O catarinense Laion Schlickmann deixou São Ludgero no fim de 2019 e começou nos Estados Unidos tirando neve de calçadas por US$ 50 que nunca recebeu. Hoje, aos 32 anos, comanda uma construtora que atua em três estados e projeta faturar mais de US$ 2,2 milhões em 2026.
Duas horas de trabalho, US$ 50 combinados e nenhum centavo recebido: foi assim que começou a vida nos Estados Unidos de um catarinense que hoje lidera a própria construtora. Segundo o NSC Total, Laion Schlickmann, natural de São Ludgero, no Sul de Santa Catarina, teve como primeiro serviço no país a retirada de neve de calçadas na pequena cidade de Hudson, em New Hampshire e o pagamento nunca foi feito.
O calote, que poderia ter sido apenas mais uma dificuldade de imigrante, virou o ponto de partida de outra história. Aos 32 anos, ele está à frente da Schlickmann General Construction, empresa fundada em 2022 e especializada na recuperação e modernização de imóveis residenciais, com atuação em Massachusetts, Connecticut e New Hampshire e projeção de faturar mais de US$ 2,2 milhões em 2026.
Os US$ 50 que nunca chegaram
O início nos Estados Unidos não teve nada de glamouroso. O primeiro trabalho do catarinense foi retirar neve de calçadas em Hudson, no estado de New Hampshire, uma tarefa simples e braçal, típica de quem acabou de chegar ao país.
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O combinado era modesto e o serviço, rápido. A tarefa durou cerca de duas horas e renderia US$ 50, mas o pagamento nunca foi feito, segundo o relato publicado pela reportagem.
O episódio ficou marcado justamente pelo contraste com o que veio depois. O que poderia representar apenas mais um revés na vida de um imigrante acabou virando o marco inicial de uma trajetória que terminaria na direção de uma empresa da construção civil nos Estados Unidos.
De São Ludgero para os Estados Unidos no fim de 2019
A mudança de país aconteceu em um momento bem definido. Natural de São Ludgero, no Sul de Santa Catarina, Schlickmann se mudou para os Estados Unidos no fim de 2019, sem qualquer vivência no setor em que atuaria depois.
Foi uma virada radical de rota profissional. Nos Estados Unidos, ele precisou recomeçar do zero, deixando para trás os negócios que já tocava no Brasil e encarando funções totalmente novas.
O timing da chegada também ajuda a dimensionar o percurso. Do fim de 2019 até hoje, foram cerca de seis anos entre o primeiro trabalho tirando neve e a liderança de uma construtora, um intervalo curto para uma mudança tão grande de patamar. O mercado em que ele entrou é acompanhado por entidades como a National Association of Home Builders.
A vida antes da neve: embalagens, eventos e chope
Antes de empreender na construção civil, o catarinense já tinha experiência como empresário, mas em outras áreas. Em Santa Catarina, ele trabalhou com comércio de embalagens plásticas, organização de eventos e venda de chope durante as temporadas de verão.
Nenhuma dessas atividades tinha relação com obras. Era uma bagagem de gestão e de comércio, e não de canteiro de obras, o que tornaria o recomeço nos Estados Unidos ainda mais desafiador.
Essa vivência anterior, porém, não foi desperdiçada. O traquejo com negócios ajudaria mais tarde, quando ele passasse de executor a gestor dentro do setor da construção civil americano.
Começando do zero como ajudante de obra
A entrada no setor aconteceu pela base da pirâmide. Sem experiência em construção civil, ele iniciou a carreira como ajudante em pequenas empresas do ramo, aprendendo na prática.
Aos poucos, foi acumulando conhecimento técnico. Aprendeu técnicas de acabamento, instalação de revestimentos, leitura de projetos e organização de obras, competências que formam a espinha dorsal de uma reforma.
Com o tempo, o papel dele mudou dentro dos canteiros. Com a experiência adquirida, passou a assumir funções de coordenação e identificou uma oportunidade de negócio, o que abriria caminho para a empresa própria.
A diferença que virou negócio: a mão de obra especializada

A oportunidade nasceu de uma observação sobre como o mercado funciona nos dois países. Segundo o empresário, uma das principais diferenças entre o mercado americano e o brasileiro está na especialização da mão de obra.
A comparação é direta e explica muita coisa. Enquanto no Brasil um mesmo profissional costuma executar diferentes serviços, nos Estados Unidos cada etapa da obra é realizada por equipes específicas, o que fragmenta o processo.
Foi aí que ele viu espaço para atuar. A partir dessa estrutura, decidiu criar uma empresa voltada ao gerenciamento completo das reformas, coordenando profissionais especializados em todas as fases dos projetos ou seja, vendendo justamente a organização que faltava.
A empresa fundada em 2022 e o salto do faturamento
O negócio próprio saiu do papel três anos depois da chegada. A Schlickmann General Construction foi fundada em 2022 e é especializada na recuperação e modernização de imóveis residenciais, atuando em Massachusetts, Connecticut e New Hampshire.
A curva de crescimento chama atenção. De acordo com a imprensa catarinense, a empresa faturou cerca de US$ 600 mil em 2024 e saltou para aproximadamente US$ 1,7 milhão em 2025, mais que dobrando o resultado em um ano.
Para 2026, a expectativa é de novo avanço. A projeção é superar US$ 2,2 milhões, o equivalente a algo em torno de R$ 12 milhões — vale lembrar que se trata de uma projeção da própria empresa, e não de um resultado já fechado.
O mercado de casas antigas e os US$ 670 bilhões

O crescimento acompanha uma tendência forte no mercado americano. A empresa atua principalmente na recuperação de imóveis antigos, segmento que ganhou força nos Estados Unidos nos últimos anos.
A lógica é aproveitar o que já está construído. Em vez da demolição, muitas residências passam por reformas estruturais e modernização para voltar ao mercado com maior valor agregado, o que reduz desperdício e custo.
Os números do setor ajudam a entender o tamanho da oportunidade. Dados da National Association of Home Builders (NAHB) apontam que cerca de US$ 670 bilhões foram investidos em projetos de remodelação residencial em 2024, impulsionados pelo alto custo dos financiamentos imobiliários e pela menor oferta de imóveis à venda.
House flipping e eficiência energética
Dentro desse cenário, uma estratégia específica ganhou espaço. Cresce o chamado house flipping, modelo baseado na compra de imóveis antigos, recuperação completa das estruturas e posterior revenda com valorização.
É justamente nesse tipo de operação que a empresa se especializou. Recuperar casas antigas para devolvê-las ao mercado é o principal foco do negócio comandado pelo catarinense, segundo as reportagens.
Há ainda um componente técnico que pesa cada vez mais. Schlickmann afirma que os projetos buscam incorporar soluções de eficiência energética, como melhorias no isolamento térmico, modernização de sistemas de climatização e substituição de equipamentos por versões mais econômicas, seguindo as exigências de cada município.
Engenheiros, arquitetos e licenças em Massachusetts
A estrutura da empresa hoje é bem diferente daquela do início. A Schlickmann General Construction reúne uma equipe formada por engenheiros, arquitetos e cerca de 15 profissionais especializados, segundo a reportagem.
Atuar no setor por lá também exige credenciais formais. O empresário conquistou licenças exigidas pelo Estado de Massachusetts para atuar na supervisão de obras e na execução de reformas residenciais, requisito indispensável no mercado americano.
Esse conjunto marca a distância percorrida em poucos anos. De ajudante sem experiência a responsável por uma equipe técnica multidisciplinar, o catarinense passou a ocupar o outro lado da relação de trabalho que o recebeu no país.
Os próximos passos: construir do zero e incorporar
Os planos da empresa não param na recuperação de imóveis. O próximo passo, segundo Schlickmann, é ampliar a atuação para além das reformas, entrando em etapas anteriores do processo.
Isso significa assumir a obra desde o começo. Os planos incluem construir residências desde a fundação e ingressar no mercado de incorporação imobiliária, acompanhando todas as fases do desenvolvimento dos empreendimentos.
Seria a consolidação de um ciclo que começou na calçada. Sair de um serviço de duas horas não pago para desenvolver empreendimentos do zero é o objetivo declarado de quem chegou aos Estados Unidos sem nenhuma experiência no setor.
E você, começaria do zero em outro país?
De US$ 50 que nunca foram pagos a uma projeção de mais de US$ 2,2 milhões em faturamento, a trajetória do catarinense Laion Schlickmann mostra o que pode acontecer quando alguém aceita recomeçar do absoluto zero. Entre pás de neve, canteiros de obra e licenças americanas, ele levou cerca de seis anos para trocar de posição no mercado.
E você, teria coragem de largar tudo e recomeçar em outro país sem experiência na área? O que te seguraria ou o que te empurraria? Conte nos comentários a sua opinião e marque aquela pessoa que sonha em tentar a vida fora do Brasil.
