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Dois irmãos trabalharam mais de 10 anos como pedreiros ao lado do pai em Mossoró, encararam jornadas de obra durante o dia e faculdade à noite, dormiram apenas três ou quatro horas em períodos mais difíceis e terminaram o curso de Engenharia Civil juntos, transformando experiência prática em profissão de nível superior

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Escrito por Carla Teles Publicado em 09/08/2026 às 16:55
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Pedreiros de Mossoró transformam experiência na construção civil em diploma de Engenharia Civil após anos conciliando obra e faculdade. Imagem: Reprodução/Cézar Alves/YouTube.
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Os irmãos Lidrevando e Lidreano Dantas trabalharam por mais de 10 anos como pedreiros em Mossoró, conciliando jornadas de obra durante o dia com aulas de Engenharia Civil à noite, enfrentando dificuldades financeiras, poucas horas de sono e responsabilidades familiares até receberem juntos o diploma e iniciarem nova etapa profissional.

Os irmãos Lidrevando Silveira Dantas e Lidreano Silveira Dantas passaram mais de uma década trabalhando como pedreiros ao lado do pai em Mossoró, no Rio Grande do Norte, antes de concluírem juntos a graduação em Engenharia Civil. Moradores do bairro Belo Horizonte, eles mantiveram o trabalho nas obras durante o dia enquanto frequentavam a universidade à noite, uma rotina que em determinados períodos deixava apenas três ou quatro horas disponíveis para dormir.

A história foi publicada pelo Mossoró Hoje em 8 de agosto de 2018, poucos dias depois de os irmãos receberem o diploma na Universidade Potiguar, em Mossoró, em 31 de julho daquele ano. Na época, Lidrevando tinha 28 anos e Lidreano, 30, e os dois já acumulavam extensa experiência prática na construção civil, adquirida principalmente ao lado do pai, o mestre de obras Benedito Dantas.

Trabalho na construção começou ainda durante a adolescência

Pedreiros de Mossoró transformam experiência na construção civil em diploma de Engenharia Civil após anos conciliando obra e faculdade.
Imagem: Reprodução/Cézar Alves/YouTube.

Lidrevando entrou cedo no ambiente das obras. Aos 14 anos, ele já acompanhava o pai como ajudante de pedreiro e, com o passar do tempo, decidiu seguir profissionalmente a atividade. O contato diário com construções, serviços manuais e diferentes etapas de uma obra formou uma base prática que mais tarde seria levada para a universidade, quando a Engenharia Civil passou a aparecer como uma possibilidade concreta de crescimento profissional.

Ao lado do irmão e do pai, o trabalho como pedreiros deixou de ser apenas uma fonte de renda e se transformou também em experiência acumulada dentro do setor. A família conhecia de perto as exigências físicas da construção civil, os prazos e a responsabilidade envolvida na execução dos serviços, elementos que posteriormente ajudariam os dois estudantes a interpretar de maneira diferente parte do conteúdo aprendido em sala.

Incentivo dentro de uma construtora aproximou Lidrevando da engenharia

O interesse de Lidrevando pela Engenharia Civil ganhou força quando ele trabalhava em uma construtora. Segundo seu relato, um dos engenheiros da empresa passou a confiar serviços a ele e a ensinar atividades que ultrapassavam suas atribuições habituais, demonstrando que a experiência prática poderia ser ampliada com formação técnica e acadêmica.

Esse contato contribuiu para que ele decidisse prestar vestibular. Lidrevando foi aprovado e ingressou no curso no segundo semestre de 2013, tornando-se o primeiro dos irmãos a iniciar a graduação. A mudança não significou abandonar imediatamente as obras: o trabalho continuava necessário para sustentar a família e custear parte das despesas enquanto ele estudava.

Irmão mais velho decidiu seguir o mesmo caminho

A entrada de Lidrevando na universidade também influenciou Lidreano. Ao acompanhar a decisão do irmão mais novo, ele passou a considerar a possibilidade de transformar sua própria experiência como pedreiro em uma carreira de nível superior ligada à mesma área em que já trabalhava havia anos.

Lidreano fez o exame da universidade e conseguiu ingressar no curso ainda no final de 2013. Os dois irmãos passaram, então, a dividir não apenas o trabalho na construção civil, mas também uma rotina acadêmica semelhante, enfrentando simultaneamente disciplinas, custos da faculdade, compromissos familiares e as longas jornadas de trabalho.

Custos da faculdade pesaram sobre a renda da família

A mensalidade do curso era uma das principais dificuldades. Lidrevando conseguiu inicialmente ingressar por meio do Pró-Superior, programa que concedia desconto de 50% na mensalidade, enquanto a família assumia o restante do valor até que ele obtivesse acesso ao Financiamento Estudantil, o Fies.

No caso de Lidreano, a família também buscou o financiamento para tornar a graduação possível. Enquanto a liberação não acontecia, o pai direcionou parte importante de sua renda para ajudar os filhos a permanecerem na faculdade, mesmo trabalhando como mestre de obras e mantendo uma família que dependia do orçamento doméstico.

Universidade pública não se encaixava na rotina de trabalho

Os irmãos explicaram que precisavam continuar trabalhando para garantir o sustento das respectivas famílias. Por isso, uma graduação pública com aulas distribuídas ao longo do dia não era considerada compatível com a rotina que mantinham naquele momento.

A universidade particular oferecia maior possibilidade de conciliar trabalho e estudo, mas introduzia a dificuldade financeira das mensalidades. Para os dois pedreiros, permanecer no emprego durante o dia era uma necessidade, e não apenas uma escolha profissional, o que fez do financiamento estudantil e do apoio familiar elementos importantes para a continuidade da graduação.

Retorno aos estudos exigiu adaptação dentro da faculdade

A entrada no ensino superior também trouxe dificuldades acadêmicas. Lidrevando relatou que estava havia cerca de sete anos sem estudar quando começou Engenharia Civil, tornando o vocabulário utilizado pelos professores e a retomada das disciplinas um desafio adicional.

Nesse período, colegas tiveram papel importante na adaptação. Ele participou de um grupo de estudos formado com outros estudantes e afirmou que esse apoio foi fundamental para acompanhar as matérias. A distância de anos da sala de aula obrigou o então pedreiro a recuperar hábitos de estudo ao mesmo tempo em que aprendia conteúdos técnicos mais avançados.

Obra durante o dia era seguida por faculdade à noite

O desafio mais constante, porém, estava na organização do tempo. Os irmãos trabalhavam como pedreiros durante todo o dia e, ao término do expediente, precisavam se deslocar para a universidade. Em algumas ocasiões, não havia sequer tempo suficiente para fazer uma refeição completa antes do início das aulas.

Depois das atividades acadêmicas, o dia ainda não terminava. Eles chegavam em casa por volta das 22h ou 22h30 e continuavam estudando, especialmente quando havia provas ou trabalhos. A rotina juntava desgaste físico da construção civil com concentração necessária para disciplinas de Engenharia Civil, criando uma sequência diária difícil de sustentar.

Sono chegou a cair para três ou quatro horas

Nos períodos mais exigentes, a necessidade de estudar depois das aulas reduzia consideravelmente o descanso. Lidrevando contou que havia noites em que os irmãos permaneciam acordados até a madrugada e dormiam somente três ou quatro horas antes de iniciar uma nova jornada de trabalho.

A situação era agravada pelo fato de ambos terem esposas e filhos, o que acrescentava responsabilidades familiares à rotina. O tempo precisava ser dividido entre trabalho, universidade, estudos em casa e convivência com a família, fazendo com que o cansaço se tornasse parte recorrente dos anos de graduação.

Desistir chegou a parecer uma possibilidade

Lidreano contou que em alguns momentos pensou em abandonar o curso. O receio de não conseguir chegar ao final aparecia diante das dificuldades financeiras, da pressão acadêmica e do desgaste provocado pela tentativa de manter trabalho e faculdade funcionando ao mesmo tempo.

Quando isso acontecia, o esforço dos pais servia como referência para continuar. Os irmãos associavam a permanência no curso ao investimento feito pela família e principalmente ao trabalho do pai, que havia aprendido a profissão na prática e transmitido aos filhos parte do conhecimento acumulado na construção civil.

Pai passou experiência de obra antes da formação universitária

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Benedito Dantas, pai dos dois estudantes, trabalhava como mestre de obras e teve papel direto na formação profissional dos filhos antes mesmo da universidade. Foi ao lado dele que os irmãos aprenderam atividades relacionadas à execução de serviços e passaram anos desenvolvendo habilidades práticas.

Depois da graduação, essa experiência ganhou um novo significado. Os antigos pedreiros passaram a reunir conhecimento acadêmico de Engenharia Civil com uma vivência construída desde cedo dentro das obras, combinação que eles consideravam uma vantagem para compreender tanto o projeto quanto sua execução.

Diploma chegou em julho de 2018

O momento mais aguardado aconteceu em 31 de julho de 2018, quando Lidrevando e Lidreano receberam o diploma da Universidade Potiguar. A cerimônia reuniu os irmãos e os pais, Benedito Dantas e Maria Conceição Silveira, encerrando uma etapa iniciada aproximadamente cinco anos antes.

Para a família, o diploma representava também a continuidade de uma trajetória construída dentro do setor. Os dois filhos que haviam trabalhado durante anos como pedreiros ao lado do pai concluíam juntos Engenharia Civil, passando a possuir formação superior na mesma área em que já acumulavam experiência prática.

Registro profissional abriu uma nova etapa

Depois da formação, os irmãos passaram a exibir também o registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte, o CREA-RN. A habilitação profissional ampliava o tipo de responsabilidade que poderiam assumir dentro do setor e consolidava a mudança de posição na carreira.

Na avaliação deles, a experiência anterior não deveria ser abandonada. O trabalho como pedreiro continuava sendo parte da formação profissional dos dois, porque fornecia conhecimento sobre a execução de serviços que agora poderia ser associado aos cálculos, projetos e demais conteúdos aprendidos na graduação.

Empresa familiar já funcionava desde 2016

Antes mesmo de receberem o diploma, os irmãos e o pai mantinham uma pequena empresa de construção civil em Mossoró desde 2016. O negócio reunia a experiência de Benedito como mestre de obras, a prática adquirida pelos filhos e o conhecimento acadêmico que ambos ainda estavam desenvolvendo na universidade.

Com a conclusão do curso, essa combinação ganhou nova dimensão. Lidrevando e Lidreano passaram a afirmar que podiam compreender o projeto e também orientar sua execução, algo que relacionavam diretamente ao fato de terem trabalhado por tantos anos dentro de obras antes de obter a formação em Engenharia Civil.

Experiência como pedreiros passou a ser vista como vantagem

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Em vez de enxergarem o período de trabalho manual como uma fase que deveria ficar para trás, os irmãos passaram a tratá-lo como parte da própria qualificação. Conhecer as dificuldades enfrentadas por quem executa os serviços permitia a eles analisar projetos também a partir da realidade encontrada no canteiro.

Essa visão aproximava duas etapas normalmente separadas dentro de uma obra. A formação universitária acrescentou conhecimento técnico a uma experiência prática já consolidada, enquanto os anos como pedreiros ajudavam os novos engenheiros a compreender como determinadas decisões de projeto chegam até os profissionais responsáveis pela execução.

Dois irmãos trocaram a dupla jornada por uma nova fase profissional

A trajetória de Lidrevando e Lidreano Dantas foi construída ao longo de anos de trabalho, estudo e apoio familiar. Eles passaram mais de uma década como pedreiros, mantiveram o emprego enquanto frequentavam a faculdade à noite e atravessaram períodos em que o descanso caiu para apenas três ou quatro horas por dia.

Ao final, os irmãos concluíram Engenharia Civil juntos sem apagar a experiência acumulada ao lado do pai. O conhecimento de obra que começou ainda antes da universidade passou a integrar a atuação de dois profissionais formados na mesma área em que trabalharam durante anos. Para você, a experiência prática antes da faculdade pode fazer diferença na formação de um engenheiro? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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