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Com a urgência por moradia subindo em Nova York, igrejas estão transformando estacionamentos vazios e terras não utilizadas em casas acessíveis e projetos já entregam unidades reais em bairros da cidade

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 22/04/2026 às 14:34
Atualizado em 22/04/2026 às 14:36
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Estacionamentos vazios e terras não utilizadas viram casas acessíveis em Nova York, e igrejas aceleram saída para a crise apoiadas por redes técnicas, novas regras urbanísticas e projetos que já entregam unidades reais em bairros da cidade

Em Nova York, onde encontrar moradia virou uma disputa brutal por espaço e dinheiro, uma parte da solução começou a aparecer onde muita gente menos esperava: atrás dos templos, nos estacionamentos vazios, nos terrenos esquecidos e nas áreas que passaram anos sem uso real. Igrejas, sinagogas, mesquitas e outras instituições religiosas estão colocando essas áreas em jogo para criar casas acessíveis e segurar comunidades inteiras em bairros cada vez mais caros. 

A cidade está sem espaço, mas não sem terreno

A urgência ajuda a explicar a força desse movimento. Nova York fechou 2023 com taxa de vacância de aluguel de 1,4%, a menor desde 1968, segundo dados oficiais da cidade.

Ao mesmo tempo, um informe da prefeitura de planejamento mostra que as organizações religiosas espalhadas pela cidade controlam mais de 84 milhões de pés quadrados e têm mais de 80% da área disponível sem uso.

Em uma cidade espremida pela falta de moradia, isso transforma terras não utilizadas em uma das frentes mais promissoras para abrir espaço a novas casas acessíveis. 

Igrejas decidiram mexer na terra parada

Para esse terreno sair do papel e virar obra, surgiu uma engrenagem própria em Nova York. A Interfaith Affordable Housing Collaborative, criada em 2017, foi montada para ajudar instituições religiosas a desenvolver moradia acessível em suas propriedades com assistência técnica, orientação e apoio antes mesmo da escolha do parceiro construtor.

O grupo também opera um fundo de pré-desenvolvimento com empréstimos perdoáveis de até US$ 30 mil, usado para estudos, viabilidade, preparação de RFPs e negociação de contratos. 

A diferença está no controle. Em vez de empurrar uma congregação para um acordo apressado, a iniciativa organiza o processo para que a instituição saiba o valor do terreno que tem, entre na negociação com proteção e mantenha sua missão viva enquanto o projeto avança.

Esse desenho ganhou força justamente porque muitas comunidades de fé tinham terra, mas não tinham equipe, caixa ou conhecimento para atravessar um desenvolvimento imobiliário complexo em Nova York. 

Nova York mudou a regra do jogo para os estacionamentos vazios

A política pública começou a andar na mesma direção. A cidade aprovou em dezembro de 2024 o pacote City of Yes for Housing Opportunity, que simplificou regras para moradia em propriedades religiosas, facilitou conversões de prédios subutilizados e retirou a exigência de estacionamento para casas de culto, abrindo caminho para que estacionamentos vazios passem a disputar espaço com novas moradias.

No plano estadual, segue ativo o Faith-Based Affordable Housing Act, projeto que tenta acelerar esse tipo de construção em terras religiosas e que, segundo a campanha que apoia a medida, pode destravar 60 mil novas moradias ao longo da próxima década, com capacidade para atender até 180 mil nova-iorquinos. 

Queens já mostra o tamanho dessa virada

Em Jamaica, no Queens, um dos casos mais simbólicos é o Covington Garrett Intergenerational Home. O projeto ligado à Calvary Baptist Church reúne 52 unidades acessíveis em um modelo raro no estado: 33 apartamentos de um quarto para idosos e 19 unidades de dois quartos para avós que vivem com os netos.

O caso também virou referência porque a estrutura jurídica foi desenhada para proteger a posição financeira da igreja dentro do empreendimento. 

No mesmo Queens, o Tree of Life levou a escala para outro patamar. O projeto em Jamaica reúne 174 apartamentos, áreas comunitárias e espaço para educação e atendimento, com parte das unidades permanentemente acessíveis.

A iniciativa foi apresentada como a maior desse tipo no bairro e mostra que o uso de terras religiosas ou ligadas a instituições comunitárias já deixou de ser discurso para entrar no mapa real da produção habitacional de Nova York. 

O movimento saiu da boa intenção e virou pipeline de moradia

A expansão não depende só de um projeto isolado. A Enterprise Community Partners afirma que recebeu quase US$ 3 milhões para apoiar até 15 organizações religiosas em Nova York, com meta de criar mais de 1.000 moradias acessíveis em cinco anos.

Antes disso, o New York Land Opportunity Program já havia selecionado igrejas em Manhattan, Bronx e Queens para assistência técnica, mirando centenas de unidades em terrenos subutilizados.

Quando a conta fecha, a igreja preserva sua presença no bairro e a cidade ganha moradia onde antes havia asfalto parado, lote ocioso ou prédio envelhecido. 

Nova York ainda está longe de resolver sua crise habitacional, mas o recado ficou claro: estacionamentos vazios e terras não utilizadas podem deixar de ser sobra urbana e virar casas acessíveis em pontos onde a cidade mais precisa.

E, quando isso acontece em terrenos de instituições que já têm ligação com o bairro, o efeito vai além da obra e ajuda a segurar comunidade, serviço e permanência em áreas que há anos expulsam moradores pelo preço. 

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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