Tecnologia desenvolvida com apoio acadêmico transforma água salobra em potável usando energia solar, já alcança mais de 200 famílias na Paraíba e no Nordeste e oferece alternativa mais acessível diante da seca
A tecnologia de dessalinização solar já chegou a mais de 200 famílias na Paraíba e em outros pontos do Nordeste, transformando água salobra em água potável com apoio da energia do sol. Em comunidades rurais de Queimadas, o equipamento reduziu deslocamentos de horas em busca de água e virou alternativa concreta diante da seca.
Dessalinizador solar muda rotina em Queimadas
Nas comunidades rurais de Queimadas, na região de Campina Grande, a falta de água sempre fez parte da rotina das famílias.
Moradores caminhavam longas distâncias até açudes, barreiros e cacimbas, muitas vezes para buscar água imprópria ou com gosto de terra.
-
Nova tecnologia passa a vigiar 300 mil hectares em Mato Grosso do Sul em iniciativa da Suzano que reúne sensores, monitoramento contínuo e análise avançada de dados, permitindo identificar ameaças com rapidez e ampliar a proteção ambiental regional
-
Menina tailandesa vê calaus em passeio escolar, descobre que espécies estão diminuindo e cria ninhos artificiais com plástico reaproveitado; aos 17 anos, projeto ocupa comunidades, protege filhotes e ganha prêmio ambiental internacional de jovens inovadores
-
Pela primeira vez na história, cientistas afirmam que a África está se partindo em dois
-
Um gás raro corta pelas fontes termais na Zâmbia e revela uma falha profunda que pode atravessar a crosta até o manto terrestre
Severina Marinho, moradora da zona rural, lembra que o sofrimento era grande porque a água precisava ser carregada de longe. Ela conta que saía por volta das 5h da manhã e só retornava horas depois.
O agricultor Severino de Sousa também relata que a busca por água podia levar até 4h de viagem. A dificuldade afetava decisões básicas do dia a dia, como estudar ou ir para a roça, criando uma rotina marcada por incerteza.
Foi nesse cenário que surgiu a atuação de Wanderley Silva, doutorando na linha de pesquisa em dessalinização solar na Universidade Estadual da Paraíba.
O pesquisador cresceu em uma região afetada pela escassez e aproximou a vivência pessoal do trabalho acadêmico.

Como a água salobra vira água potável
O dessalinizador solar usa o calor do sol para transformar água salobra em água própria para consumo. O processo é simples: a água é aquecida, evapora, condensa em uma superfície de vidro e depois é coletada sem sal e impurezas.
Na prática, a tecnologia oferece uma solução de baixo custo em comparação com sistemas mais caros. O valor de produção do equipamento passou de cerca de R$ 3 mil para até R$ 5 mil por unidade, mas ainda fica abaixo de alternativas como a osmose reversa, que pode chegar a R$ 50 mil.
O modelo atual foi resultado de testes com diferentes materiais. Wanderley afirma que vidro, lona e cimento passaram a ser usados após problemas de corrosão provocados pelo sal em versões anteriores do sistema.
O saber popular também ajudou no aprimoramento do equipamento. A sugestão de um agricultor local para o uso da lona foi incorporada ao projeto, tornando o dessalinizador mais resistente e adequado às condições do semiárido.

Projeto já alcançou mais de 200 famílias
A experiência em Queimadas se expandiu para outros municípios paraibanos, como Remígio, São Vicente do Seridó, Cubatí, Pedra Lavrada, Caraúbas, Monteiro, Camalaú, Santa Luzia, Soledade, Cuité, Campina Grande e Caturité.
Com recursos do Instituto Federal da Paraíba, foram construídas 35 unidades. Editais bancários viabilizaram outras 70 unidades em Caraúbas e mais 50 em sítios de Santa Luzia. O grupo também passou a ser contratado por empresas privadas.
Além da Paraíba, o projeto chegou a estados como Ceará e Pernambuco. A proposta não se limita à instalação do equipamento.
Estudantes e pesquisadores também capacitam moradores para construir e fazer a manutenção dos dessalinizadores.
Em Capoeiras, uma comunidade quilombola recebeu capacitação para operar a tecnologia. A extensionista Célia Holanda, do Instituto Agronômico de Pernambuco, afirma que a localização do equipamento foi definida pela necessidade de água.

Seca mantém pressão sobre o abastecimento
A importância do dessalinizador solar aparece em um cenário de escassez persistente. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico prevê que 2026 será um dos anos mais desafiadores para a gestão dos recursos hídricos no país.
Na Paraíba, o início do ano com poucas chuvas levou 41 municípios a adotar racionamento. A medida afetou o abastecimento doméstico e atividades econômicas essenciais para muitas famílias rurais.
Dados da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba mostram que cerca de 100 dos 132 açudes monitorados operavam com menos da metade da capacidade. Nove estavam secos, e outros 39 tinham menos de 10% do volume total.
Para famílias como a de Wanderley, a tecnologia mudou a relação com a água. Luiza, mãe do pesquisador, relata que a água vem do poço, passa pelas “casinhas” do sistema, perde o sal e segue para a caixa, pronta para beber.

O equipamento não elimina todos os efeitos da seca, mas reduz a distância entre as famílias e a água potável. Como resume Severina Marinho, nos períodos mais difíceis, é a água do dessalinizador que salva.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do material-base fornecido, com dados da Universidade Estadual da Paraíba, Instituto Federal da Paraíba, Instituto Agronômico de Pernambuco, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico e Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Com informações de O Eco.


-
-
-
6 pessoas reagiram a isso.