Sondagens, análises de laboratório e diferentes métodos de extração integram uma atividade que depende das características do depósito, dos custos e das exigências do produto destinado à indústria.
Entender como funciona a mineração exige acompanhar um processo que começa antes da retirada das primeiras rochas.
A atividade envolve pesquisa mineral, escolha do método de extração e tratamento do material, com operações diferentes conforme a localização do depósito e as características dos minerais.
A escolha entre uma mina a céu aberto e uma operação subterrânea, por exemplo, considera formato e profundidade do depósito, resistência da rocha, teor do minério, custos e preço de mercado.
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Esses fatores ajudam a determinar qual alternativa permite aproveitar o material economicamente.
Como funciona a mineração antes da abertura da mina
A pesquisa mineral reúne trabalhos de campo e laboratório para conhecer o depósito e avaliar seu aproveitamento. Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), essa etapa pode incluir levantamentos geológicos, geofísicos e geoquímicos, escavações e sondagens.
A investigação também envolve coleta sistemática de amostras e análises físicas e químicas. Entre os materiais examinados estão os testemunhos de sondagem, amostras retiradas durante a perfuração do corpo mineral.
O trabalho não se limita a identificar a presença de uma substância. A pesquisa inclui ensaios de beneficiamento para avaliar a obtenção de concentrados compatíveis com as especificações do mercado ou com o aproveitamento industrial.
No Brasil, a realização da pesquisa depende de autorização da ANM, conhecida como Alvará de Pesquisa. Essa autorização corresponde à etapa de investigação do recurso mineral.
A extração pode ocorrer na superfície ou no subsolo
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) apresenta três métodos principais: mineração subterrânea, mineração de superfície e mineração de depósitos sedimentares, chamados placeres.
Na mineração a céu aberto, o material é extraído a partir da superfície. Rochas duras podem exigir perfuração e desmonte com explosivos. Alguns materiais são suficientemente macios para permitir a retirada sem detonação.
A mineração subterrânea pode ser adequada a depósitos profundos. Após a extração, o material é levado à superfície por caminhões, correias transportadoras ou elevadores e encaminhado ao tratamento.
Já a mineração de placeres recupera minerais presentes em sedimentos de rios, areias de praias ou antigos depósitos de cursos d’água. Nessas operações, lavagem e separação permitem concentrar os minerais mais pesados.
Não existe uma profundidade que, isoladamente, determine o método. A decisão reúne condições geológicas e econômicas. Segundo o USGS, operações subterrâneas tendem a ser mais caras, enquanto depósitos próximos à superfície podem permitir extração por métodos geralmente menos custosos.
O tratamento prepara o minério para seu aproveitamento
Depois da extração, o material pode passar por diferentes operações de beneficiamento. O Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) organiza essa área em etapas que incluem fragmentação, classificação, concentração e separação entre sólidos e líquidos.
Britagem e moagem integram a cominuição, nome técnico das operações de fragmentação. O peneiramento e a classificação trabalham com a distribuição das partículas por tamanho.
A concentração pode recorrer a métodos gravíticos, magnéticos e eletrostáticos, além da flotação e da seleção de minério, conhecida como ore sorting.
Espessamento, filtragem e recuperação de água também fazem parte das operações de tratamento apresentadas pelo centro. A caracterização tecnológica e as análises químicas integram o conjunto de conhecimentos aplicado ao processamento mineral.
A pesquisa também alcança o produto que será comercializado
Os ensaios realizados durante a pesquisa conectam o conhecimento do depósito às possibilidades de uso do material. A ANM prevê testes voltados à obtenção de concentrados com características adequadas ao mercado ou à indústria.
As modalidades de aproveitamento também variam. A agência diferencia a autorização de pesquisa de regimes como o licenciamento de determinadas substâncias e a permissão de lavra garimpeira.
O CETEM distingue, ainda, tratamento de minérios e metalurgia extrativa. Nessa última área, estão processos como pirometalurgia, hidrometalurgia e biometalurgia.
O centro também aborda recuperação de água, aproveitamento de resíduos, saúde e segurança ocupacional e desativação de minas entre os temas ligados à atividade mineral.
