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Contador que passou por Deloitte, EY, PwC e Microsoft abandona salário de quase US$ 160 mil, retira US$ 100 mil da aposentadoria, abre uma cozinha de frango frito, trabalha até 80 horas por semana e transforma empreendimento em seis restaurantes, afirmando que jamais voltará ao mundo corporativo

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 17/07/2026 às 11:12 Atualizado em 17/07/2026 às 11:14
Ex-contador da Deloitte, EY, PwC e Microsoft investe US$ 100 mil em franquia de frango e expande negócio para seis restaurantes no Colorado
Ex-contador da Deloitte, EY, PwC e Microsoft investe US$ 100 mil em franquia de frango e expande negócio para seis restaurantes no Colorado
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Depois de anos calculando impostos para algumas das maiores empresas do mundo, Henry Lee trocou reuniões, salário fixo e benefícios pela cozinha de um restaurante, trabalhou até 80 horas por semana e transformou uma franquia de frango coreano em uma operação com seis unidades no Colorado

Henry Lee tinha uma carreira que muitos profissionais de contabilidade levariam décadas para construir. Aos 46 anos, ele já havia passado por Deloitte, Ernst & Young, PwC, Accenture e Microsoft, ocupando cargos ligados à área tributária e recebendo quase US$ 160 mil por ano.

Mesmo com salário elevado, benefícios e estabilidade, o contador dizia sentir que o trabalho havia perdido o sentido. As reuniões sucessivas, a política interna das empresas e a obrigação de permanecer no escritório mesmo em períodos de pouca demanda fizeram Lee começar a procurar uma saída.

A mudança exigiu uma decisão financeira arriscada. Ele retirou cerca de US$ 100 mil de seu plano de aposentadoria 401(k), investiu as economias na abertura de uma franquia de frango frito coreano e passou três semanas aprendendo a empanar, fritar, preparar acompanhamentos e atender clientes.

O primeiro restaurante abriu em Denver, no Colorado, em 2018. Sete anos depois, Lee controlava seis unidades da rede Bonchon no estado, uma loja de chá com pérolas de tapioca e preparava um espaço gastronômico com sete restaurantes.

Uma carreira tributária construída entre aumentos salariais e mudanças constantes de empresa

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Henry Lee – Foto: Sherman Associates

Lee estudou finanças e economia em uma pequena universidade do Tennessee, onde entrou com bolsa para jogar futebol americano. Seu objetivo inicial era tentar uma vaga na NFL, principal liga profissional dos Estados Unidos, mas ele precisou mudar de plano quando percebeu que dificilmente seguiria carreira no esporte.

O primeiro emprego relacionado à formação foi na PRG-Schultz, empresa especializada na recuperação de valores pagos indevidamente em impostos sobre vendas. Depois, trabalhou como contador tributário na fabricante de semicondutores International Rectifier.

Um gerente sugeriu que ele procurasse uma vaga em uma das chamadas Big Four, grupo formado por Deloitte, EY, PwC e KPMG. A experiência de Lee com impostos sobre vendas, uma área bastante específica da contabilidade americana, ajudou-o a ser contratado como associado tributário sênior na Deloitte.

A partir daí, ele passou a trocar de emprego com frequência. Enquanto os reajustes anuais ficavam perto de 2% ou 3%, propostas externas podiam oferecer aumentos de 20% a 25%, além de bônus de contratação. Essa estratégia o levou à EY, novamente à Deloitte, à Accenture, à PwC e, posteriormente, à Microsoft.

Salário maior não impediu que reuniões e política interna esvaziassem o trabalho

Lee foi demitido de sua segunda passagem pela Deloitte durante a crise financeira de 2008. Antes de retornar à consultoria, chegou a trabalhar como especialista tributário sênior no Burger King, experiência que ampliou sua atuação com impostos corporativos.

Entre as grandes empresas, ele considerava a Microsoft o local com melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. O problema não estava apenas na carga horária, mas na sensação de que parte do expediente era consumida por reuniões improdutivas, disputas internas e tarefas que já não despertavam interesse.

O contador passou a cumprir suas obrigações sem envolvimento real com a função, comportamento hoje associado ao termo “quiet quitting”. Em determinado momento, começou a questionar se deveria passar o restante da vida profissional trabalhando exclusivamente com impostos.

A alternativa veio de uma experiência familiar. Os pais de Lee haviam administrado um restaurante chinês, e ele conhecia parte da rotina do setor. Depois de morar em Los Angeles, sentia falta do frango frito coreano que encontrava na cidade e dizia não localizar produtos semelhantes com a mesma qualidade no Colorado.

Retirar US$ 100 mil da aposentadoria colocou as economias acumuladas em risco

Lee escolheu a Bonchon, rede especializada em frango coreano empanado e frito duas vezes. Enquanto organizava o restaurante, permaneceu na Microsoft para manter uma fonte de renda durante a fase inicial do negócio.

A transição terminou oito meses depois da abertura, quando ele deixou o cargo de gerente tributário sênior e o salário anual pouco inferior a US$ 160 mil. A segurança do emprego foi substituída por despesas com aluguel, equipamentos, funcionários, insumos, taxas da franquia e capital de giro.

Usar recursos do 401(k) antes da aposentadoria pode gerar consequências tributárias nos Estados Unidos. Segundo o Internal Revenue Service, retiradas realizadas antes dos 59 anos e meio geralmente entram na renda tributável e podem sofrer uma cobrança adicional de 10%, salvo exceções previstas na legislação. Não há informação pública de que forma essas regras foram aplicadas especificamente ao saque de Lee.

O investimento também não trouxe liberdade imediata. No primeiro ano, o ex-contador trabalhou entre 60 e 80 horas semanais, durante sete dias, preparando alimentos e acompanhando pessoalmente as operações da cozinha. A diferença, segundo ele, era saber que o esforço estava sendo direcionado para um negócio próprio.

O primeiro restaurante abriu em 2018 e encontrou um mercado ainda pouco explorado

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A gerente de atendimento Amanda McKee, a bartender principal Lisa Sin e o proprietário Henry Lee em frente ao Bonchon Stapleton – Foto: Linnea Covington

A primeira Bonchon administrada por Lee foi inaugurada em 3 de novembro de 2018, no então bairro de Stapleton, atualmente chamado Central Park, em Denver. Ele tocava a unidade com a esposa, Jane Li, e já declarava a intenção de abrir novos pontos.

Na época, o frango frito coreano ainda tinha presença limitada na região. Cada porção era preparada sob encomenda e passava por duas frituras, processo utilizado para reduzir a umidade da camada externa e criar uma casca fina e crocante.

Como informou o Westword na cobertura da inauguração, Lee havia se mudado de Los Angeles para o Colorado e escolheu uma área frequentada por famílias e jovens profissionais. O cardápio reunia asas de frango, tiras empanadas, arroz frito, bibimbap e pratos de fusão asiática.

O crescimento foi gradual. Em 2022, a operação já possuía três restaurantes abertos no Colorado e havia assinado um acordo para desenvolver até 12 unidades. Lee também passou a depender de gerentes para a rotina diária, reduzindo sua presença direta na cozinha conforme a rede aumentava.

Seis restaurantes transformaram o ex-contador em operador regional da Bonchon

Em 2025, Lee afirmou ter comprado os direitos de desenvolvimento da Bonchon para todo o Colorado. A rede confirmou que o empresário operava seis unidades no estado e continuava envolvido nos planos de expansão da marca.

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Interior do Bonchon Stapleton – Foto: Linnea Covington

O localizador oficial da Bonchon registra presença em Aurora, Colorado Springs, Denver e Westminster. Algumas cidades possuem mais de um ponto de atendimento, incluindo unidades tradicionais e operações voltadas principalmente para entregas.

Fundada em Busan, na Coreia do Sul, em 2002, a Bonchon entrou nos Estados Unidos em 2006. O método divulgado pela empresa envolve empanar manualmente cada pedaço, realizar duas frituras e aplicar o molho com pincel depois que o frango deixa o óleo.

A expansão de Lee não ficou restrita ao frango. Ele também assumiu uma loja de chá boba e passou a desenvolver um projeto capaz de reunir diferentes cozinhas sob a mesma administração.

Projeto de 15 mil pés quadrados leva a operação para além das franquias

O empreendimento recebeu o nome de Red Lotus Den e começou a ser construído no térreo do edifício residencial Aspire Apartments, no centro de Westminster. O projeto ocupa aproximadamente 15 mil pés quadrados, equivalentes a 1,39 mil metros quadrados, distribuídos em dois andares.

De acordo com a incorporadora Sherman Associates, o espaço foi projetado para comportar 675 pessoas na área interna e aproximadamente 50 no pátio externo. O plano reúne sete restaurantes com pratos chineses, japoneses, coreanos e italianos, além de dois bares, salas de karaokê, ambientes para festas e espaços corporativos.

A proposta difere dos mercados gastronômicos convencionais, nos quais cada estabelecimento possui equipe e caixa próprios. No Red Lotus Den, Lee pretende administrar todos os conceitos como uma operação integrada, permitindo que o cliente faça pedidos de diferentes cozinhas sem precisar deixar a mesa.

O projeto foi anunciado para o verão americano de 2026. O site oficial do empreendimento já apresenta alguns dos conceitos previstos, incluindo pizzaria, massas e culinária asiática, embora as fontes públicas consultadas não tragam uma confirmação clara da inauguração completa até julho de 2026.

A liberdade conquistada veio depois de uma rotina mais pesada que a do escritório

A história de Henry Lee não mostra uma troca simples entre emprego desgastante e empreendimento tranquilo. Durante os primeiros meses, ele trabalhou mais horas no restaurante do que costumava trabalhar nas empresas de consultoria, assumiu riscos tributários e colocou grande parte das economias em uma operação que poderia fracassar.

O resultado mudou quando a terceira unidade começou a funcionar. Lee delegou a rotina aos gerentes, concentrou-se na expansão e passou a ter mais tempo com a esposa e os dois filhos. Ele também afirmou que seu patrimônio aumentou e que ficou mais fácil conseguir capital para novos projetos.

Parte do crescimento pode ser explicada pelas competências adquiridas no mundo corporativo. Experiência com impostos, avaliação de custos, organização de processos e negociação com grandes empresas são conhecimentos diretamente aplicáveis à administração de vários restaurantes, mesmo que Lee tenha deixado de trabalhar formalmente como contador.

Para ele, voltar à antiga carreira está fora dos planos. O ex-executivo compara o ambiente corporativo a permanecer preso em uma realidade controlada e diz que, depois de experimentar a autonomia de decidir quando e onde trabalhar, não pretende retornar às salas de reunião e aos departamentos tributários.

Você trocaria um salário anual de quase US$ 160 mil e a estabilidade de uma multinacional para investir suas economias em um restaurante? Deixe seu comentário e conte se a decisão de Henry Lee representa coragem, planejamento ou um risco que poucas pessoas deveriam assumir.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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