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Como um país quase sem árvores tenta reflorestar desertos vulcânicos, usando bétulas, espécies estrangeiras, abrigo contra vento, controle de ovelhas, solo pobre, cinzas constantes e décadas de paciência para recuperar um dos ecossistemas mais degradados da Europa moderna

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/02/2026 às 16:49
Atualizado em 08/02/2026 às 16:50
Assista o vídeoNo país quase sem árvores, a Islândia aposta em bétulas, controla ovelhas e convive com o vulcão Heckler para estabilizar solo e vento, enquanto decide como usar espécies estrangeiras sem perder a lógica do reflorestamento.
No país quase sem árvores, a Islândia aposta em bétulas, controla ovelhas e convive com o vulcão Heckler para estabilizar solo e vento, enquanto decide como usar espécies estrangeiras sem perder a lógica do reflorestamento.
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Do 0,5% de cobertura florestal ao plantio diário de milhares de mudas, o país quase sem árvores transforma a Islândia em laboratório: bétulas rebrotam de raízes antigas, ovelhas viram obstáculo e o vulcão Heckler espalha cinzas e vento que roubam solo por décadas com fertilizante e paciência para recuperar ecossistemas.

No país quase sem árvores, a Islândia vive um paradoxo técnico: o território é conhecido por geleiras e vulcões, mas a crise real acontece no chão, onde o solo some com o vento e a areia vulcânica. É nesse cenário que a recomposição florestal virou política de longo prazo, mais lenta do que qualquer ciclo eleitoral.

A estratégia combina bétulas nativas, espécies estrangeiras e manejo de ovelhas, porque o desafio não é só plantar, é fazer a muda permanecer. O vulcão Heckler, as cinzas e as tempestades de areia entram na conta como variáveis permanentes, exigindo abrigo, escolha de espécies e repetição.

A ferida antiga de um país quase sem árvores

No país quase sem árvores, a Islândia aposta em bétulas, controla ovelhas e convive com o vulcão Heckler para estabilizar solo e vento, enquanto decide como usar espécies estrangeiras sem perder a lógica do reflorestamento.

Quando colonos vikings chegaram à Islândia, a cobertura de bétulas era parte do cotidiano.

Séculos de corte para lenha, somados ao pastoreio, reduziram a floresta a um resíduo: o país quase sem árvores terminou com cerca de 0,5% de cobertura florestal, e vastas áreas passaram a se comportar como desertos.

No século XIX, o processo ficou visível no relevo.

Tempestades de areia vulcânica podiam durar semanas, arrancando a camada fértil e deixando colinas erodidas.

Em 1882, uma tempestade de três semanas removeu solo em grandes trechos; uma faixa estreita foi poupada onde uma montanha serviu de abrigo contra o vento, um detalhe que hoje orienta o reflorestamento.

Ovelhas, raízes antigas e a batalha pela sobrevivência

No país quase sem árvores, a Islândia aposta em bétulas, controla ovelhas e convive com o vulcão Heckler para estabilizar solo e vento, enquanto decide como usar espécies estrangeiras sem perder a lógica do reflorestamento.

Ovelhas são parte da cultura rural da Islândia, mas também aparecem como o gargalo biológico da regeneração.

Em áreas onde bétulas tentam rebrotar a partir de raízes antigas, a mordida constante impede que brotos ganhem altura, mantendo árvores jovens em tamanho de muda por anos e, em alguns casos, por décadas.

Por isso, o controle de ovelhas é tratado como infraestrutura ecológica.

Cercas e áreas protegidas determinam se a floresta volta ou se permanece travada.

Em regiões próximas ao vulcão Heckler, a lógica é direta: sem interrupção do pastejo, a bétula não fecha copa; sem copa, o solo segue exposto e a erosão do solo recomeça a cada evento de vento e cinzas.

Abrigo contra vento, espécies estrangeiras e decisões impopulares

Em um país quase sem árvores, plantar a espécie certa no lugar errado costuma ser desperdício de energia.

A estratégia descrita por técnicos da Islândia usa pioneiras tolerantes para criar microclima e, só depois, inserir espécies mais exigentes.

Um exemplo é o uso de abeto de Sitka por sua tolerância ao sal e ao vento, oferecendo abrigo para que bétulas e outras árvores tenham chance.

A introdução de espécies estrangeiras também entra como ferramenta de solo, não como estética. O solo vulcânico tem minerais, mas falta um elemento decisivo: nitrogênio.

Por isso, a flor roxa conhecida como lupino foi usada para enriquecer o terreno e acelerar etapas, ao custo de um debate interno sobre invasão e conservação.

A controvérsia nasce do mesmo dilema técnico: sem solo funcional, não existe floresta.

O vulcão Heckler como fator constante de projeto

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O vulcão Heckler não é apenas um marco no horizonte, ele define o risco operacional.

Cinzas e areia vulcânica, combinadas ao vento, funcionam como lixa sobre áreas já fragilizadas, retirando a parte boa do solo e espalhando partículas para longe.

Onde a vegetação ainda é rala, o impacto é maior, e a recuperação pode ficar inviável sem intervenção.

A resposta inclui plantar em mosaico e aproveitar pontos protegidos, repetindo a lição do abrigo de 1882.

Também inclui aceitar que algumas árvores crescem melhor sob proteção inicial: bétulas, salgueiros e pioneiras estabilizam o terreno, enquanto outras espécies entram quando o microclima melhora.

Em termos práticos, a floresta é usada como engenharia contra erosão do solo.

Plantio em escala e paciência como tecnologia

Os números ajudam a entender por que a Islândia trata reflorestamento como operação.

Em áreas de plantio, bandejas chegam a ter 67 mudas cada, e equipes conseguem plantar milhares por dia, com relatos de cerca de 6.000 árvores diárias quando há fertilização.

O objetivo citado em projetos no sul é reflorestar uma área equivalente a 140.000 campos de futebol ao redor do vulcão Heckler.

Ao mesmo tempo, resultados reais são medidos em décadas.

Em áreas cercadas desde 1924, a regeneração natural e o plantio ampliaram a cobertura de algumas centenas de hectares para milhares, com a floresta literalmente “rastejando” colina acima.

A lógica é simples e dura: em um país quase sem árvores, o tempo é parte do orçamento.

Biodiversidade, clima e o que muda quando as árvores voltam

O retorno das árvores altera a fauna, porque cria habitat e reduz a exposição ao vento.

Há registros de aves chegando ou se estabelecendo à medida que a cobertura arbórea aumenta, funcionando como indicador indireto de biodiversidade.

Mesmo em áreas de bétulas, a presença de sombra e barreira física muda a umidade local e a estabilidade do solo.

O desafio, porém, não é estático.

Projeções de aquecimento, citadas por especialistas locais, apontam um cenário em que a Islândia se aproximaria de um clima mais ameno ao longo do século, o que afeta quais espécies resistem, além de aumentar riscos de pragas e doenças.

Por isso, a estratégia inclui diversidade genética e variedade de espécies, mantendo o debate sobre espécies estrangeiras sempre aberto, especialmente em um país quase sem árvores.

Na sua cidade, o que você aceitaria para recuperar áreas degradadas: cercar ovelhas, usar espécies estrangeiras ou esperar décadas por bétulas, mesmo com o vulcão Heckler e o vento pressionando o solo? Conte qual escolha você faria e por quê, com um exemplo bem concreto do seu lugar.

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Naldo carvalho
Naldo carvalho
09/02/2026 23:59

Espécie estrangeiras resistentes e não haveriam pragas em curto prazo, mas se u dia tiver, trata-se

Marco Antônio Soares de Moraes
Marco Antônio Soares de Moraes
09/02/2026 07:10

Caros Amigos : A Islândia investe muito em Biotecnologia, Ciências médicas, TI e Data Centers. Sua população 100% escolarizada e em grande parte trilíngue (islandês, dinamarquês e inglês). E está desde os 50’s investindo em reflorestamento e pesquisas. Já conseguiram criar próxima a capital uma floresta. Agora o resto é continuar plantando e investindo em pesquisas ! 👍

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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