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Depois de ouvir amputados que lutavam para segurar talheres, pentear o cabelo e carregar compras, universitários escanearam seus membros, criaram próteses 3D personalizadas e desenvolveram um aparelho robótico para tentar devolver a um guitarrista de 73 anos a música perdida após um AVC

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Escrito por Ana Alice Publicado em 02/08/2026 às 23:52 Atualizado em 02/08/2026 às 23:53
Estudantes criam próteses 3D e um dispositivo robótico para ampliar a autonomia de pessoas com deficiência em tarefas do dia a dia. (Imagem: Ilustrativa)
Estudantes criam próteses 3D e um dispositivo robótico para ampliar a autonomia de pessoas com deficiência em tarefas do dia a dia. (Imagem: Ilustrativa)
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Próteses impressas em 3D e um dispositivo robótico para violão mostram como estudantes de engenharia transformaram desafios individuais em soluções personalizadas, aproximando tecnologia, acessibilidade e autonomia na vida de pessoas com deficiência.

Uma prótese temporária capaz de segurar talheres, prender pequenos objetos ou carregar sacolas pesadas pode começar em um escaneamento semelhante ao usado para criar personagens de videogame.

Em outro laboratório, um aparelho preso ao braço tenta devolver a um guitarrista o movimento necessário para tocar uma música interrompida por um AVC.

Os dois projetos foram desenvolvidos por estudantes de Engenharia Mecânica da Universidade de Leeds, no Reino Unido, em parceria com a REMAP, instituição formada por voluntários que criam equipamentos personalizados para pessoas com deficiência.

Em 28 de julho de 2026, os jovens apresentaram os trabalhos ao deputado britânico Alex Sobel, poucas horas depois de parte do grupo concluir a graduação.

As soluções seguem caminhos diferentes, mas partem da mesma proposta: adaptar a tecnologia às necessidades de uma pessoa específica.

Uma equipe criou um processo para produzir próteses provisórias de braço com impressão 3D.

A outra construiu um dispositivo robótico de assistência para ajudar John Pattison, de 73 anos, a voltar a dedilhar o violão após um AVC sofrido em 2017.

Prótese impressa em 3D pode ficar pronta em uma semana

A prótese desenvolvida pelos estudantes não pretende substituir o equipamento definitivo fornecido pelo sistema público de saúde britânico.

Sua função é preencher o intervalo entre a cicatrização após a cirurgia e a chegada de uma solução de longo prazo, período em que tarefas comuns podem continuar difíceis para quem passou por uma amputação.

Com novos ajustes, o método documentado pela equipe poderá permitir que engenheiros voluntários da REMAP produzam uma prótese provisória personalizada em apenas uma semana, usando uma impressora 3D comum.

A atualização divulgada pela Universidade de Leeds em julho informa que, em alguns casos, a espera por uma prótese definitiva pode chegar a 12 ou 18 meses.

George Glasgow, que tem amputação em um dos membros superiores e também atua como engenheiro voluntário da REMAP, participou do desenvolvimento.

Segundo ele, o processo pode funcionar como uma solução intermediária entre a recuperação da cirurgia e o recebimento do braço ou da mão protética de longo prazo.

“O método e o processo que os estudantes desenvolveram podem fornecer uma ponte vital entre a cicatrização da ferida após a cirurgia e a chegada da prótese definitiva de braço ou mão pelo NHS”, afirmou Glasgow.

Nesse intervalo, atividades como usar talheres, pentear o cabelo e transportar objetos podem exigir adaptações.

Para Glasgow, recuperar essas funções também pode contribuir para a adaptação emocional à nova rotina, além do benefício físico proporcionado pelo equipamento.

Os estudantes Hugo Wong e Teddy Strange apresentam a George Glasgow a prótese temporária produzida com impressão 3D e componentes modulares. Crédito: Mark Bickerdike/Universidade de Leeds.
Os estudantes Hugo Wong e Teddy Strange apresentam a George Glasgow a prótese temporária produzida com impressão 3D e componentes modulares. Crédito: Mark Bickerdike/Universidade de Leeds.

Scanner digital cria encaixe personalizado para a prótese

Para criar uma prótese que acompanhasse o formato do corpo, a equipe colocou pequenos marcadores no membro residual de Glasgow e usou um scanner digital.

O sistema registrou a geometria da região e gerou um modelo tridimensional, posteriormente enviado para impressão.

A técnica se parece com processos usados para capturar objetos e movimentos destinados a jogos digitais.

Nesse caso, porém, o objetivo era reproduzir as medidas do braço com precisão suficiente para criar o encaixe, parte da prótese que permanece em contato direto com o corpo.

Um ajuste inadequado pode provocar desconforto, irritação ou lesões na pele.

Por isso, o encaixe precisa ser personalizado, mesmo quando outros componentes são produzidos previamente ou podem ser regulados conforme a necessidade do usuário.

Em vez de imprimir toda a prótese como uma peça única, os estudantes dividiram o projeto em quatro módulos.

O conjunto inclui o encaixe personalizado, uma parte ajustável e componentes pré-fabricados, além de uma conexão que recebe diferentes ferramentas.

Essa organização foi pensada para acelerar a fabricação e facilitar reparos ou mudanças.

Se o usuário precisar realizar outra atividade, não será necessário substituir toda a prótese: basta retirar o acessório instalado e conectar uma ferramenta diferente.

Cameron Delaney utiliza um scanner portátil para registrar o formato do membro residual de George Glasgow antes da criação do encaixe personalizado da prótese. Crédito: Mark Bickerdike/Universidade de Leeds.
Cameron Delaney utiliza um scanner portátil para registrar o formato do membro residual de George Glasgow antes da criação do encaixe personalizado da prótese. Crédito: Mark Bickerdike/Universidade de Leeds.

Acessórios intercambiáveis ajudam em tarefas diárias

Entre os acessórios criados está um utensílio semelhante à combinação de colher e garfo, destinado à alimentação.

Outra peça funciona como uma pinça para segurar e manipular objetos menores, enquanto um gancho maior foi projetado para carregar sacolas mais pesadas.

As conexões podem ser colocadas e retiradas sem ajuda externa.

Esse detalhe recebeu atenção porque pessoas com amputações nos dois braços podem encontrar dificuldades para manipular mecanismos que normalmente exigem o uso simultâneo das duas mãos.

Mandy Neal e George Glasgow, ambos com amputações em membros superiores, compartilharam suas experiências com os estudantes.

Os relatos permitiram que a equipe observasse obstáculos que poderiam passar despercebidos em um projeto elaborado apenas a partir de desenhos técnicos.

Cameron Delaney, integrante do grupo responsável pela prótese, afirmou que o contato com usuários ajudou a direcionar o trabalho.

“Você está fazendo algo que realmente ajudará alguém”, disse o estudante ao comentar a aplicação prática do projeto.

Após concluir a graduação integrada em Engenharia Mecânica, Delaney voltou a apresentar a solução durante a visita do deputado Alex Sobel.

Na ocasião, explicou o funcionamento dos módulos e o papel do encaixe personalizado produzido a partir do escaneamento.

Dispositivo robótico tenta recuperar movimento para tocar violão

O segundo projeto começou com um pedido ligado não à alimentação ou à mobilidade, mas à música.

John Pattison tocava violão antes de sofrer um AVC em 2017.

Desde então, a limitação de movimento no lado usado para dedilhar as cordas o impediu de retomar o instrumento.

Ao conhecer a parceria entre a universidade e a REMAP, Pattison contou que desejava voltar a tocar “A Horse with No Name”, canção da banda America.

O desafio apresentado aos estudantes era recriar o movimento em arco feito pelo braço durante o dedilhado, sem substituir completamente a participação do músico.

A equipe desenvolveu um aparelho que oferece assistência somente depois que o usuário inicia o gesto.

A universidade compara o princípio a uma máquina de barra assistida encontrada em academias: o equipamento reduz parte do esforço, mas a pessoa continua responsável por começar e conduzir o movimento.

Com o uso progressivo, a assistência pode ser diminuída.

O sistema foi projetado para repetir músicas no mesmo ritmo, ao mesmo tempo em que reduz gradualmente o auxílio, permitindo acompanhar a evolução do movimento.

O objetivo final é que o usuário consiga tocar sem o suporte do aparelho.

Para prender a mão ao mecanismo, os estudantes criaram uma espécie de luva aberta e sem dedos.

O formato permite que uma pessoa com mobilidade reduzida coloque o acessório sem depender de outra pessoa.

Harvey Roberts, Isaac Martin, Gerry Van Hee, Phil Asante-Siaw e Sam Matthews observam o dispositivo de assistência instalado em um violão durante o desenvolvimento do projeto. Crédito: Mark Bickerdike/Universidade de Leeds.
Harvey Roberts, Isaac Martin, Gerry Van Hee, Phil Asante-Siaw e Sam Matthews observam o dispositivo de assistência instalado em um violão durante o desenvolvimento do projeto. Crédito: Mark Bickerdike/Universidade de Leeds.

Problemas de saúde impediram o primeiro teste do aparelho

Quando a Universidade de Leeds apresentou o projeto, em 24 de junho de 2026, Pattison informou que ainda não havia conseguido testar o dispositivo por causa de problemas de saúde.

Mesmo assim, destacou o empenho dos estudantes e a importância da colaboração entre gerações.

“Infelizmente, devido a problemas de saúde, ainda não pude testar o dispositivo. No entanto, fiquei muito impressionado com a dedicação e o entusiasmo dos estudantes, e o projeto é muito inovador em seu desenho e capacidade”, declarou.

A atualização publicada em 28 de julho mostrou os estudantes apresentando o equipamento ao deputado Alex Sobel, mas não informou de maneira clara se Pattison já havia realizado um teste prático após a primeira divulgação.

Por isso, não é possível afirmar que ele tenha voltado a tocar ou que o aparelho já tenha sido usado em um processo de reabilitação individual.

Phil Asante-Siaw, de 22 anos, participou da criação do sistema.

Segundo ele, todos os integrantes da equipe tocavam instrumentos, fator que aumentou o interesse pelo trabalho.

O estudante afirmou que a experiência também reforçou sua intenção de seguir profissionalmente na área de engenharia robótica.

Parceria criou adaptações para bengalas e outros equipamentos

A colaboração surgiu após Fareda Al Wakeel, ex-aluna da Universidade de Leeds, pedir uma carta de recomendação ao antigo professor Anthony Herbert para trabalhar como voluntária na REMAP.

Herbert identificou a possibilidade de conectar os projetos acadêmicos a demandas apresentadas por pessoas atendidas pela instituição.

A partir dessa aproximação, estudantes de Engenharia Mecânica, Engenharia Médica e Design de Produto passaram a trabalhar com voluntários da entidade.

A proposta é desenvolver soluções quando não existe no mercado um equipamento capaz de atender à necessidade específica de determinado usuário.

Entre as adaptações já realizadas está o cabo personalizado de uma bengala para uma mulher com artrite reumatoide.

A dificuldade para segurar o modelo convencional estava limitando suas saídas de casa.

Técnicos da universidade escanearam a mão da usuária e imprimiram um cabo compatível com sua forma de pegada.

Outro trabalho semelhante foi iniciado para uma pessoa com dedos fundidos.

A universidade também informou, em junho de 2026, que dois estagiários remunerados trabalhariam em novos desafios apresentados pela REMAP durante o verão britânico.

Anthony Herbert, responsável pela parceria na Escola de Engenharia Mecânica, afirmou que os projetos permitem aos estudantes aplicar criatividade e conhecimento técnico em problemas reais.

Para ele, o contato direto com os usuários oferece uma experiência que ultrapassa a sala de aula.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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