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China investiu R$ 230 bilhões no Brasil e agora muda de estratégia: só em 2025 foram R$ 31 bilhões, alta de 45%, enquanto empresas chinesas avançam do preço baixo para tecnologia e produção local

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 22/09/2026 às 21:23 Atualizado em 22/09/2026 às 21:25
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Empresas chinesas ampliam presença no país para além de energia e infraestrutura, com fábricas, logística e marcas voltadas ao consumidor, enquanto eletrônicos, veículos elétricos, eletrodomésticos, moda, beleza e delivery entram na estratégia descrita pela Euromonitor para a América Latina.

Os investimentos chineses no Brasil somaram cerca de US$ 45 bilhões, equivalentes a R$ 230 bilhões, entre 2015 e 2025, segundo estudo da Euromonitor International. A mudança não aparece apenas no volume: empresas do país asiático passaram a ampliar presença em produção local, tecnologia, logística e marcas voltadas ao consumidor brasileiro.

Só em 2025, os aportes chegaram a US$ 6,1 bilhões, aproximadamente R$ 31 bilhões, alta de 45% sobre o ano anterior. Pelos dados apresentados pela consultoria, o Brasil foi o país que mais recebeu investimentos chineses no mundo naquele ano.

Há uma década, parte relevante desses recursos estava concentrada em infraestrutura, como hidrelétricas. Esse perfil continua presente, mas passou a conviver com investimentos em automóveis, eletrodomésticos, moda, cosméticos, alimentação, serviços digitais e delivery, aproximando empresas chinesas do consumo cotidiano no país.

Da infraestrutura ao consumidor

“A China está migrando de uma estratégia focada em preço e importação para uma abordagem que prioriza conteúdo, comunidade, produção local e logística eficiente”, afirma Guilherme Machado, gerente de pesquisas da Euromonitor International. Para ele, a transformação também envolve construção de marca e uma oferta descrita pela consultoria como luxo acessível.

A mudança não elimina os produtos importados de menor valor, mas reduz a dependência desse modelo como principal porta de entrada das empresas chinesas. Ganham espaço bens e serviços mais sofisticados, com tecnologia de produção, cadeia logística e características adaptadas ao mercado brasileiro.

Nesse posicionamento, preço deixa de ser o único elemento de competição. A estratégia identificada pela Euromonitor combina qualidade, design e construção de marca com valores abaixo de segmentos tradicionalmente premium, ampliando a disputa por consumidores que antes poderiam não considerar uma empresa chinesa nessas categorias.

A consultoria relaciona o movimento à instabilidade nos mercados americano e europeu e ao crescimento mais moderado de economias asiáticas já maduras. A América Latina, por sua vez, reúne mercado consumidor, proximidade com recursos naturais e condições para que grupos chineses ampliem produção, distribuição e presença comercial.

Outro fator citado por Machado é a relativa concentração linguística da região, dominada por espanhol e português. O uso intenso de redes sociais também favorece estratégias de comunicação em escala: mais de 80% dos consumidores latino-americanos usam diariamente Facebook, Instagram, TikTok ou WhatsApp, segundo a Euromonitor.

A presença chinesa já é forte em setores de consumo. Na América Latina, empresas do país lideram os mercados de eletrônicos e veículos elétricos, avançam em eletrodomésticos e começam a ampliar participação em beleza, além de já terem espaço em moda, alimentação e serviços de entrega.

Brasil concentra investimentos em diferentes setores

No Brasil, a diversificação é maior do que a observada entre alguns concorrentes asiáticos. Enquanto investimentos japoneses se concentram sobretudo nos setores automotivo, de energia e agroindustrial, e os sul-coreanos têm foco em eletrônicos, semicondutores e baterias, o capital chinês se distribui entre indústria, infraestrutura e serviços.

Entre 2015 e 2024, o Brasil recebeu entre US$ 35 bilhões e US$ 40 bilhões em investimentos chineses, com destaque para energia, mineração, automóveis e agronegócio, informa a Euromonitor. O montante foi quase três vezes o aplicado no México, segundo principal destino regional, com faixa estimada entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões.

Argentina, Chile, Colômbia e Peru também aparecem como destinos relevantes. No caso peruano, o Porto de Chancay tornou-se um exemplo da expansão logística chinesa na região, com US$ 3,5 bilhões em investimentos, liderança da estatal Cosco Shipping e operação em parceria com a mineradora Volcan.

O complexo integra a iniciativa chinesa conhecida como Nova Rota da Seda e tem calado suficiente para receber alguns dos maiores navios de carga, capazes de transportar até 24 mil contêineres. Segundo o material apresentado pela Euromonitor, a estrutura pode reduzir em até 20 dias o transporte entre a China e a América do Sul.

Alexandre Uehara, coordenador do curso de Relações Internacionais da ESPM, relaciona a expansão externa à perda de dinamismo da economia chinesa. “A economia chinesa já não está tão dinâmica como no passado, o que incentiva as empresas locais a buscarem novos mercados”, afirma.

Na avaliação de Uehara, manter uma relação estreita com o Brasil também interessa a Pequim por ampliar sua interlocução internacional. Ele considera ainda que a presença chinesa em setores como aeroespacial, robótica e inteligência artificial ajuda a melhorar a percepção de outras marcas do país no exterior.

Uehara associa esse processo ao fortalecimento do soft power chinês, entendido como capacidade de influência por cultura, valores e diplomacia. Ele cita o Soft Power Index 2026, da consultoria britânica Brand Finance, no qual os Estados Unidos mantiveram a primeira posição com 74,9 pontos após queda de 4,6 pontos, enquanto a China chegou a 73,5.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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