A Dongfeng colocará seu robô humanoide Xiaodong para trabalhar em fábricas a partir de outubro de 2026, com foco em triagem e inspeção de qualidade.
A Dongfeng pretende colocar seu robô humanoide Xiaodong em operação nas fábricas já em outubro de 2026, começando por tarefas de triagem de materiais e inspeção de qualidade. A montadora chinesa também prepara uma produção experimental em pequena escala para o fim deste ano e estabeleceu uma meta mais ambiciosa: aproximar a capacidade de trabalho da máquina à de funcionários humanos até o final de 2027.
O cronograma foi detalhado por Zhang Zhenlin, engenheiro-chefe de tecnologia inteligente da empresa, durante a décima semana de inovação em ciência e tecnologia da fabricante. A estratégia coloca a companhia entre as montadoras chinesas que estão levando conhecimentos acumulados em inteligência artificial e produção automotiva para a robótica.
Robô da Dongfeng começará por tarefas repetitivas dentro das fábricas
O Xiaodong foi desenvolvido pensando diretamente no ambiente industrial. Em vez de estrear em atividades de demonstração ou atendimento, sua primeira função será apoiar processos ligados à fabricação de veículos.
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A triagem de materiais aparece como uma das principais aplicações. O robô também deverá atuar na inspeção de qualidade, trabalho que exige repetição e capacidade de lidar com diferentes situações dentro da produção.
A Dongfeng afirma que a máquina está deixando uma fase concentrada em movimentos isolados para avançar rumo à execução autônoma de operações mais flexíveis. Essa evolução será testada no uso cotidiano das fábricas antes que a companhia amplie a produção.
Dongfeng prepara pequena produção do robô ainda em 2026
A entrada nas instalações industriais será seguida por outra etapa: fabricar unidades em volume reduzido.
Segundo Zhang, a produção experimental deve começar até o fim de 2026. O objetivo é ganhar experiência suficiente para elevar gradualmente as capacidades do sistema ao longo do próximo ano.
O Xiaodong já havia sido apresentado publicamente em agosto, durante a Conferência Mundial de Robótica de 2026. Na ocasião, apareceu ao lado de outro projeto da fabricante, o quadrúpede Yuanzai.
A presença das duas máquinas revela que a aposta da companhia não está restrita a um único formato de robô.
O Yuanzai deverá alcançar utilização comercial antes do humanoide. Uma das primeiras atividades previstas é a orientação de clientes em concessionárias.
O quadrúpede reúne navegação autônoma, percepção multimodal e recursos de interação. A fabricante também considera aplicações de patrulhamento e serviços inteligentes, enquanto trabalha para aumentar seu grau de autonomia.
Já o Xiaodong segue direcionado inicialmente para a manufatura, onde será observado em situações reais de produção.
Essa divisão permite à Dongfeng testar a robótica em ambientes muito diferentes: de um lado, tarefas industriais; de outro, atividades de atendimento e patrulhamento.
Dongfeng quer reaproveitar tecnologia desenvolvida para automóveis
A entrada na robótica aproveita recursos que a fabricante já desenvolve para veículos.
Zhang considera que tecnologias de inteligência incorporada podem circular entre automóveis e outras máquinas, reduzindo o caminho entre pesquisa, aplicação e produção em escala. Grandes modelos utilizados no setor automotivo estão entre os recursos que podem ser aproveitados em outros produtos.
A própria definição de inteligência incorporada adotada pela companhia vai além dos humanoides. Para a empresa, os veículos também podem ser tratados como máquinas capazes de perceber o ambiente, processar informações e executar ações.
Esse intercâmbio ajuda a explicar por que fabricantes chinesas de automóveis passaram a investir na corrida por robôs.
Enquanto desenvolve máquinas autônomas, a fabricante também prepara uma expansão internacional de grande porte. O plano anunciado prevê investimentos de 50 bilhões de yuans, equivalentes a cerca de US$ 7,41 bilhões, em mercados externos.
A companhia pretende lançar mais de 50 modelos, construir dez grandes bases produtivas fora da China e criar cinco centros internacionais de pesquisa e desenvolvimento. A meta é alcançar 1,5 milhão de veículos vendidos no exterior até 2030.
