1. Início
  2. Curiosidades
  3. Depois de mais de 15 anos vivendo nas ruas e enfrentando a dependência química, homem de 46 anos foi acolhido em Blumenau, passou por tratamento e voltou recuperado para trabalhar como monitor de uma comunidade terapêutica ajudando pessoas que vivem a mesma realidade
Faça um comentário 5 min de leitura

Depois de mais de 15 anos vivendo nas ruas e enfrentando a dependência química, homem de 46 anos foi acolhido em Blumenau, passou por tratamento e voltou recuperado para trabalhar como monitor de uma comunidade terapêutica ajudando pessoas que vivem a mesma realidade

Imagem de perfil do autor Alisson Ficher
Escrito por Alisson Ficher Publicado em 13/08/2026 às 22:32
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Trajetória marcada por mais de 15 anos nas ruas ganhou outro rumo após acolhimento, tratamento e recuperação em Santa Catarina, até transformar uma experiência de vulnerabilidade em trabalho diário de apoio a pessoas que enfrentam problemas semelhantes e buscam reorganizar a própria vida.

Depois de passar mais de 15 anos em situação de rua e conviver com a dependência química, Rafael Novaes, de 46 anos, foi acolhido pela rede municipal de Blumenau, em Santa Catarina, encaminhado para tratamento e hoje trabalha como monitor em uma comunidade terapêutica.

Na função atual, ele acompanha pessoas que enfrentam problemas semelhantes aos que marcaram sua própria trajetória, transformando a experiência de vulnerabilidade e recuperação em uma rotina profissional dedicada ao apoio de outros dependentes durante diferentes etapas do tratamento.

Segundo a Prefeitura de Blumenau, o acolhimento ocorreu no início de 2025, quando a equipe de Abordagem Social do município identificou a situação de Rafael e articulou, com a rede de assistência, o encaminhamento necessário para que ele recebesse tratamento.

A partir desse atendimento, o processo passou a reunir acompanhamento social, internação e suporte voltado à recuperação, até que Rafael deixasse a condição registrada anteriormente nas ruas e começasse a reorganizar a própria rotina mantendo a sobriedade.

Rafael Novaes voltou a Blumenau trabalhando como monitor

Quando retornou a Blumenau, em junho de 2026, Rafael encontrou novamente profissionais e representantes do município que haviam participado do atendimento, mas dessa vez chegou à cidade fora das ruas, em recuperação e exercendo uma nova função profissional.

Em Petrolândia, também em Santa Catarina, ele passou a trabalhar como monitor de uma comunidade terapêutica, onde acompanha pessoas em tratamento contra a dependência e usa a experiência acumulada durante a própria recuperação como parte das atividades desempenhadas diariamente.

A mudança ocorreu depois de um período prolongado de vulnerabilidade, já que a Prefeitura registra mais de 15 anos de vida em situação de rua enquanto Rafael enfrentava a dependência química e as dificuldades associadas à ausência de uma rotina estável.

Ao falar sobre essa etapa, ele descreveu o tratamento como um ponto de virada para recuperar autonomia e voltar a tomar decisões sobre a própria vida, destacando que permanecer longe das drogas exige uma escolha consciente renovada todos os dias.

Recuperação da dependência química mudou a rotina

Dentro dessa nova rotina, a sobriedade deixou de estar associada apenas ao tratamento e passou a envolver trabalho, responsabilidade e acompanhamento constante, elementos que Rafael relaciona diretamente à possibilidade de manter distância da dependência que atravessou tantos anos de sua trajetória.

Essa reconstrução também modificou seu papel dentro do ambiente terapêutico, porque ele deixou de ocupar somente a posição de pessoa atendida e passou a exercer uma função de suporte para quem ainda percorre etapas semelhantes às que enfrentou.

No trabalho realizado em Petrolândia, Rafael se dedica integralmente ao acompanhamento de outros dependentes, participando de uma rotina voltada ao apoio de pessoas em tratamento e mantendo contato diário com situações que, em diferentes momentos, fizeram parte da própria história.

Ele atribui parte importante desse recomeço ao apoio e à orientação recebidos durante o período de recuperação, enquanto afirma que o foco atual está em ajudar outras pessoas que também tentam reorganizar a vida e permanecer afastadas das drogas.

Rede de assistência social participou do acolhimento

O acolhimento inicial em Blumenau foi realizado pela rede de Abordagem Social, responsável pelo atendimento informado pela administração municipal, enquanto o encaminhamento posterior para tratamento ocorreu de forma articulada com os demais serviços de assistência envolvidos no caso.

Durante a visita de Rafael à Prefeitura, o prefeito Egidio Ferrari relembrou que acompanhou o começo desse processo, desde uma operação de rua até a internação involuntária que integrou o encaminhamento adotado pela rede municipal naquele momento.

Segundo a administração de Blumenau, o atendimento reuniu abordagem ativa, acompanhamento e encaminhamento para serviços destinados a pessoas em vulnerabilidade, dentro de uma atuação que envolveu diferentes áreas da rede pública de proteção e assistência social do município.

O secretário de Desenvolvimento Social, Rafael Burgonovo, afirmou que o caso mobilizou essa estrutura integrada, que mantém ações de abordagem, encaminhamentos relacionados à saúde e iniciativas voltadas à reintegração social de pessoas atendidas em condições semelhantes.

De pessoa atendida a monitor de comunidade terapêutica

Ao reencontrar os profissionais ligados ao período em que vivia nas ruas, Rafael apareceu em uma condição diferente daquela registrada no início do acompanhamento, agora com uma rotina profissional definida e dedicação integral ao suporte oferecido pela comunidade terapêutica.

Nessa nova fase, o contato com pessoas em recuperação faz parte de suas atividades diárias, enquanto a experiência vivida no próprio tratamento permanece associada ao trabalho que ele desempenha junto de quem ainda enfrenta a dependência.

O ambiente da comunidade terapêutica, segundo o relato apresentado pela Prefeitura, ofereceu apoio, orientação e uma oportunidade de recomeço durante a recuperação de Rafael, que posteriormente passou a participar do atendimento de pessoas submetidas a processos semelhantes.

Hoje, a função exercida em Petrolândia mantém Rafael diretamente ligado ao universo da recuperação, embora em uma posição diferente daquela que ocupava quando recebeu atendimento, combinando o cuidado com a própria sobriedade ao acompanhamento de outros dependentes.

Mais de 15 anos depois de viver nas ruas enfrentando a dependência química, sua rotina passou a envolver justamente o auxílio a pessoas que buscam reorganizar a própria vida, enquanto ele mantém a recuperação como uma responsabilidade construída diariamente.

Ao falar sobre autonomia, Rafael relacionou a recuperação à capacidade de voltar a decidir sobre a própria vida e permanecer longe das drogas, ao mesmo tempo em que transformou essa experiência em uma atividade profissional centrada no apoio a outras pessoas.

Quantas trajetórias poderiam tomar um rumo diferente quando acolhimento, tratamento e acompanhamento conseguem alcançar pessoas em situação de rua e oferecer condições para que elas recuperem autonomia, reorganizem a rotina e encontrem novas formas de participar da vida social?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x