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Cientistas da França pedem que as nações se preparem, porque a principal corrente do oceano Atlântico está muito mais perto do colapso do que se imaginava e pode bagunçar o clima em vários continentes

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 21/04/2026 às 14:10
Atualizado em 21/04/2026 às 14:13
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Um novo estudo indica que a circulação atlântica pode enfraquecer muito além do previsto, elevando o risco de frio extremo, secas, alta do nível do mar e pressão sobre ecossistemas e a produção global de alimentos.

Uma das engrenagens mais importantes do clima global pode ficar muito mais fraca neste século. A nova estimativa aponta que a grande circulação do Atlântico, responsável por redistribuir calor e frio entre regiões, pode perder quase metade da força até 2100.

O alerta ganhou peso porque o recuo projetado ficou bem acima do que muitos modelos indicavam antes. Isso acende sinal para mudanças no clima da Europa, da África e das Américas, além de impactos no oceano, no nível do mar e na produção de alimentos.

O sistema funciona como uma esteira gigantesca de água. Ele leva água quente dos trópicos para o norte e devolve água fria para o sul, ajudando a manter temperaturas, chuvas e ecossistemas em equilíbrio.

Corrente que regula o Atlântico sustenta clima em três continentes

Quando essa circulação opera com estabilidade, ela ajuda a organizar o clima em áreas amplas do planeta. O efeito aparece no transporte de calor, na dinâmica das chuvas e no ambiente marinho que sustenta cadeias alimentares inteiras.

Quando perde força, o desequilíbrio não fica restrito ao oceano. O reflexo pode atingir temperaturas, disponibilidade de água, produtividade no campo e a vida costeira em regiões que dependem dessa organização climática.

O novo estudo sugere que, quanto maior for a salinidade simulada da superfície do mar no Atlântico Sul, mais fraca deverá ser a Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico, conhecida como AMOC, até 2100.
(Crédito da imagem: Portmann et al., Science Advances (2026), CC BY NC)

Novo cálculo eleva projeção e aproxima risco de ponto de não retorno

A estimativa mais recente indica desaceleração entre 43% e 59% até o fim do século. Os próprios autores apontam que isso representa um enfraquecimento cerca de 60% maior do que o previsto por modelos anteriores.

O estudo foi publicado em 15 de abril na revista Science Advances e reforça a ideia de que esse sistema está mais perto de um ponto crítico. Em termos simples, isso significa chegar a um estágio em que a reversão se torna muito mais difícil para o clima global.

Temperatura e salinidade mudam o retrato do Atlântico e derrubam erro em 79%

Segundo Live Science, site internacional de jornalismo científico e tecnologia, o modelo mais preciso combinou temperatura da superfície do mar e salinidade em todo o Atlântico com um método estatístico menos comum nas simulações climáticas.

Esse método reduziu o erro de previsão em 79% na comparação com a modelagem padrão. A partir daí, a estimativa central ficou em torno de 51% de enfraquecimento sobre a média de 1850 a 1900, faixa que já entra no campo de perda substancial.

Monitoramento contínuo só começou em 2004 e ainda preserva incertezas

Os cientistas destacam que a observação contínua desse sistema começou apenas em 2004. Isso limita a quantidade de medições diretas disponíveis e ajuda a explicar por que diferentes estudos ainda chegam a ritmos e magnitudes distintas de desaceleração.

Mesmo com essa incerteza, o quadro geral não aponta estabilidade. As observações indicam que a circulação já está mais fraca do que no período de referência do século 19, e o debate agora gira menos em torno da existência do enfraquecimento e mais sobre sua velocidade e profundidade.

Especialistas ouvidos no material também reforçam que o momento exato e a intensidade final ainda não são consenso. Ainda assim, o novo trabalho é visto como preocupante porque amplia o peso de um cenário mais severo.

Norte da Europa, costa da América do Norte e lavouras entram na zona de impacto

Se houver colapso, os efeitos podem durar séculos ou até milênios. O norte da Europa pode enfrentar queda forte de temperatura, enquanto áreas ao sul podem sofrer com secas extremas.

Na costa nordeste da América do Norte, a pressão aparece no avanço do nível do mar. O impacto também pode se espalhar por cadeias alimentares e ecossistemas, tanto no oceano quanto em terra.

A agricultura entra nesse mapa de risco. O material aponta que a área disponível para cultivo de trigo e milho, que respondem por grande parte das calorias consumidas no mundo, pode cair para menos da metade em um cenário extremo.

Enfraquecimento já exige preparação e amplia pressão sobre decisões climáticas

O peso dessa projeção está no conjunto dos sinais. Há perda de força observada, um modelo mais preciso, redução importante do erro e uma estimativa que coloca o sistema mais perto de uma faixa crítica.

Ainda existe incerteza sobre o desfecho exato, mas o recado ficou mais duro. Governos e regiões costeiras ganham mais pressão para se preparar desde agora diante de um processo que reposiciona o Atlântico e muda a leitura estratégica.

Com informações do site internacional de jornalismo científico e tecnologia Live Science.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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