporada de furacões, levando cargas reunidas em diferentes portos do continente.

Menos de 48 horas depois da partida, um furacão atingiu a frota no estreito da Flórida. O Atocha acabou lançado contra os recifes e afundou em cerca de 55 pés de água, enquanto outros navios também foram destruídos ou seriamente danificados pelo temporal.

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Havia 265 pessoas a bordo do Atocha, segundo o relato histórico reunido pela American Numismatic Association. Apenas cinco sobreviveram ao naufrágio, enquanto grande parte da carga desapareceu no fundo do mar e passou a ser dispersada pelas condições violentas da região.

Manifesto registrava 1.038 barras de prata e cerca de 255 mil moedas

Os números documentados ajudam a explicar por que o Atocha se transformou em um dos naufrágios mais procurados da história. Registros conservados em Sevilha indicam aproximadamente 7.175 onças de ouro, 1.038 barras de prata e 255 mil moedas de prata na carga.

As barras de prata representavam uma parcela particularmente pesada do carregamento. A American Numismatic Association informa que a prata transportada pelo Atocha somava mais de 47 toneladas e que cada barra pesava aproximadamente 75 libras.

O galeão transportava ainda cerca de 15 toneladas de cobre cubano, 300 fardos de índigo e 500 fardos de tabaco. Além da carga declarada, recuperações posteriores revelaram ouro, correntes e esmeraldas que não apareciam no manifesto, indicando a presença de bens não registrados oficialmente.

Mel Fisher passou 16 anos procurando o filão principal do Atocha

A busca moderna pelo Atocha ficou associada ao mergulhador e caçador de tesouros Mel Fisher. A operação se estabeleceu na região de Key West e passou anos analisando documentos históricos e examinando uma extensa área submarina em busca de pistas capazes de indicar onde os destroços haviam terminado.

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Uma descoberta decisiva ocorreu em 1973, quando mergulhadores localizaram três grandes barras de prata. As marcas gravadas nos lingotes puderam ser comparadas aos registros históricos do Atocha, confirmando que a equipe finalmente havia chegado ao rastro do galeão perdido.

Em 1975, canhões de bronze forneceram mais evidências sobre a localização dos destroços. Ainda assim, encontrar objetos espalhados não significava encontrar a concentração principal da carga, e a procura pelo chamado Mother Lode continuaria por mais uma década.

Descoberta de julho de 1985 revelou um “recife” formado por barras e moedas

A virada ocorreu em 20 de julho de 1985. A tripulação do barco de salvamento Dauntless encontrou uma grande concentração de pedras, lingotes de cobre, barras de prata e moedas que indicava finalmente a localização do filão principal do Atocha.

O depósito tinha aproximadamente 70 a 80 pés de extensão e cerca da metade dessa largura, segundo o relato histórico reproduzido pela American Numismatic Association. As primeiras escavações permitiram que o Dauntless retornasse a Key West carregando barras e baús de moedas de prata.

A descoberta ocorreu depois de 16 anos de procura, período confirmado pela organização ligada a Mel Fisher. O achado de 1985 não representou, porém, a recuperação integral de tudo o que havia no galeão: partes dos destroços e do carregamento continuaram dispersas ou soterradas.

Quase 40 toneladas de barras de prata foram recuperadas após a descoberta

Após a localização do depósito principal, as equipes começaram a retirar sistematicamente os objetos mais valiosos. Até maio de 1986, quase 40 toneladas de barras de prata já haviam sido recuperadas, acompanhadas de barras de ouro e uma grande quantidade de esmeraldas.

O galeão espanhol Nuestra Señora de Atocha afundou em 1622 carregado de ouro, 1.038 barras de prata e cerca de 255 mil moedas.
Integrante da Mel Fisher’s Shipwreck Expeditions exibe uma barra de prata recuperada do galeão espanhol Nuestra Señora de Atocha, naufragado em 1622 – Foto: Divulgação/Mel Fisher’s Shipwreck Expeditions.

Somente naquele período, centenas de esmeraldas apareceram nas escavações. O relato histórico registra cerca de 450 pedras recuperadas até 15 de maio de 1986, outras 174 na semana seguinte e mais aproximadamente 2.300 em outro fim de semana de trabalhos.

Os achados demonstraram também que o manifesto não descrevia toda a riqueza existente a bordo. Esmeraldas, correntes, pepitas e determinados objetos de ouro recuperados posteriormente não constavam nas listas oficiais da carga, reforçando a existência de mercadorias particulares ou não declaradas.

Furacão espalhou objetos do Atocha por uma extensa trilha submarina

O principal desafio para as equipes modernas está na forma como o naufrágio aconteceu. O Atocha não permaneceu como um casco intacto contendo todo o carregamento. A força do furacão, o impacto contra os recifes e as condições posteriores espalharam destroços e objetos pelo fundo do mar.

Por isso, localizar o Mother Lode em 1985 não encerrou a procura. Moedas, barras, joias, ferramentas, fragmentos estruturais e outros materiais foram encontrados em pontos diferentes do chamado rastro do Atocha ao longo das décadas seguintes.

A organização Mel Fisher’s Treasures afirma atualmente que continua buscando e recuperando tesouros e artefatos remanescentes tanto do Atocha quanto do Santa Margarita. A operação moderna combina mergulho, pesquisa histórica, conservação e registro das peças encontradas.

Barra de prata encontrada em 2026 mostra que o tesouro ainda não terminou

O exemplo mais recente veio em 15 de junho de 2026, mais de quatro décadas depois da descoberta principal. A Mel Fisher’s Shipwreck Expeditions anunciou a recuperação de uma barra de prata de 22,5 libras, encontrada a aproximadamente 50 pés de profundidade perto de Key West.

A barra foi localizada pela tripulação do barco DARE durante trabalhos em uma área ativa de busca. Segundo a própria operação, partes significativas da carga documentada e não documentada do Atocha continuam sem recuperação, e novos alvos submarinos foram identificados perto da região onde o lingote apareceu.

A descoberta de 2026 cria um contraste incomum na cronologia do naufrágio. O galeão afundou em 1622, seu principal depósito de tesouros foi localizado em 1985, depois de 16 anos de procura moderna, e 404 anos após o desastre barras e outros objetos ainda continuam surgindo sob os sedimentos dos Florida Keys.

Parte da história do Atocha permanece enterrada no fundo da Flórida

O Florida Museum of Natural History situa o Atocha e o Santa Margarita entre os grandes naufrágios da frota de Tierra Firme de 1622. Os dois navios transportavam riquezas provenientes da América do Sul quando foram atingidos pelo furacão durante a viagem de retorno à Espanha.

Hoje, o material recuperado não é tratado apenas como metal precioso. Os objetos fornecem informações sobre comércio colonial, técnicas de navegação, circulação de moedas, produção de metais e a vida de tripulantes e passageiros que cruzavam o Atlântico no início do século XVII.

É justamente essa combinação entre um manifesto gigantesco e uma carga fragmentada que mantém a história aberta. Mais de quatro séculos depois do furacão e décadas após a descoberta que tornou Mel Fisher mundialmente conhecido, o Atocha continua sendo um sítio ativo de recuperação, com parte de seus objetos ainda escondida sob areia e sedimentos no fundo do mar.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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