Parte do calçadão da Praia do Janga cedeu em 4 de agosto de 2026 após fortes chuvas e maré alta. Paulista registrou mais de 124 mm em 24 horas, mantém seis trechos críticos monitorados e busca viabilizar cerca de R$ 24 milhões para conter a erosão costeira na orla urbana.
A erosão costeira voltou a provocar danos visíveis em Paulista, no Grande Recife, depois que parte do calçadão da Praia do Janga cedeu em 4 de agosto de 2026. O episódio ocorreu após um acumulado superior a 124 milímetros de chuva em 24 horas, segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima, em um período também marcado por maré alta.
O desabamento levou a prefeitura a isolar a área e iniciar serviços emergenciais, mas o problema ultrapassa o trecho danificado. Documentos municipais produzidos ao longo de 2026 identificaram seis áreas críticas distribuídas por aproximadamente dois quilômetros de litoral e colocaram em discussão um pacote de obras estimado em cerca de R$ 24 milhões para conter o avanço do mar e proteger a infraestrutura urbana.
Calçadão cedeu depois de chuva intensa e maré alta

O trecho atingido fica na Avenida João Fonseca de Albuquerque, na Praia do Janga. Após o rompimento de parte da calçada, equipes da Defesa Civil Municipal foram mobilizadas para restringir o acesso e reduzir riscos para quem circulava pela orla.
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Segundo a Prefeitura do Paulista, o grande volume de água se combinou à maré alta e agravou um processo erosivo que já comprometia a estabilidade da estrutura. A infiltração sob o calçadão passou a ser um dos pontos centrais da intervenção emergencial.
Paulista registrou mais de 124 mm em apenas 24 horas
Dados divulgados pela Apac indicaram que Paulista havia sido o município com maior acumulado de chuva em Pernambuco naquele período, superando 124 milímetros em 24 horas.
O volume ajuda a explicar por que a situação se agravou rapidamente naquele trecho. A chuva não criou sozinha o problema de erosão costeira, mas intensificou uma área que já apresentava vulnerabilidade ao avanço do mar e à perda de material junto à orla.
Prefeitura iniciou drenagem e recuperação provisória
A resposta imediata incluiu isolamento, retirada de coqueiros considerados comprometidos, serviços de drenagem e uma recuperação provisória do calçadão.
Agrailson de Ramos, secretário municipal de Obras e Serviços Públicos citado pela CBN Recife, explicou que a prioridade era impedir que a água continuasse penetrando sob a estrutura. A recuperação definitiva, porém, depende de intervenções de contenção muito maiores do que o reparo pontual do passeio.
Vistoria já havia identificado seis trechos críticos
Meses antes do episódio no Janga, em 25 de março de 2026, técnicos da Defesa Civil Nacional realizaram uma vistoria no litoral de Paulista para analisar o projeto elaborado pelo município.
O levantamento municipal apontou seis trechos considerados mais críticos, distribuídos entre Janga, Pau Amarelo, Nossa Senhora do Ó, Conceição e Maria Farinha. Somadas, essas áreas alcançavam aproximadamente dois quilômetros de extensão.
Projeto passou por análise da Defesa Civil Nacional
A vistoria de março fazia parte do processo de validação técnica necessário para que Paulista buscasse recursos federais destinados às obras de recuperação e proteção da faixa costeira.
Segundo Ricardo Medeiros, secretário de Mobilidade e Defesa Civil do município, projetos, licenças e relatórios já haviam sido encaminhados. A avaliação federal precisava definir o enquadramento das intervenções como manutenção, recuperação ou prevenção antes do avanço do financiamento.
Estimativa mudou de R$ 26 milhões para cerca de R$ 24 milhões
Na etapa de março, a prefeitura estimava em aproximadamente R$ 26 milhões o valor necessário para executar as intervenções nos pontos críticos.
Em 11 de agosto, uma atualização oficial do processo passou a trabalhar com investimento estimado em cerca de R$ 24 milhões. A diferença reflete fases distintas de elaboração e análise do projeto, e a fonte não detalha quais itens provocaram a revisão do valor.
Obras foram divididas em duas frentes
Na atualização de agosto, o projeto municipal aparecia dividido em duas metas. A primeira previa obras emergenciais destinadas às áreas mais críticas atingidas pela erosão costeira.
A segunda envolvia a contratação de empresa especializada para estudos, acompanhamento técnico e elaboração do chamado as built dos enrocamentos. Esse tipo de documentação registra tecnicamente como a estrutura foi efetivamente executada depois da obra.
Praias do Janga, Pau Amarelo e outras áreas entram no plano
As intervenções citadas pela prefeitura abrangem trechos nas praias do Janga, Pau Amarelo, Nossa Senhora da Conceição e Maria Farinha, dentro de uma faixa litorânea onde diferentes pontos foram classificados como críticos ao longo das avaliações.
A documentação municipal de março também inclui Conceição entre os bairros atingidos. O objetivo declarado é reduzir os impactos da erosão costeira sobre praias, circulação urbana, moradores, comerciantes e demais usuários da orla.
Município depende de etapas estaduais e federais
Apesar da urgência, o investimento não significava que as obras já estivessem contratadas. Em agosto, Paulista ainda mantinha tratativas com órgãos estaduais e com a Defesa Civil Nacional para avançar na análise técnica e na liberação dos recursos.
A documentação também foi encaminhada à Companhia Estadual de Habitação e Obras, a CEHAB. A autorização do processo licitatório depende do cumprimento dessas etapas administrativas antes da contratação da empresa responsável pelas intervenções.
Não havia prazo fechado para liberação dos recursos
Durante a vistoria de março, Lucas Negreiros, engenheiro da Defesa Civil do Brasil e assistente da Coordenação-Geral do Departamento de Reconstrução e Reabilitação, explicou que não era possível estabelecer uma data exata para a liberação.
O andamento dependia de análise técnica, aprovação administrativa e disponibilidade orçamentária. Embora situações de desastre possam receber tratamento prioritário, a fonte não confirma uma data definitiva para o início de todas as obras de contenção.
Monitoramento começou depois do desabamento
Em 13 de agosto de 2026, a Prefeitura do Paulista iniciou uma nova etapa de acompanhamento da erosão costeira. O trabalho começou em dois dos seis trechos considerados mais críticos.
O levantamento foi planejado para percorrer desde o início do Janga até o final de Maria Farinha. A intenção é acompanhar como o perfil das praias muda ao longo do tempo e medir a movimentação de sedimentos na faixa litorânea.
Sedimentos serão acompanhados antes e depois das obras
Fernando Soares, especialista em erosão costeira e doutor em Geologia Marinha, explicou que o novo monitoramento tem finalidade diferente da vistoria emergencial realizada pela Defesa Civil Nacional.
O trabalho deverá comparar a quantidade de sedimentos que chega e sai de cada praia. A medição será feita antes, durante e depois das intervenções, permitindo verificar se determinadas áreas estão perdendo ou acumulando material ao longo do tempo.
Avaliação pode mostrar quanto cada praia perdeu
A expectativa apresentada pelo especialista é que, após cerca de um ano de acompanhamento, os dados permitam estimar quanto cada trecho sofreu erosão ou crescimento.
Isso cria uma base técnica que vai além da observação visual de calçadas quebradas ou avanço momentâneo da água. O objetivo é detectar mudanças antes que o processo erosivo atinja estágios mais avançados e cause novos danos à infraestrutura.
Monitoramento não substitui obras de contenção
A própria prefeitura ressalta que o acompanhamento técnico não altera o cronograma do projeto estrutural. As duas ações têm funções diferentes.
Enquanto o monitoramento mede o comportamento da costa, as obras previstas buscam conter os danos nos pontos onde a erosão costeira já ameaça estruturas urbanas e a segurança de quem utiliza as praias.
Cinco pontos foram citados logo após queda do calçadão
Na nota reproduzida pela CBN Recife em 4 de agosto, a prefeitura mencionou naquele momento cinco pontos de intervenção em negociação: um no Janga, dois em Pau Amarelo, um em Nossa Senhora do Ó e outro em Maria Farinha.
Já documentos municipais de março e o programa de monitoramento iniciado em agosto tratam seis trechos como os mais críticos da orla. A diferença decorre do recorte utilizado em cada etapa, e as fontes não indicam que uma das classificações tenha simplesmente substituído a outra.
Cerca de dois quilômetros exigem atenção contínua
A extensão próxima de dois quilômetros é importante porque mostra que o problema não se resume ao pedaço de calçadão que desabou no Janga.
As áreas críticas se distribuem por diferentes bairros de Paulista. Isso transforma a erosão costeira em uma questão de infraestrutura urbana e gestão territorial, envolvendo drenagem, praias, vias, equipamentos públicos e proteção de áreas frequentadas diariamente pela população.
Avanço do mar coloca infraestrutura urbana no centro do problema
A erosão modifica a faixa de praia e pode comprometer estruturas construídas próximas ao litoral. Em Paulista, o episódio do Janga mostrou esse risco de forma concreta quando a estabilidade da calçada foi perdida.
Por isso, as intervenções planejadas não são apresentadas apenas como recuperação estética da orla. O objetivo declarado pelo município é preservar a faixa litorânea, reduzir danos estruturais e oferecer maior segurança aos moradores, comerciantes e frequentadores das praias.
R$ 24 milhões ainda dependem do avanço do projeto
O valor estimado de aproximadamente R$ 24 milhões representa a dimensão financeira atual do projeto, mas não deve ser interpretado como recurso já integralmente liberado e disponível.
A prefeitura seguia, em agosto, cumprindo etapas para viabilizar a captação. A execução definitiva depende da conclusão das análises, autorizações, disponibilidade financeira e posterior contratação das intervenções previstas.
Calçadão que cedeu expôs problema muito maior na orla
O trecho quebrado da Praia do Janga virou a imagem mais visível de um processo que já vinha sendo acompanhado meses antes. Chuvas superiores a 124 milímetros e maré alta aceleraram o dano, mas seis áreas já haviam sido classificadas como críticas ao longo de aproximadamente dois quilômetros de litoral.
Agora, Paulista combina reparos emergenciais, monitoramento técnico e busca por recursos para obras de contenção. Na sua opinião, cidades costeiras deveriam priorizar obras estruturais imediatas, monitoramento permanente da orla ou uma combinação obrigatória das duas estratégias para enfrentar a erosão costeira? Conte nos comentários.
